Quadrilha do banco da família de Magalhães Pinto, comandante civil do golpe de 64, não fica nem 24 horas na prisão, pelo rombo de mais de 9 bilhões

O Nacional também é conhecido como o banco das netinhas do presidente Fernando Henrique. E netinhas de Magalhães Pinto.

Ele fundou o Banco Nacional em 1946. Governador do Estado de Minas Gerais, de 1961 a 1966, criou o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Nesta época, financiou o Ipes e foi um dos principais artífices do golpe militar de 1964.

Em 7 de outubro de 1963, durante o seu governo, ocorreu o trágico Massacre de Ipatinga.

Após o golpe militar, sua fortuna se multiplicou e incorporou mais seis bancos em 1972. Criando em seguida o Banco Nacional S/A, com sede em Belo Horizonte.

Ninguém sabe de quanto foi o rombo do Proer, a ajuda aos bancos do tucano FHC. Ninguém sabe quanto os ladrões do Banco Nacional desviaram. Nove bilhões e duzentos milhões é o valor mínimo saqueado do bolso do pobre povo pobre do Brasil.

Cadeia, para a justiça PPV, não existe para os bilionários. As polícias estaduais não prendem os amigos dos governadores. Apenas estudantes e grevistas – os trabalhadores.

A Polícia Federal bota na cadeia os bandidos de colarinho (de) branco, e a  justiça amiga solta.

O Correio do Brasil, com informações do jornal carioca O Dia, publica hoje:

Presos por agentes da Polícia Federal na véspera, pela manhã, os quatro ex-dirigentes do antigo Banco Nacional passaram menos de 24 horas na cadeia. Eles foram soltos ainda na terça-feira, mediante habeas corpus, concedido no começo da noite pelo desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região. O ex-controlador do banco, Marcos Magalhães Pinto, o ex-vice-presidente da Área de Controladoria Clarimundo Sant’anna, o ex-diretor Arnoldo Oliveira e Omar Bruno Corrêa chegaram a ser levados ao presídio Ary Franco, onde passaram por todos os procedimentos normais aos novos detentos, mas o desembargador levou em conta o fato de os processos do réus não terem transitado em julgado, cabendo recursos contra as condenações proferidas em 2002. As idades dos executivos réus, todos com mais de 70 anos, também foram consideradas.

Os quatro executivos dirigiam um dos mais tradicionais bancos do país, que sofreu intervenção nos anos 90 e protagonizou grande escândalo financeiro. A prisão foi decretada pelo juiz Marcos André Bizzo Moliari, da 1ª Vara Criminal Federal do Rio, a pedido do MPF. Os dirigentes foram condenados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta, prestação de informações falsas a investidor ou à repartição pública e inserção de elementos falsos em demonstrativo contábil de instituição financeira. Um quinto ex-executivo, Nagib Antônio, com prisão decretada, nem chegou a ser preso na véspera, junto com os colegas.

Magalhães Pinto chegou a ser levado para um presídio carioca, mas foi libertado logo em seguida
Magalhães Pinto chegou a ser levado para um presídio carioca, mas foi libertado logo em seguida

Magalhães Pinto, segundo o MPF, é o único não condenado por formação quadrilha, e deve cumprir pena de 12 anos e dois meses, enquanto Sant’anna foi condenado a 15 anos e um mês. Arnoldo Oliveira ficará preso por 17 anos e um mês, e Omar Bruno Correia, por 8 anos e dez meses. A procuradora Ariane Guebel de Alencar alegou que “levar o princípio da presunção de inocência ao extremo de impedir a execução de sentença condenatória quando não há mais recurso com efeito suspensivo seria, de fato, um brinde à impunidade e à ineficiência da Justiça”.

Relembre o escândalo

• Resultado maquiado

Os problemas do Banco Nacional começaram em 1986, quando registrou rombo de US$ 600 milhões. O resultado era bem superior ao patrimônio líquido de US$ 250 milhões, da instituição financeira que pertencia a uma das mais tradicionais famílias mineiras, os Magalhães Pinto.

• Contas fantasmas

A saída para acobertar o déficit foi forjar empréstimos fictícios, com a abertura de 600 contas fantasmas. As operações foram contabilizadas como ativos bons.

• Intervenção do BC

A maquiagem ocorreu até novembro de 1995. O Banco Central determinou que fosse feita auditoria e detectou rombo de R$ 9,2 bilhões. O governo Fernando Henrique liberou recursos do recém criado Proer. Com a liquidação extrajudicial, o Unibanco comprou o banco mineiro e ficou com a parte “boa”.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s