A corrupção que o Tribunal de Justiça do Paraná pretendia esconder

• Abril – A Gazeta do Povo de 25 de abril revela investigação do CNJ sobre as acusações de tráfico de influência e venda de sentenças contra o atual presidente do TJ-PR, Clayton Camargo, e o desembargador aposentado Rafael Augusto Cassetari.

• Junho – CNJ volta a investigar o TJ-PR, tendo como alvo, desta vez, indícios de irregularidades nas Varas de Falência do estado.

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo afirmou que a Polícia Federal teria realizado escutas telefônicas que revelariam que nove desembargadores e dois juízes de primeira instância poderiam estar trabalhando para direcionar os processos de falências no Paraná para determinados escritórios de advocacia. Um dos desembargadores citados seria o presidente do TJ-PR, Clayton Camargo. O filho dele, o então deputado Fabio Camargo, também estaria envolvido.

• Julho – Reportagem confirma que o CNJ abriu investigação para apurar a suspeita de que Clayton Camargo teria praticado tráfico de influência no processo de escolha do novo conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná (TC). Fabio Camargo foi escolhido em votação secreta na Assembleia Legislativa para o cargo.

• Agosto – O procurador Arion Rolim Pereira, do MP-PR, determina o arquivamento da investigação contra o presidente do TJ-PR no inquérito civil que apurava suposto tráfico de influência e venda de sentenças.

No dia 27, a Gazeta foi notificada judicialmente da proibição, determinada pelo TJ-PR, de divulgar qualquer conteúdo que atingisse “a honra, a boa fama e a respeitabilidade” de Clayton Camargo, além de ter de retirar de seu site as matérias que tratavam das investigações do CNJ. O processo corria em segredo de Justiça, o que impediu o jornal de se manifestar sobre o assunto.

• Setembro – No dia 2, a Gazeta apresenta uma reclamação ao STF, com pedido de liminar, questionando os efeitos da decisão do TJ-PR. A argumentação é de que a determinação impõe censura prévia, o que é vedado pela Constituição. O relator da ação é o ministro Luiz Fux. No dia 4, Clayton Camargo emite nota oficial no site do TJ-PR, alegando que havia desistido da ação judicial. No mesmo dia, Fux solicita ao CNJ informações da investigação que envolvem Camargo. Ontem, a defesa do presidente do TJ apresenta petição ao STF na qual comunica a desistência da ação estadual e requer a Fux que julgue a reclamação do jornal prejudicada, por perda de objeto.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Um comentário sobre “A corrupção que o Tribunal de Justiça do Paraná pretendia esconder”

  1. Gostaria de parabenizar a Gazeta do Povo, pelos brilhantes trabalhos de investigação, como nos casos da Assembleia e do TJ, cujas denuncias resultaram em grandes êxitos. Seu quadro de jornalistas é sério e combativo, não esmorecendo nunca diante das adversidades e dificuldades quando lida com as denuncias envolvendo autoridades do alto escalão. Jornalismo investigativo se faz dessa forma. Saibam que o povo honesto está do vosso lado. Continuem nessa linha.

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