Tijoladas do Mosquito mataram o principal jornalista de Santa Catarina

 

Mosquito

Poucos defenderam Mosquito, que a imprensa tradicional preferiu esconder a morte de Amilton Alexandre, um dos movimentadores da opinião pública de Santa Catarina, e que colecionava inimigos devido às críticas e denúncias postadas em seu blog. Era parte em mais de 40 ações que corriam na Justiça catarinense. A maior parte dos processos eram por calúnia, difamação ou pedidos de indenização por danos morais.

Um de seus alvos no blog  Tijoladas do Mosquito era o prefeito de Florianópolis Dário Berger, que movia uma ação penal privada contra o comunicador. Em audiência desse caso, Mosquito foi advertido com um termo de prisão em flagrante por proferir ofensas ao prefeito durante a sessão. Entre os casos de maior repercussão,  denunciou um de estupro envolvendo adolescentes de famílias tradicionais da capital catarinense. O estupro aconteceu na casa do filho de um delegado de polícia. Participou da curra um filho de Sérgio Sirotsky, diretor do Grupo RBS. O nome do terceiro violentador jamais foi revelado. A vítima uma menina de 13 anos, colega de escola.

Dentre os 25 boletins de ocorrência policial feitos pelo blogueiro, levantados pela polícia, a maioria era sobre ameaças de morte.

Azevedo dos Santos, junto com o colega Edson Jardim, advogava gratuitamente para o jornalista, que estava com sérios problemas financeiros. “Ele sofria processos criminais, cíveis e até de natureza tributária”, conta o advogado, acrescentando  que “não era isso (os problemas financeiros) que o angustiava, o principal motivo era a iminência de ser preso (por conta de alguma condenação que pudesse vir)”.

Santos acredita que a hipótese de um homicídio forjado não pode ser descartada. Mosquito foi encontrado morto, enforcado na escadaria de sua residência. “As denúncias que fazia eram contundentes, e envolviam gente poderosa. Pelo rol de denunciados, qualquer um pode ser um inimigo em potencial”, comenta.

Residência de Mosquito, em Palhoça, na Grande Florianópolis
Residência de Mosquito, em Palhoça, na Grande Florianópolis

 

Mosquito colecionava muitos desafetos, desde o prefeito de Florianópolis Dário Berger (PMDB) à atual ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti (PT) – ambos moveram ações contra o jornalista.

E pelo menos duas pessoas ameaçaram, publicamente, Amilton de morte. O vereador de Florianópolis Márcio Souza (PT), e o ex-diretor do Departamento de Administração Prisional de Santa Catarina Hudson Queiroz. Souza ameaçou Mosquito durante uma audiência judicial, na frente da juíza. E Queiroz agrediu fisicamente o jornalista, durante um evento na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, ameaçando-o de morte pelas redes sociais.

Mosquito sem dinheiro, sem equipe, sem costas quentes, fazia uma jornalismo ousado, criativo, investigativo, e sem o medo que hoje impera nas redações de Santa Catarina.

Merece ser lembrado. Não pode ser morto pela censura imposta pelos seus algozes, nem pela cumplicidade do silêncio dos jornalistas e dos líderes dos movimentos sociais, que ele tanto defendeu.

O ex-diretor do Deap é um dos envolvidos nas denúncias de torturas contra detentos do Complexo Prisional de São Pedro de Alcântara. As imagens de policiais, afogando presos em vasos sanitários, foram reproduzidas pela mídia internacional, em novembro de 2009. O que levou Queiroz a perder o cargo.

Uma pessoa ligada a Amilton acredita que Hudson pode ser um dos principais suspeitos, caso tenha havido realmente um assassinato. “Ele mostrou sinais de ser desequilibrado, a ponto de ameaçá-lo nas redes sociais. E é policial, sabe os procedimentos para mascarar um suicídio”, aponta.

Mosquito, um apelido dos tempos da faculdade, ou Muska.

Transcrevi de várias fontes. Notadamente do blogue Pragmatismo Político.

(Continua)

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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