Francisco: “Não existe comunicação pela metade. É tudo ou nada. Ou se fala tudo ou não se fala nada”

por Gilvandro Filho

papamontagem

Bela entrevista do repórter Gerson Camarotti com o Papa. Indiscutível o seu valor jornalístico, um furo internacional (foi a primeira entrevista individual desde que Francisco foi eleito Papa).

O Papa é, realmente, uma figura histórica muito diferenciada e que merece todo respeito e toda a admiração. E toda a atenção. A sua pontuação sobre a idolatria pelo dinheiro e o descarte de velhos e idosos pelo capitalismo foi perfeita. Que mundo é este que nega oportunidade aos jovens (e criança) e aos idosos por não serem “produtivos”? “Os jovens são o futuro do mundo e os velhos estão aí para passar sua experiência e sabedoria”.

Sobre a idolatria ao dinheiro e a sua manipulação pela imprensa, ele foi na mosca!!!! “Milhares de crianças morrem de fome e isso não é notícia. Se a bolsa cair 2 ou 3 pontos, tratam como uma catástrofe mundial”.

Também gostei da imagem que ele criou: sem jovem e sem idosos o mundo cai. Que os jovem precisam ser escutados e que os idosos precisam passar a sabedoria deles. E sobre os protestos dos jovens, no Brasil: “Não tenho conhecimento dos motivos pelos quais protestam os jovens daqui. mas, jovem que não protesta não me agrada”.

Outra boa foi a questão de a Igreja Católica estar perdendo fiéis. “Uma mãe tem que cuidar, alimentar e amar os seus filhos. A Igreja precisa ser mãe. E falar diretamente com os seus filhos. Ela não pode se descuidar do filho e falar com ele por documentos. Seria como uma mãe falar com seu filho apenas por carta”. Bingo!

Outra ótima: “Não tenho medo. A hora que tiver que me acontecer alguma acontecerá. Como eu vinha ver um povo que amo e andar com vidros levantados? Não existe comunicação pela metade. É tudo ou nada. Ou se fala tudo ou não se fala nada”.

Outra: independentemente de igreja ou de religião, todos os lideres religiosos devem lutar contra a fome e o analfabetismo das crianças. Nesse ponto, um diferencial do Papa, que é o respeito pela outras religiões. Que sirva de lição a alguns dos nossos pastores e a certos manifestantes que misturam protesto com insanidade mental.

E, para não dizer que gostei de tudo, senti falta de uma pergunta sobre direitos humanos e sobre a ditadura argentina. Poxa, estava ali, a bola batendo e pedindo pra ser chutada. Não era para o repórter ter perdido esta oportunidade. Eu tenho impressão de que ele falaria na boa.

Mas, claro, foi um feito histórico e jornalístico. Veja a entrevista

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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