O Papa reza pelos 222 jovens carbonizados pela ganância dos proprietários e corrupção da Prefeitura e Corpo de Bombeiros que venderam os alvarás da morte na boite Kiss

“Com a cruz, Jesus se une às famílias que se encontram em dificuldade e que choram a trágica perda de seus filhos, como no caso dos 242 jovens vítimas do incêndio na cidade de Santa Maria, no princípio desse ano. Rezamos por eles”, disse Francisco.

A prece do Papa é notícia na imprensa internacional. Quando a imprensa estava calada.

Seis meses depois do beijo da morte na boite Kiss, o Brasil relembra a tragédia anunciada: 242 mortos e mais de 600 feridos.

Seis meses depois, a justiça tarda e falha não condenou ninguém.

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Diário da Santa Maria hoje:

Santa Maria seis meses depois da Kiss: pronta para reagir e em busca de justiça

Pesquisa mostra que, 180 dias após incêndio que matou 242 pessoas, santa-marienses temem impunidade, condenam apatia do poder público e querem a recuperação da cidade

Passados seis meses do incêndio na boate Kiss, Santa Maria ainda é uma cidade em luto, dilacerada pelas mortes de 242 jovens e marcada pelo sentimento de impunidade. Mas também é uma cidade pronta para reagir e recomeçar. Na última semana, pesquisadores do Instituto Methodus saíram às ruas do município para saber como está e o que pensa a população sobre o desfecho da maior tragédia da história do Rio Grande do Sul.

>>> Leia a íntegra da pesquisa

Uma das principais conclusões aponta a percepção popular sobre quem, afinal, seriam os maiores responsáveis pelo episódio, independentemente do resultado das investigações.

Para a maior parte dos entrevistados, os mais citados foram os proprietários da casa noturna, seguidos do Corpo de Bombeiros e, em seguida, o prefeito Cezar Schirmer (PMDB), isentado pelo Ministério Público (MP). Na avaliação da maioria, eles seriam mais responsáveis pelo episódio do que integrantes da banda Gurizada Fandangueira e servidores municipais.

Seiscentos entrevistados participaram do levantamento — o primeiro desde a madrugada de 27 de janeiro — encomendado pelo Grupo RBS para aferir o que os santa-marienses pensam sobre o episódio meio ano depois. Durante o trabalho, os entrevistadores enfrentaram uma situação pouco comum em pesquisas de opinião.
— Todos ficaram impactados. Muita gente chorou ao falar. A cidade não voltou ao normal e, de um modo geral, tem a sensação de que não haverá punição adequada — relata Margrid Sauer, diretora de pesquisa instituto.

A conclusão se expressa em números: 61,9% dos participantes da enquete discordam de que todos os envolvidos estão respondendo judicialmente pelos erros cometidos, 57,5% não acreditam que será feita justiça e 52,2% questionam a isenção da CPI criada pela Câmara Municipal para investigar o caso. A avaliação reflete o clima de indignação na cidade.

Em abril, apenas metade dos 16 indiciados pela Polícia Civil foi denunciada pelo MP, desencadeando críticas na comunidade, que esperava mais implicados criminalmente no caso. Em maio, a decisão da Justiça de soltar os donos da Kiss e os músicos, presos desde janeiro, levou a novas manifestações de inconformidade. No dia 15 deste mês, em outra frente de investigação, um inquérito civil levou cinco meses para ficar pronto e isentou todos os nomes ligados à prefeitura, inclusive o de Schirmer — considerado responsável por 68% dos entrevistados. Apenas quatro envolvidos — dois proprietários e dois membros da banda — podem ir para a cadeia.

— Parece que a morte de 242 pessoas não valeu nada. Fica uma lacuna muito grande. Não estão tratando a sociedade com o respeito que merecia — afirmou, na ocasião, o presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes, Adherbal Ferreira.

A revolta, a julgar pelos dados que agora vêm à tona, não se restringe a Ferreira ou àqueles que perderam amigos e parentes em função de uma cadeia de irresponsabilidades. Dos moradores ouvidos, sete em cada 10 tiveram perdas pessoais e 97,3% declararam que o drama afetou a vida de todas as famílias santa-marienses.

Se os percentuais são a prova de que as feridas continuam abertas, a boa notícia é que ainda há esperança. Para 95,7% dos homens e mulheres que deram voz à dor coletiva, é preciso reagir. Embora 45% acreditem que a cidade mudou para pior, 52,1% estão otimistas ou muito otimistas em relação ao futuro. Santa Maria precisa seguir em frente, e a maioria entende que o resgate da autoestima da cidade cabe à própria população.

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Jornal El Dia, Argentina – El papa Francisco advirtió ayer que los jóvenes desconfían de las instituciones políticas porque ven “egoísmo y corrupción”, en el marco de un multitudinario Vía Crucis en la playa de Copacabana, donde la representación de la pasión y muerte de Jesucristo hizo referencia a los males que afligen a la sociedad actual.

“La cruz de Jesús se une a tantos jóvenes que han perdido su confianza en las instituciones políticas porque ven egoísmo y corrupción, o que han perdido su fe en la Iglesia”, señaló.

“E incluso en Dios, por la incoherencia de los cristianos y de los ministros del Evangelio”, reconoció ante más de un millón y medio de personas que lo aclamaban.

“Con la cruz, Jesús se une al silencio de las víctimas de la violencia, que no pueden ya gritar, sobre todo los inocentes y los indefensos, y a las familias que lloran la pérdida de sus hijos”, aseveró, al recordar en medio de aplausos a las 242 víctimas mortales del incendio en la localidad brasileña de Santa María, ocurrido a principios de año.

El Papa afirmó que Jesús se une a las madres que ven sufrir a sus hijos “al verlos víctimas de paraísos artificiales como la droga”, a las personas que “sufren hambre en un mundo que cada día tira toneladas de alimentos”, y a “quien es perseguido por su religión, por sus ideas, o simplemente por el color de su piel”.

MISERICORDIA

El papa Francisco aseguró por otra parte a los jóvenes que la cruz también invita a dejarse “mirar siempre al otro con misericordia y amor, sobre todo a quien sufre, a quien tiene necesidad de ayuda, a quien espera una palabra, un gesto, y a salir de nosotros mismos para ir a su encuentro y para tenderles la mano”.

Tras interpelarlos a “no hacerse los distraídos ni lavarse las manos”, invitó a los jóvenes “a fiarse de Jesús, porque él no defrauda a nadie”.

ESTACIONES

La representación de trece de las catorce estaciones de la vía dolorosa se realizó a lo largo de 900 metros de la avenida Atlántica y la última en el escenario central en la que estaba el Papa.

El Pontífice siguió cada uno de los detalles a través de las pantallas gigantes montadas a lo largo de la playa.

La recreación de la vía dolorosa, que describe el sufrimiento de Jesús hasta el calvario, hizo hincapié en los males que aflige a la sociedad actual y del sufrimiento de los jóvenes.

La misión de conversión, las comunidades, las madres jóvenes, los seminaristas, el aborto, las parejas, las mujeres que sufren, los estudiantes, las redes sociales, los reclusos, las enfermedades terminales, la muerte de los jóvenes, fueron algunos de los temas representados.

Las frases

 “La cruz de Jesús se une a tantos jóvenes que han perdido su confianza en las instituciones políticas porque ven egoísmo y corrupción”.

– “Los jóvenes han perdido su fe en la Iglesia, e incluso en Dios, por la incoherencia de los cristianos y de los ministros del Evangelio”.

– “Jesús se une a las madres que ven sufrir a sus hijos al verlos víctimas de paraísos artificiales como la droga”.

– “Muchas personas sufren hambre en un mundo que cada día tira toneladas de alimentos”.

– “Aún hay quien es perseguido por su religión, por sus ideas, o simplemente por el color de su piel”.

– “La cruz también invita a mirar siempre al otro con misericordia y amor, sobre todo a quien sufre, a quien tiene necesidad de ayuda, a quien espera una palabra, un gesto, y a salir de nosotros mismos para ir a su encuentro y tenderles la mano”.

– “No hay que hacerse los distraídos ni lavarse las manos”.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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