Faltar água em Belém é querer vender água engarrafada

Ilustração de Steve Greenberg
Ilustração de Steve Greenberg

A interrupção no fornecimento de água ontem durante mais de cinco horas, dificultou a vida dos moradores dos bairros do Marco, São Brás, Sousa, Curió Utinga e parte de Canudos, afetados pelo problema depois de um curto circuito na Estação Elétrica do Utinga. Segundo a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), a falta de água iniciou-se por volta de 8h30, mas a população garante que desde as 6h já não caía uma gota das torneiras.

A professora aposentada Margarida Cavalcante, de 58 anos, afirma que a falta de água no bairro do Marco é constante e sempre chega de surpresa os moradores. “Pagamos as contas direitinho, isso é um absurdo”.

Segundo a aposentada, a família acordou nessa quinta-feira já sem água. “Foi desde as 6h. Tivemos que utilizar água mineral para cozinhar e lavar a louça, mas para tomar banho, não teve como improvisar, o jeito foi esperar a água retornar, o que só ocorreu depois das 14h”, afirma.

O problema causa indignação entre os que necessitam da água fornecida pela Cosanpa. Para conseguir realizar as atividades diárias, muitos precisam contar com a solidariedade dos vizinhos, que possuem poço artesiano.

Esse foi o caso do servidor público, Edson Ferreira, 50 anos. Ele só conseguiu abastecer garrafões e baldes com água depois que moradores de um prédio vizinho a sua casa permitiram o acesso dele e de outras pessoas, as torneiras localizadas na parte externa do edifício. “Hoje tivemos água somente para a comida, é uma situação complicada. Foi uma dor de cabeça”.

Em nota, a Cosanpa informou que uma pane na linha de alta tensão da Estação Elétrica do Utinga provocou problemas no abastecimento de água. Um curto-circuito na subestação do Bolonha, fez com que a corrente de alta tensão danificasse o quadro geral de comando, causando a interrupção do abastecimento. “Os bairros de São Brás, Marco, Sousa, Curió Utinga e parte de Canudos ficaram com o abastecimento prejudicado desde às 8h30 desta quinta-feira, 25 porque todas as bombas precisaram ser desligadas, para que fosse efetuado o conserto. O abastecimento normalizou por volta de 13h”.

Ninguém pergunta quanto custa a água engarrafada. Água vendida a preço de ouro pelos piratas internacionais. Que a água dos rios, dos lagos, dos aquíferos e fontes foi entregue, via outorgas secretas, pela prostituta Ana, aos piratas internacionais: Coca-Cola, Nestlé e outras empresas do tráfico de água e outros alimentos. Que a ONU decidiu considerar a água um alimento.

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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