Confusão: a mala dos tucanos e o revólver do Lavareda

por Anna Ramalho

Bala por nota

Na última terça-feira, o cientista político Antonio Lavareda, tucano de alta plumagem, foi detido pela Polícia Federal no aeroporto de Recife, quando tentava embarcar uma mala com três balas de revólver 38 dentro.

Levado para uma delegacia da Polícia Civil, Lavareda esclareceu tudo, mostrou documento provando que tinha porte de arma e  ainda sugeriu que as balas devem ter ficado caídas na mala quando levou, algumas semanas atrás, o revólver carregado dentro dela. O engraçado foi o “telefone sem fio” que começou a tocar, até que Lavareda fosse liberado.

Diversos políticos receberam ligações de gente da oposição afirmando que Lavareda havia sido preso com uma mala de dinheiro. Já tinha até quem comparasse o fato com o momento crítico por que o DEM está passando. “Era tudo que a oposição não precisaria. Seria uma bala de prata. Depois dessa história terrível do Demóstenes, ter que lidar agora com uma coisa dessas… Deus me livre!”, comentou um dirigente do PSDB.

(Transcrito do Jornal do Brasil)

Nota do editor do blogue: Por publicar esta notícia, Ricardo Antunes foi preso pela polícia do governador Eduardo Campos.
Passou mais de seis meses na cadeia. Coisa que só acontece em uma ditadura militar.
Estou informado que ele vem sofrendo stalking policial.
Isso não pode acontecer em uma democracia.
Foi para defender a Liberdade de Imprensa que fui anticandidato a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco.
E como protesto, indiquei o nome de Ricardo Antunes para vice-presidente. Nesta decisão: o aviso de que os jornalistas não aceitam mais prisões, nem stalking policial, nem censura judicial.
Com tristeza e desencanto, nos últimos protestos de ruas, o Recife viu jornalistas espancados e presos.
2 – Nunca fui amigo de Ricardo Antunes. Antes da campanha sindical, este mês, vi Ricardo umas duas ou três vezes pelas redações que trabalhei. Talvez uma vez, cada dez anos.
3 – Tive a máxima honra de conhecer o pai de Eduardo Campos, desde minha juventude. E o tio dele, que foi meu companheiro de boemia literária. Não vou citar os nomes por conta da minha eterna admiração, e o mais profundo respeito.
4 – Também conheço Eduardo Campos, apresentado pelos primos como Dudu, na adolescência. E com ele devo ter participado de uma ou duas reuniões secretas da campanha de Miguel Arraes para governador. Reuniões que desisti de ir, depois de uma conversa com meu amigo Antonio Farias, cuja campanha de senador coordenei. Provocado, contarei os motivos.
5 – Não tenho nada pessoal contra Eduardo Campos. Inclusive votei nele para governador.
6 – Não tenho nada pessoal contra Antonio Lavareda. Fui professor de Lavareda durante dois anos, na Universidade Católica de Pernambuco.
7 – Minha bandeira é a Liberdade de Imprensa. Uma Liberdade que pertence aos jornalistas. Quem faz o jornal (devia ser o óbvio) é o jornalista, e não o patronato. Mas a liberdade, hoje, é exclusiva, uma propriedade do patrão.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s