Veja que o Jornal do Comércio pretende roubar dos jornalistas e do Sinjope

O feitor da redação do Jornal do Comércio. Ilustração de Fabio Magnasciutti
O feitor da redação do Jornal do Comércio. Ilustração de Fabio Magnasciutti

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Nos Cursos de Jornalismo, a Legislação e Deontologia do Jornalismo é uma das disciplinas. Portanto, a lição precisa ser repetida (Transcrevo da página do exemplar e competente jornalista Antonio Magalhães, que foi meu companheiro na Universidade Católica de Pernambuco e na redação do Jornal do Comércio):

AULA DE DIREITO

Primeiro dia de aula, o professor (…) entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
– Qual é o seu nome?
– Chamo-me Nelson, Senhor.
– Saia de minha aula e não volte nunca mais! – gritou o desagradável professor.
Nelson estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.
Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
– Agora sim! – vamos começar .
– Para que servem as leis? Perguntou o professor – Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
– Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
– Não! – respondia o professor.
– Para cumpri-las.
– Não!
– Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
– Não!
– Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
– Para que haja justiça – falou timidamente uma garota.
– Até que enfim! É isso, para que haja justiça.
E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira.
Porém, seguíamos respondendo:
– Para salvaguardar os direitos humanos…
– Bem, que mais? – perguntava o professor .
– Para diferençar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem…
– Ok, não está mal porém respondam a esta pergunta:
“Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?”
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
– Quero uma resposta decidida e unânime!
– Não! – responderam todos a uma só voz.
– Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
– Sim!
– E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vá buscar o Nelson – Disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

Antonio Magalhães

Nota do editor do Blogue:  A Imprensa Livre depende da liberdade do jornalista. Uma liberdade que começa nas redações.

Quem tem feitor é escravo. Uma redação não é uma prisão, nem campo de concentração, nem quartel.

Devemos combater todo tipo de assédio:

Assédio moral

Assédio sexual

Assédio judicial

Assédio extrajudicial

Stalking policial

Temos que recuperar a dignidade perdida de uma profissão hoje sem prestígio, que recebe o salário da fome e do medo.

Quando o Jornal do Comércio impediu a entrada da Chapa Você Sabe Porquê, na antevéspera das eleições sindicais, demostrou que prefere a eleição de uma chapa governista, submissa, que brinca de fazer greve de teatro.

O jornalista Ricardo Antunes foi preso na antevéspera das eleições municipais, quando o governador Eduardo Campos elegeu Geraldo Júlio prefeito.

Ricardo Antunes, preso torturado, incomunicável, o governador deu entrevista à revista Época, e chamou seu encarcerado e algemado jornalista de “infame”.

E acrescentou, cruelmente: “Ricardo Antunes é um pobre coitado e miserável”.

As assessorias de Imprensa do governo do Estado pagam salários “miseráveis” aos “pobres coitados” funcionários públicos.

A estratégia dos sindicatos por melhores salários – pretendemos realizar campanhas – principia na  melhoria dos ordenados dos assessores de imprensa. Para que eles não realizem bicos nas redações dos jornais, rádios e televisões. Sem biqueiros, mais vagas abertas. E exigir equiparação salarial, quando os assessores de imprensa conquistarem salários dignos.

Ricardo Antunes faz parte da chapa Você Sabe Porquê. É um recado para os quatro poderes: Não aceitaremos mais, passivamente, nenhum assassinato, nenhuma prisão, nenhum tipo de censura a jornalistas e blogueiros no exercício da nossa sagrada e libertária profissão.

Nunca mais jornalistas espancados nas ruas, na cobertura de greves dos trabalhadores e protestos do povo.

Nunca mais o roubo policial de máquinas de fotografia e de filmar.

Nunca mais balas perdidas, balas de borracha, balas de chumbo, bombas de gás lacrimogêneo e canhões sônicos.

Nunca mais o ranger dos dentes dos cachorros treinados da polícia, nem trombadas com os cavalos da polícia montada.

Nunca mais censura.

Tortura nunca mais.

 Anne Derenne
Anne Derenne

A ilustração de Anne Derenne representa a minha espera para entrar na redação do Jornal do Commércio.

Um jornal democrático é a casa do povo.

No Jornal do Comércio, quando não era uma gaiola de luxo, fui repórter especial de Abdias Moura e de Eugênio Coimbra Júnior.

Fui copidesque de Ronildo Maia Leite.

Editor, redator chefe, diretor responsável do Jornal do Comércio, na redação estavam outros queridos amigos: Nilo Pereira, Ladjane Bandeira, Ivan Maurício, Dulce Chacon, Clara Angélica, Paulo Fernando Craveiro, Edson Régis, Manoel Inácio (Pelé), J. Gonçalves de Oliveira (que já conhecia das farras com Carlos Pena Filho, Ascenso Ferreira, Djalma Tavares, Mauro Mota, Francisco Bandeira de Mello). Tempos, sim, de boemia com Audálio Alves, Carlos Moreira, Newton Navarro, Sanderson Negreiros, Berilo Wanderley, Câmara Cascudo, Djalma Aranha Marinho, Márcio Marinho, Francisco Fausto Paula de Medeiros, Marcos Vinicius Vilaça, Zila Mamede, Tereza Tenório, Woden Madruga, Selênio Siqueira, José Maria Garcia, Marcos Cordeiro e Rosalvo Melo.

(Continua)

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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