Brasil espionado por terra e pelo espaço

No Brasil impera a espionagem. Publiquei várias denúncias nos blogues Aqui Não Dá e Jornalismo de Cordel no Comunique-se.

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Escreve Bob Fernandes: Documentos bancários mostravam como, no governo FHC, a DEA, agência norte-americana de combate ao tráfico de drogas, pagava operações da Polícia Federal. Chegava inclusive a depositavar na conta de delegados. Porque aquele era um tempo em que a PF não tinha orçamento para bancar todas operações e a DEA bancava as de maiores dimensão e urgência.

A CIA, via Departamento de Estado, pagou uma base eletrônica da PF em Brasília, até os tijolos. Nos idos do governo Sarney. Para trabalhar nessa base, até o inicio da gestão do delegado Paulo Lacerda, em 2002, agentes e delegados da PF eram submetidos ao detector de mentiras nos EUA. Não em Langley, sede da CIA, mas em hotéis de Washington.

Dentre as perguntas, que alguns do agentes e delegados se recusaram a responder: já haviam participado de atos de corrupção? Eram homossexuais?

Isso até que viessem a gestão do ministro Márcio Thomaz Bastos e do delegado Paulo Lacerda e um orçamento adequado. Essa base na PF chamava-se CDO, Centro de Dados Operacionais. Publicadas as reportagens, tornou-se SOIP, depois COE. Hoje é a DAT, Divisão Anti-terrorismo.

Carlos Costa chefiou o FBI no Brasil por 4 anos. Em entrevista de 17 páginas, em março de 2004, revelou: serviços de inteligência dos EUA haviam grampeado o Itamaraty. Empresas eram espionadas. Nem o Palácio da Alvorada escapou.

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Pelo menos 16 serviços secretos dos EUA operavam no Brasil. Às segundas-feiras, essas agências realizavam a “Reunião da Nação”, na embaixada, em Brasília.
Tudo isso foi revelado com riqueza de detalhes: datas, nomes, endereços, documentos, fatos. Em abril de 2004, com a reportagem de capa, publicamos os nomes daqueles que, disfarçados de diplomatas, como é habitual, chefiavam CIA, DEA, NSA e demais agências no Brasil.
Vicente Chellotti, diretor da PF, caiu depois da reportagem de capa “Os Porões do Brasil”,  de 3 de março de 1999. Isso no governo de FHC, que agora, na sua página no Facerbook, disse desconhecer ações da CIA no país.
Renan Calheiros, quando ministro da Justiça no governo FHC, foi convocado pelo Congresso na sequência de uma das reportagens sobre atividades de agências secretas dos EUA. Em público, esquivou-se, negaceou. A mim, numa cerimônia no Supremo Tribuinal Federal, diria na tarde do mesmo dia: “Isso é assim mesmo, é do jogo”.
Carlos Costa, que chefiara o FBI no Brasil, foi ouvido em sessão secreta do Congresso, já em 2004.
Antes de o Congresso decidir como seria a sessão, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi à embaixada dos EUA ouvir Donna Hrinak, a embaixadora. Segundo testemunho do senador à época, a embaixadora dos EUA informou:
– Se a sessão não for secreta ele (Carlos Costa) será processado pelo governo dos Estados Unidos.
Essa disposição falava por si mesma. E na sessão, que terminaria sendo secreta, Carlos Costa  confirmou tudo o que dissera na entrevista; sobre as ações do seu FBI, da CIA, DEA, NSA, e sobre a espionagem em geral, no Brasil, mas não apenas.
Tudo isso sob quase absoluto e estrondoso silêncio. Um silêncio assustador à época. Tão assustador quanto a suposta perplexidade ao “descobrir”, só agora, que os Estados Unidos, e não apenas eles, espionam o Brasil e o mundo. Veja vídeo
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Brasil precisa ir cavando trincheiras

Welinton Naveira e Silva

É estarrecedora a revelação da ampla e irrestrita espionagem dos EUA, inclusive com espiões da CIA em nosso território, somada a tantas outras  criminosas ações pelo mundo, conhecidas e documentadas, como a histórica implantação das sangrentas ditaduras militares na América Latina, inclusive treinando militares na hedionda tortura.

Devastadoras invasões militares do Iraque e da Líbia, com milhares de mortos, viúvas, órfãos, mutilados, fazendo uso de tortura, com massivas e arrasadoras destruições. Tudo, visando controle e posse das gigantescas reservas de petróleo desses desarmados países, destituídos de um mínimo de poder de fogo.

Desde o governo Bush que os EUA já se reservaram o direito de deter qualquer cidadão por simples suspeitas, mantendo-o em prisões isoladas por tempo indeterminado e sem direito a advogados. Ou seja, por tudo que estamos vendo, os EUA perderam a noção geral do direito e do respeito aos mais fracos e desarmados. Só respeitam os poderosos e armados.

Diante desse grande perigo, não resta alternativa para as nações possuidoras de gigantescas riquezas naturais, como o Brasil, senão a de buscar urgentemente todos os caminhos possíveis para o nosso fortalecimento interno, enquanto há tempo, tentando evitar que logo mais adiante tenhamos as mesmas supremas humilhações e terríveis sofrimentos por conta das invasões militares dos EUA em busca da riqueza alheia.

Dentre as muitas ações no caminho Verde Amarelo, o Brasil necessita:

1) Fortalecer nossa economia a qualquer custo;
2) Grandes investimentos na educação pública e na saúde;
3) Uma política eficaz de ciência e tecnologia de ponta;
4) Eficientes meios para que tenhamos representantes e dirigentes de bom nível técnico e político, inviabilizando eleição de políticos corruptos, entreguistas e de baixo nível;
5) Estruturado planejamento de médio e de longo prazo, para as diversas áreas críticas;
6) Pena de morte para comprovada traição à Pátria;
7) Investimentos em  tecnologia na área da defesa, com a participação direta das Forças Armadas;
8) Elevar o nível de politização e cultura de nosso povo e de nossos militares.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

br_oglobo. espionagem obama

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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