Dilma: É uma posição correta o ato de repudiar o esquema de espionagem, que viola os direitos humanos, a privacidade e a soberania dos países

foto mercosul roberto stuckert filhopr

Os presidentes dos países da região estão reunidos em Montevidéu na Cúpula do Mercado Comum Comum do Sul, em Montevidéu, no Uruguai, onde foram recebidos hoje pelo mandatário uruguaio, José Pepe Mujica, até hoje presidente Pro Tempore do Mercosul. O próximo presidente para o mandato temporário de seis meses é Nicolás Maduro, da Venezuela, que anunciou mais cedo que o “Mercosul é o futuro econômico da América Latina e do Caribe”. Disse ainda que com esta nova jornada de responsabilidade da Venezuela com o Mercosul será de trabalho constante para abrir os horizontes econômicos dos países da região.

A reunião serviu ainda para os países do sul esboçarem a declaração de repúdio ao esquema de espionagem dos Estados Unidos a cidadãos norte-americanos e estrangeiros, conforme denúncias do ex-consultor Edward Snowden. A presidenta Dilma Rousseff , do Brasil, que até então não havia se pronunciado oficialmente defendeu a iniciativa dos presidentes da Colômbia, do México, Chile, Equador e da Argentina que condenaram o monitoramento externo e cobraram explicações dos Estados Unidos. Ela disse que é uma posição correta o ato de repudiar o esquema de espionagem, que viola os direitos humanos, a privacidade e a soberania dos países.

O Mercosul é formado pelo Brasil, a Argentina, o Uruguai, a Venezuela e o Paraguai, suspenso provisoriamente. O bloco representa aproximadamente 80% do Produto Interno Bruto (PIB), 72% do território regional, 70% da população, 58% dos ingressos de investimento estrangeiro direto e 65% do comércio exterior. Os presidentes conversarão também sobre o processo de adesão da Bolívia e do Equador, além da Guiana e do Suriname como membros associados. Os processos envolvendo a Bolívia, a Guiana e o Suriname estão em estágio avançado. Mas o que está chamando a atenção é se o Paraguai, que está suspenso, volta ou não.

O presidente da Venezuela foi um dos que defendeu mais fortemente, em sua fala, a reincorporação urgente do Paraguai ao Mercosul, uma vez que foi o estopim da crise, ao ser acusado de interferir nos negócios internos do país, quando ainda era chanceler de Hugo Chávez. Os paraguaios já anunciaram, inclusive, que não voltam ao bloco enquanto Maduro for o presidente Pro Tempore do bloco. A data ideal para a reincorporação seria 15 de agosto, quando toma possa o novo presidente paraguaio eleito Horacio Cartes. Membro fundador do Mercosul, o país foi suspenso em julho do ano passado depois que o Congresso destituiu o então presidente Fernando Lugo. Os países vizinhos condenaram o “impeachment relâmpago”, por ter ocorrido em um prazo de 48 horas. Na época, Lugo foi substituído pelo vice Federico Franco.

Problemas diplomáticos

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Ontem o chanceler do Uruguai, Almagro, já antecipou que existe uma melhor disposição de todos os membros do Mercosul para reincorporar o Paraguai, contudo há posições divergentes e diplomatas do Mercosul dizem que ainda não foi encontrada uma fórmula para superar o impasse político. Durante a crise, que resultou na destituição de Lugo, o Congresso paraguaio acusou o então chanceler venezuelano Nicolás Maduro de interferir em assuntos internos do Paraguai e aprovou uma resolução considerando-o pessoa não grata. O Congresso foi o único que vetou a entrada da Venezuela no Mercosul. Os venezuelanos ingressaram no bloco quando o Paraguai já havia sido suspenso, perdendo temporariamente direito a voto no grupo regional.

Assim que foi eleito, Cartes defendeu a reintegração do Paraguai no Mercosul o quanto antes e que havia “vontade política” de todos os países do bloco para o retorno ocorra. Porém, recentemente, disse que seu país não aceita que a Venezuela exerça a presidência pro tempore do Mercosul. Esta posição titubeante de Cartes, que agora assume o discurso de soberania e dignidade nacional, tem recebido críticas em seu país. Segundo o Centro de Análises e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep), que a falta de estratégias clara para o retorno ao Mercosul posterga benefícios econômicos para o Paraguai.

*Com informações da Agência Brasil e agências internacionais

 uy_republica. evo

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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