O povo nas ruas dispensa marqueteiro

Lenin diferenciava propagandista de agitador.

O termo propagandista foi usada até o fim do nazismo.

Nos Estados Unidos foi substituído por relações públicas.

O Brasil adotou o palavrão marqueteiro. Ou marreteiro. Porque profissionais proprietários da área de contato das agências de publicidade comercial. Vendem mais a própria imagem. Esquecem o santo ou a santa cuja imagem é pago para carregar.

Com os poderes da bilocação realizam ao mesmo tempo várias campanhas em vários Estados, inclusive de candidatos de partidos diferentes. De esquerda ou direita, tanto faz – o que importa é o dinheiro.

Lenin comparava o propagandista a um apóstolo; Goebbels, a um apaixonado, um amante.

Para Lenin, o propagandista possuía várias idéias; e o agitador apenas uma, para persuadir o povo.

É o caso dos marreteiros brasileiros. Pela falta de Cultura. Das chamadas ciências encruzilhadas da Propaganda: Ciência Política, História Geral (inclusive a história da Propaganda), Psicologia Social, Comportamento (como ciência na proposta de Skinner) etc.

No Brasil, a melhor campanha é a mais cara. E o marqueteiro sempre se baseia em pesquisas manjadas de opinião pública.

Desconheço o pai-de-santo de Dilma. Estranho ele abrir a estratégia. Leia Luiz Tito:

 

O marqueteiro João Santana, hoje festejado como o 40º ministro do governo Dilma Rousseff, está tranquilo quanto aos resultados das manifestações das ruas, acontecidas no último mês na grande maioria das maiores cidades brasileiras. Ele foi categórico em dizer, em relatório de avaliação do momento político formalizado e entregue ao ministério de Dilma, que ao se constatar que tais protestos foram difusos e sem especial liderança, o prestígio da presidente Dilma não fora afetado sem possibilidade de recuperação. Previu ainda que a reconstrução de sua popularidade é uma obra para ser concluída nos próximos quatro meses.

Pelo grau de incômodo que as pesquisas divulgadas na semana passada pelo Instituto Datafolha geraram, ao denunciar o estrago nos índices de popularidade da chefe do governo, o grupo da presidente não parece acreditar tanto no diagnóstico do marqueteiro.

Certo ou não, não se pode negar que João Santana, substituindo os ministros e assessores mais próximos de Dilma, conseguiu, com a ideia do plebiscito, deslocar para outro patamar as atenções, devolvendo à presidente seu caráter de empreendedora. O governo, que estava sem para onde correr, ainda que desastradamente, assumiu uma postura propositiva. O plebiscito, como anunciado, é uma aberração jurídica, um desvirtuamento político só possível diante de um Congresso desfigurado, apequenado e desmoralizado como o que temos. Mas está na ordem do dia.

PELO ENGODO…

Mais uma vez, de tantas, vemos que as decisões políticas no país são o resultado da equação que serve à eleição e à conservação do mando, o que seria até natural se não fossem tais conquistas alcançadas pelo engodo, pela mentira e pela fraude das realidades que as propagandas oficiais se incumbem de promover.

No último sábado, reunidos no Palácio da Alvorada, Dilma bateu na mesa para dizer que quer ver as próximas eleições se realizarem sob as formulações produzidas pelo seu plebiscito, ainda que até o momento não se tenham esclarecidas as questões que serão avaliadas pela sociedade, seu formato de consulta, a extensão das mudanças e o início de sua vigência.

As manifestações de rua não tinham foco em mudanças plebiscitárias; pediram, primeiro, a revogação do reajuste do preço das passagens e conseguiram. Depois bateu nos gastos comprometidos com a Copa, confrontando-os com a vergonhosa situação da saúde em todo país, da educação, da segurança e da mobilidade urbana, que muitos governos resumiram a ações de maquiagem das vias públicas das cidades. Dilma já mandou liberar recursos para tais demandas. A corrupção virou crime hediondo, o que não basta se não tivermos revistos nossos códigos e o aparelho Judiciário.

Estamos no caminho, mas é preciso mudar, com profundidade. Para termos nova agenda, o governo tem que cortar na carne os privilégios, cessar com a viligiatura a bordo dos jatos da FAB, cortar os orçamentos do Congresso, das assembleias legislativas e das câmaras municipais, em todo país. Acabar com as contratações desnecessárias, com o festival de cargos de confiança e levantar a bandeira de combate à corrupção. Com atos e não com discursos feitos por marqueteiros, com promessas do que não vai cumprir. Por isso, vale manter acesa a vigilância das ruas.(Transcrito de O Tempo /Tribuna da Imprensa)

xxx

Nota do redator do blogue: Plebiscito e referendo são conquistas democráticas de países que não temem a voz do povo.

As multidões nas ruas, reivindicando leis e condenando outras, provam que o povo antecipou ora o plebiscito, ora o referendo.

Falta o diálogo do executivo, do legislativo e do judiciário com o povo. A Justiça anda desaparecida em um oportuno recesso. Caberia, quem perde popularidade, explicar as responsabilidades dos poderes da República. Principalmente Dilma, que está sendo um bode expiatório. Por burrice do marqueteiro e dos conselheiros políticos.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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