A primeira eleição DIRETA do Egito durou um ano. A “ditadura provisória” quanto irá durar?

BRA_OG golpe

 

por Helio Fernandes

Exatamente há 2 anos e 4 meses, o ditador Hosni Mubarak era deposto por um movimento popular que colocou a Praça Tahrir como um dos grandes endereços democráticos do mundo. Mas como a deposição, mesmo de um ditador, não vem com substituição garantida e autenticamente democrática, a Praça Tahrir continuou agitada e insatisfatória.

Há um ano, foi eleito Mohamed Morsi, tido e considerado como a continuação da Revolução. Mas não era, principalmente por causa da religião, que dominou seu governo, desagradou profundamente os que o elevaram e empossaram.

Ele ficou em situação desesperadora, apelou para o apoio dos americanos, que muito bem municiados por informações, responderam que “não ficaria nem contra nem a favor”.

Na segunda-feira, Morsi fez discurso duro e veemente: “Não renunciarei de jeito algum”. Renúncia é o que pediam seus antigos apoiadores. Na terça tentou “cativar” a oposição, propondo governo de coalizão, não recebeu nem resposta. Na quarta, renunciou, ficou pedindo que o Exército (que domina o país) “não pratique violência contra o povo”. E queria autorização para deixar o Egito livremente, sem precisar pedir asilo a outro país.

Na quinta-feira já estava preso, o Exército não atendeu seus pedidos, ou melhor, fez exatamente o contrário do que pedia.

OS MILITARES TOMAM O PODER,
FECHAM O CONGRESSO, MONTAM
GOVERNO INTERINO, TUDO É PROVISÓRIO

A democracia no Egito não durou mais do que um ano, é preciso ressaltar, registrar, ressalvar, relembrar: era a primeira eleição DIRETA de toda a História do Egito, contando desde os tempos dos faraós, 3 mil anos antes de Cristo.

Os militares, qualquer que seja o país, são IMPLACÁVEIS no poder, e ainda mais IMPLACÁVEIS para conquistá-lo. Foi o que aconteceu. Mas é preciso dizer: Mohamed Morsi, que foi carregado pelo povo da Praça Tahrir, que o elegeu e empossou entusiasmado e empolgado, no Poder era outro, inteiramente diferente. Começou prendendo e matando jornalistas, perseguiu cidadãos comuns, fez da violência a prática do dia-a-dia. A tirania era seu programa de governo.

Em um ano, fez tudo ao contrário do que se esperava, dividiu o povo da Praça Tahrir. Desde o início, foi perdendo todo o povo, facilitou a intervenção dos militares, sequiosos, que palavra, por derrubá-lo e assumir, com a cronologia que relacionei no início destas notas.

Egito

ASSUMEM, DISSOLVEM O
CONGRESSO, EMPOSSAM O
PRESIDENTE DO SUPREMO, ALIADO

O que no Brasil se chamou ou se chamaria a “solução Joaquim Barbosa” (aparentemente desejada pelo povo nas ruas, não estou endossando nada), no Egito é uma farsa completa. E com os generais no Poder, longe do povo, a Praça Tahrir está de luto, perplexa, assustada e aparentemente arrependida. Mas foi o próprio Morsi que provocou tudo isso.

Antes da derrubada, Obama deu a impressão de que poderia ter salvado a primeira eleição direta do Egito. Mas não quis arriscar, o Obama de depois da reeleição não é o mesmo de 2008, jogou fora todo o prestígio, decepção completa e total para o mundo, para ele, e finalmente, como é público e notório, para este repórter.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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