“A reação da polícia foi além do necessário”, diz presidente da Fenaj sobre protestos. 53 jornalistas presos ou agredidos. 25 casos em São Paulo

Segundo dados da Abraji (Associação Nacional de Jornalismo Investigativo), houve 53 casos de violência contra 52 jornalistas. Desses casos, 34 foram de agressão por parte da polícia, seis casos de prisão, 12 por parte de manifestantes e um caso onde o agressor não pode ser identificado. São Paulo é apontada como a cidade onde ocorreu o maior número de casos, cerca de 25.
O repórter fotográfico do Terra, Fernando Borges, foi detido no quarto dia de protestos (13/6), em São Paulo. Ele estava indo cobrir o protesto na Praça do Patriarca quando foi abordado por um PM. Apesar de ter se identificado como profissional da imprensa, os policiais decidiram levá-lo para a delegacia.

Borges foi levado a uma unidade da PM onde estavam outras pessoas que seriam levadas para a delegacia, mas aguardavam a chegada das viaturas. Após esperar 40 minutos, ele se apresentou novamente como fotógrafo para alguns policias que decidiram liberá-lo.

“A polícia estava, indiscriminadamente, atirando em todo mundo. Não sei se eles sabiam se estavam atirando em jornalistas. Os protestos estavam sendo tratados como manifestações de vândalos até esse dia [quinta-feira (13/6), quarto dia de protestos] em que muitos jornalistas foram agredidos”, diz o fotógrafo.
Borges cobriu todos os protestos e afirma que, após ser detido, teve receio de cobrir a manifestação seguinte. No entanto, ressalta que após o quarto protesto, que para ele foi o mais violento, o tratamento da mídia mudou e, junto da mobilização nas redes sociais, fez com que os policiais fossem menos violentos, tornando o movimento mais pacífico.
Crédito:Divulgação
Repórter fotográfico foi uma das vítimas da violência da PM

“No geral, são poucos [veículos de comunicação] que se mantiveram desde o começo com o mesmo tipo de cobertura, traçando os atos de vandalismo como algo separado do protesto geral. Mas, com certeza, [o fato de muitos jornalistas serem agredidos] foi o que motivou a mudança de abordagem da mídia em geral”, disse o fotógrafo.

O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schröder, diz que “a reação da polícia paulista foi além do necessário e mirou, nitidamente, boa parte dos jornalistas. Os jornalistas agredidos não foram agredidos por acaso, não foram agredidos no meio do momento. Eles foram perseguidos, foram mirados, foram buscados. Houve uma metodologia na agressão”.
Schroder diz que também houve violência contra os jornalistas por parte do movimento. O motivo disso é que muitas pessoas confundem os jornalistas com as empresas em que eles trabalham. Ele ainda afirma que existem algumas pessoas que são “sabotadores” dentro do movimento. “Isso não faz parte da crítica legítima que boa parte da sociedade brasileira tem contra a mídia nacional”, diz o presidente da entidade.
“É preciso lembrar que jornalistas brasileiros estiveram envolvidos diretamente na redemocratização do país. Jornalistas brasileiros deram a vida em prol da democracia”, afirma Schröder.

“A Fenaj tem puxado esse debate ao longo das últimas décadas, pois precisamos resolver essa concentração de mídia no país que é impensável em um país democrático. Mas não é agredindo e negando o jornalismo, ao contrário, é afirmando o jornalismo e os jornalistas que nós vamos conseguir avançar nesse sentido”, acrescentou.

“Não podemos confundir melhorar o jornalismo com acabar com o jornalismo. Há um limite bem definido entre a crítica a um jornalismo mal feito, a um jornalismo partidário, um jornalismo conservador, um jornalismo imprudente e uma adesão ao não jornalismo. Isso seria uma situação que coincidiria com os piores momentos da história da humanidade”, ressalta Schröder. “A sociedade tem que reafirmar o jornalismo como um elemento civilizatório, de garantia da liberdade”, acrescentou.
O presidente da Fenaj ainda diz que não é de hoje que acontecem atos de violências contra jornalistas e que a entidade já havia denunciado isso, pedindo uma ação do governo. “Há esse aumento de violência contra jornalistas no país e precisamos enfrentar isso com algumas medidas: as empresas precisam garantir proteção para seus empregados, precisam disponibilizar equipamentos de segurança, treinamentos, precisamos de uma centralização das investigações. O problema é complexo e não se resolve com gravata e meia dúzia de bandeiras. É preciso ações muito claras”, finaliza. Portal Imprensa

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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