O Papa Francisco e o povo nas ruas

Missa do Pontífice para o dia da “Evangelium vitae”

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Aquele Deus vivente e misericordioso

Quando o homem quer afirmar-se a si mesmo, fechando-se no próprio egoísmo e colocando-se no lugar de Deus, alimenta “a constante ilusão de poder construir a cidade do homem sem Deus, sem a vida e sem o amor de Deus” que é “o Vivente, o misericordioso”. No dia especial dedicado – no âmbito dos eventos do Ano da fé – à celebração da encíclica de João Paulo II Evangelium vitae, o Papa Francisco reafirmou o seu não a “ideologias e lógicas que obstam a vida, que não a respeitam, porque são ditadas pelo egoísmo, pelo interesse, pelo lucro, pelo poder, pelo prazer e não pelo amor, pela busca do bem do próximo”.

A sua mensagem foi acolhida, na praça de São Pedro no domingo, 16 de Junho, por mais de cem mil representantes de associações e movimentos internacionais que se dedicam à defesa da vida.
“O egoísmo – afirmou o Santo Padre – leva à mentira, com a qual se procura enganar-se a si mesmo e ao próximo”. E “o resultado – explicou – é que o Deus Vivente é substituído por ídolos humanos e fugazes, que proporcionam a inebriação de um momento de liberdade, mas que no final são portadores de novas escravidões e de morte”.

Existe luego el compromiso por una mayor justicia social, por un sistema económico al servicio del hombre y en beneficio del bien común. Entre nuestras tareas, como testigos del amor de Cristo, está la de dar voz al clamor de los pobres, para que no sean abandonados a las leyes de una economía que parece, a veces, considerar al hombre sólo como un consumidor. (L’Osservatore Romano)

 

 

 

 

 

A satisfação e o conselho do Papa Francisco, aos jovens

por Helio Fernandes

O Papa Francisco, falando na missa das ruas para 150 mil pessoas no domingo, disse com simplicidade e sabedoria: “Os jovens não precisam ter medo de irem contra a corrente”. Magistral. Dava a impressão de estar se dirigindo aos jovens das ruas do Brasil. E quem diz que não estava?

E minha satisfação é muito grande, não por ter adivinhado que ele iria dizer isso, mas pelo fato de ter raciocinado com a mesma compreensão, com a mesma transição de pensamento, com a mesma conclusão.

Escrevendo no sábado e publicado aqui no domingo: “Os protestantes não podem parar, mas sem perplexidade e medo”.

Dirigentes da CNBB, que demonstravam alguma preocupação com o que poderia acontecer durante a Jornada Mundial da Juventude, agora estão certos de que tudo o que foi planejado e programado, ocorrerá.

Fora da CNBB, não havia a menor dúvida de que a Jornada transcorrerá como o sucesso programado. Mas a palavra do Papa Francisco logicamente representou fator importantíssimo.

 

O “gigante” acordou. O que querem os manifestantes?

Cardeal Odilo P. Scherer

 

gigante protesto povo

O povo, sobretudo os jovens, cansou-se de ouvir falar em corrupção, impunidade, falta de reforma política, povo que continua pobre na “5ª economia do mundo”… Quem disse que os jovens só querem navegar na “rede” e trocar mensagens cifradas, mantendo-se alienados da realidade que os cerca, estava bem equivocado. De um momento a outro, a indignação explodiu e se derramou de maneira ruidosa pelas ruas. Sem saber bem verbalizar a insatisfação que experimentam, adolescentes e jovens dizem, simplesmente: “não dá mais; temos que fazer alguma coisa; vamos mudar o Brasil”…

Mas nos cortejos das manifestações pacificas também apareceram os oportunistas nada pacíficos e pouco interessados em protestar, mas em extravasar em violência, ou em promover atos de vandalismo e depredação do patrimônio público e privado. Lamentavelmente, além dos danos materiais causados, esses anti-sociais também roubam a cena e ameaçam o caráter cívico das manifestações. Felizmente, houve uma clara repulsa desses atos por conta dos manifestantes.

O fenômeno dos protestos estendeu-se a todo Brasil, mesmo a cidades médias e pequenas. Não foi só pelo poder convocatório e contagiante das mídias sociais, mas pela vontade de mudar o Brasil para melhor. Como fazer? Ainda não se sabe bem como. Não se quis dar conotação partidária às manifestações, nem cunho institucional, mas estritamente popular: as massas querem falar; povo não identificável com partidos, ideologias, siglas e bandeiras, que acredita ser possível melhorar o Brasil, mas não se sente identificado com o andar das coisas, nem com discursos e estatísticas oficiais… Como vão conseguir isso? Ainda não se vê claro.

O certo é que o Brasil “real” está mostrando insatisfação com o Brasil “institucional”. Susto para os políticos! Barbas de molho para os que ainda achavam que o Gigante está “deitado eternamente em berço esplêndido!” Erro de cálculo para quem acha que estádios caros e suntuosos para a Copa do Mundo são a melhor política pública, porque enchem o povo de ufanismo campeão do mundo! O povo está cobrando um Brasil mais sério e justo para todos. Futebol, carnaval e internet já não bastam. Os jovens torcem por um presente de grandeza real para a Pátria amada idolatrada! Que sejam ouvidos.

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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