Referendo: Hora de perguntar ao povo o que ele quer

O judiciário, o legislativo, o executivo e as elites têm mais medo de um referendo que o diabo da cruz.

O povo decidiu sair para as ruas porque ninguém protesta por ele. A grande imprensa é porta-voz do bezerro de ouro.

Propagar que os movimentos são desorganizados é falar da banda mouca.

Praça da Cinelândia, no coração do Rio de Janeiro
Praça da Cinelândia, no coração do Rio de Janeiro

Escreve Iuri Zero: Não me surpreende mais a truculência de uma polícia mal paga, treinada e orientada. Não me surpreendem os grandes conglomerados de comunicação que se prestam ao serviço de “noticiar fatos” da forma que lhes convém até que uma jornalista de uma de suas empresas seja alvejada no rosto e tantos outros sejam agredidos. Não me surpreende mais a falta de respeito e humanidade do Estado e de suas instituições malignas com aqueles que deveriam ser protegidos por esses. Choca? É claro. indigna? Óbvio! Mas não surpreende mais.

O que mais me despertou a atenção, e serviu de ponto de partida e reflexão para esse texto, em meio as ações e reações desse movimento popular que estamos vendo surgir em nosso país, foram os discursos, sempre com a tentativa de esvaziar, recriminar ou invalidar os protestos por parte da nossa classe política.

Todo cidadão tem direitos e deveres. Acho que estamos começando a ficar cansados de termos apenas deveres, está na hora de corrermos atrás de nossos direitos. A classe política não vai correr. Eles já deixaram isso claro. Vamos nós, pacificamente, exigirmos o que é nosso, vamos construir na base do diálogo e não da violência e da covardia uma sociedade mais justa e voltada aos interesses daqueles que forjam, moldam e batalham por esse país: O POVO

Dá medo? Dá. Mas também dá uma puta esperança poder fazer parte de um ponto de virada. A hora é essa.

O Rio de Janeiro continua lindo. O povo não teme mais o pezão da polícia do governador Sérgio Cabral
O Rio de Janeiro continua lindo. O povo não teme mais o pezão da polícia do governador Sérgio Cabral

Por Fabio Nassif: Toda tentativa de intimidação foi simplesmente ignorada pela manifestação. Quando se tem certeza de uma luta, não se recua diante de palavras que estamos acostumados a ouvir.

Chamou a atenção a quantidade enorme de policiais infiltrados. Eram eles que jogavam fogos a sinalizadores enquanto a absoluta maioria do ato gritava “sem violência!”.

A repressão foi tremenda. Aliás, por curiosidade, quanto se gasta para reprimir uma manifestação? Helicópteros, 700 soldados, balas de borracha, bombas, cavalos, combustível… Gasta-se o quanto os governantes acharem necessário para proteger o Estado. Gasta-se cotidianamente contra os pretos, pobres e periféricos.

Carlos Chagas: A onda não chegou ao ponto mais alto de inflexão. Episódios ainda acontecerão, em matéria de confronto. Pode levar semanas até que arrefeça o movimento de protesto da juventude. Por conta disso, seria imprescindível que as duas partes em conflito estabelecessem certas regras, senão de convivência, ao menos de beligerância contida.

Às autoridades cabe assegurar as liberdades públicas e garantir a propriedade pública e privada. Aos manifestantes, protestar sem depredações. Mantido esse mínimo de compreensão, ganharão todos. Rompida a linha tênue do respeito, tanto faz se por iniciativa de uns ou de outros, haverá que esperar o pior.

O experiente governador Negão de Lima, da Guanabara, nos idos de 1968, prenunciava “que o diabo é se aparecer um cadáver”. E apareceu, na pessoa do estudante Edison Luís, assassinado a tiro no restaurante do Calabouço por um agente policial. Depois foi realmente o diabo, culminando com o Ato Institucional número 5, de triste memória.

O passado não se deu ao trabalho de passar para ser esquecido. Como regra, experiências anteriores não nos dirão o que fazer, mas, pelo contrário, o que evitar. Nesses entreveros sempre surgem os radicais, os empedernidos e os mal-intencionados. Pode ser um soldado que tem contas a ajustar com a Humanidade, pode ser um jovem sem conhecer as razões do protesto, empenhado apenas em devolver à sociedade organizada aquilo que dela não recebeu. Tanto faz, pois o risco envolve tanto os manifestantes quanto as autoridades. Depois, ninguém segura.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s