As touradas de Recife

por Roberto Vieira

 

 

campanha-touradas

Eu fui às touradas de Madri, e quase não volto mais aqui…

Eram cinco da tarde em todos os relógios.

Milhares.

Era a Espanha!

Encaixotados em trens.

Gado.

O mais era caos nada mais que caos.

Uruguaio com filho nos braços.

Olé!

O Coliseu no meio do nada.

Sem estacionamento.

Sem estações do metrô.

Empresas de ônibus felizes.

Calor.

Não havia lixeiras.

Não havia Veneza.

Iniesta toca para Xavi.

Gol de Pedro.

Alguns torcedores se levantam e partem no primeiro tempo.

Medo da volta.

Dos vagões.

Noite.

O gado humano caminha para os ônibus.

A polícia diz adeus.

Abandona os postos.

Deixa o público ao Deus dará.

Tumulto.

Guerra na entrada dos ônibus.

Mulheres, crianças e idosos gritando.

As autoridades já estavam em casa.

Sorrindo felizes.

Enquanto milhares de cidadãos eram golpeados na Plaza.

Pamplona.

Cosme e Damião infinitesimais.

Multidão nas escadarias de Odessa.

Uma cidade diante da tragédia de si mesma.

Milhões gastos às cinco da tarde.

Milhões traduzidos em espanto e tourada.

Espetáculo que por muito pouco.

Não se transformou em sangue e areia.

Às cinco da tarde…

Pro Brasil eu vou fugir, isso é conversa mole pra boi dormir…

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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