“De que lado você samba?” pergunta a jornalista Giuliana Vallone baleada pela polícia de Alckmin

Jornalista atingida por bala de borracha revelou que polícia partiu para cima da imprensa
Jornalista atingida por bala de borracha revelou que polícia partiu para cima da imprensa

 

 

A jornalista da TV Folha, Giulianna Vallone, atingida no olho por uma bala de borracha durante as manifestações da última quinta-feira (13/6), relatou em seu perfil no Facebook a agressão por parte da polícia.

Giuliana afirmou que no momento do ataque não estava na zona de conflito principal, na rua da Consolação, onde já tinha sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência. “Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua”, escreveu.
“Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena”, disse. “Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.”
A repórter, que cobriu os dois protestos nesta semana, diz não se arrepender de participar da cobertura. “Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?”
Giuliana passou a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos e, nesta manhã, ela voltou a enxergar com o olho ferido.
Matando o jornalismo a tiros
Barbara Gancia, também da Folha de S.Paulo, publicou um texto em seu perfil no qual condena a ação da polícia. A jornalista trabalha com Giuliana, na TV Folha.
“Eu nunca a vi perder a calma, ter qualquer tipo de comportamento inadequado, abusado, excessivo ou estar interessada em qualquer coisa outra além de reportar os eventos para os quais foi escalada para cobrir”, disse Barbara, sobre a colega de trabalho.
“Nem sequer consegui reconhecer a Giu na foto em que ela aparece baleada, desfigurada por uma bala de borracha no exercício do seu ofício”, acrescentou. “Ofício este que está sendo chacinado diante dos nossos olhos. Agora resolveram adiantar o processo e matar o jornalismo a tiros. E muita gente não se dá conta da gravidade do que isso representa. Sem uma imprensa forte e independente para fiscalizar, democracia não se pratica.”
“Vamos acompanhar este caso até saber o que faz um oficial atirar contra uma jovem parada, desarmada e desprotegida, que não dava nenhum indício de que estaria participando de baderna e não representava perigo”, completou.
“Não é possível que o encarregado da operação, chefe de Policiamento de Trânsito, declare que perdeu controle da situação. E não é possível que o governador apareça twittando asneiras a partir de Paris enquanto a cidade pega fogo.”
Giulianna Vallone
Giuliana Vallone
Escreveu Giuliana Vallone: Queridos,
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as manifestações de carinho e preocupação recebidas dos amigos e também de pessoas que não tive a oportunidade de conhecer. Vocês são incríveis.

Agora, o boletim médico: passei a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos. A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada. Felizmente, meu globo ocular não aparenta nenhum dano. E agora, ao acordar, percebi a coisa mais incrível: já consigo enxergar com o olho afetado, o que não acontecia quando cheguei aqui. Fora isso, estou muito inchada e tomei alguns pontos na pálpebra.

Sobre o aconteceu: já tinha saído da zona de conflito principal –na Consolação, em que já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência– quando fui atingida. Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua. Tentei ajudar uma mulher perdida no meio do caos e coloquei ela dentro de um estacionamento. O Choque havia voltado ao caminhão que os transportava. Fui checar se tinham ido embora quando eles desceram de novo. Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.

Cobri os dois protestos nesta semana. Não me arrependo nem um pouco de participar desta cobertura (embora minha família vá pirar com essa afirmação). Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?

Em tempo: obrigada Giba Bergamim Junior e Leandro Machado pelos primeiros socorros!

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s