Jogo de inauguração: Limparam estádio de Brasília. O da Bahia também tem buraco. Culpa da chuva fora da medida

BRA_JOBR Limparam o estádio

BRA^BA_COR estadio culpa chuva

Arena Fonte Nova é luxo só, rodeado de miséria. Acontece o mesmo com todos os Coliseus construídos nas capitais para receber os jogos das Confederações e da Copa do Mundo.

Sobrou dinheiro para os luxuosos estádios. E o povão que se dane. Nem dinheiro tem para assistir os jogos.

Sem estrutura, Stella Maris receberá seleções do Brasil, Nigéria e Uruguai no mês que vem

Clarissa Pacheco (texto)
Evandro Veiga (fotos)

Em solo baiano, os jogadores das seleções de futebol do Brasil, Uruguai e Nigéria sentirão o gostinho do que é morar em Salvador. Quando por cá pousarem para as partidas que disputarão na primeira fase da Copa das Confederações, em junho, no caminho ao hotel, caberá ao motorista driblar os buracos e desníveis de pista. Em alguns trechos, todavia, será inevitável aos atletas a sensação de tremor e alguns solavancos.

Se dentro das hospedarias em Stella Maris, o que não falta aos atletas é luxo, é só chegar na janela, ou decidir dar uma volta para conhecer a vizinhança, para que vejam o entorno de ruas sem asfaltamento, pontos de ônibus desertos e degradados e matagais ao lado de calçadas — também em má conservação.

“Tem buraqueira e o que mais falta aqui é segurança. Assalto tem quase todo dia, tomara que vejam e reclamem, pra ver se muda algo”, disse Juscelino Ribeiro, 58, funcionário de um posto de gasolina. “Infelizmente, Stella Maris vai receber as seleções, mas vai ser do jeito que está, não vai ter mudança”, disse Rogério Lima, 30, frentista do mesmo posto.

Na rua Praia do Atalaia, moradores improvisaram uma placa para alertar os motoristas para a armadilha
Na rua Praia do Atalaia, moradores improvisaram uma placa para alertar os motoristas para a armadilha
Ainda tinha tampa, mas o buraco da foto acima já existe desde 2011
Ainda tinha tampa, mas o buraco da foto acima já existe desde 2011

As reclamações de Rogério e Juscelino são as mesmas de outros moradores e trabalhadores da região. Lá, com medo da insegurança, a presença de transeuntes não é comum, o que facilita a ação de bandidos. Sobram carros, engarrafamento e condomínios fechados.

Segundo o major André Borges, que comanda a 15ª Companhia da Polícia Militar, as principais ocorrências no bairro são roubos de carros, além de pequenos furtos nas imediações da orla, onde os turistas, vítimas em potencial, costumam circular.

Este ano, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), foram registrados 24 roubos a carro no bairro, além de dois homicídios. Os pequenos furtos não são contabilizados no boletim.

“O bairro é perigoso, as praias são desertas, tem muito assalto”, contou a moradora Jamile Rodrigues, 28.

Ela reclama de situações que causam ainda mais transtornos aos moradores, a falta de opções de transporte. “Às vezes, para chegar ao centro, eu tenho que pegar um ônibus até Itapuã”, disse.

Ponto? Só na placa. Falta abrigo para passageiros e sobra mato; Rua da Passárgada, em Stella, mais parece o caminho de uma roça
Ponto? Só na placa. Falta abrigo para passageiros e sobra mato; Rua da Passárgada, em Stella, mais parece o caminho de uma roça

Segundo Jamile, o bairro, repleto de condomínios de luxo, também sofre com alagamentos. “É engraçado, o bairro foi projetado para não ter bueiros, para a água da chuva desaguar na praia. Mas a água nem chega lá. Qualquer chuva mais forte alaga as ruas estreitas, menores”, contou.

Pela janela
A depender da localização de cada suíte, os jogadores da seleção da Nigéria poderão desfrutar, no Hotel Deville, de uma deslumbrante vista para o mar ou para ruas que mais lembram uma roça, sem asfaltamento, calçadas e com o mato alto pelos cantos.

É assim que está a situação de trechos da rua da Passárgada, onde o hotel está situado. Por meio de assessoria, o hotel assegura não receber queixas de clientes.

Do outro lado do bairro, mais próximo ao centro comercial, o acesso ao Gran Hotel Stella Maris tem verdadeiras crateras. No hotel, se hospedará a delegação da seleção brasileira. A Rua Filipe Tiago Gomes conta com a pavimentação precária, em alguns pontos feita com paralelepípedos, e não asfalto.

O proprietário do hotel, Silvio Pessoa, afirmou que os buracos nas imediações são recentes. “A Fifa já fez três vistorias e não apontou esse problema. Na verdade, há um mês atrás, esses buracos não existiam, apareceram depois da chuva”, afirmou Pessoa.

Na rua do Catussaba Resort, na Alameda Praia de Tramandaí, onde a seleção do Uruguai dormirá, se repetem os buracos, os matos altos e a sensação de abandono.

Simulação
Para evitar que congestionamentos afetem a ida e vinda das seleções para jogos e treinos, a Transalvador fez uma simulação de intervenções no trânsito no dia 14 de maio, com dez viaturas e 25 agentes.

O superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, disse que o objetivo é “deixar o trânsito livre, atendendo a qualquer incidente de trânsito imediatamente, para que as delegações cheguem aos seus destinos em segurança o mais rapidamente possível”.

Além dos jogadores, os torcedores também terão apoio especial. O embarque em taxis e ônibus será fiscalizado 24 horas. Haverá ainda linhas especiais de ônibus passando por hotéis de Stella Maris até a Praça da Sé; e do Aeroporto à Arena Fonte Nova.

Fifa não faz exigências para o entorno de hotéis
Responsável por coordenar as ações da prefeitura para o mundial de futebol, o Escritório Municipal da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 (Ecopa) informou, através da assessoria de comunicação, que as necessidades de reparos nas vias de acesso a hotéis serão cumpridas pelo município.

No entanto, ainda segundo o Escritório, o relatório exigido pela Fifa sobre a hospedagem das seleções não inclui o estado das vias de acesso aos hotéis, e sim a capacidade das instalações, a proximidade do aeroporto e mobilidade para chegar até o estádio.

Para a Fifa, o que importa na hospedagem é a parte de dentro dos hotéis: é preciso ter as menos 55 quartos e o restaurante deve atender, no mínimo, o mesmo quantitativo de pessoas de uma só vez.

(Transcrevi trechos)

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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