Criminoso Maurício Sampaio, o turista milionário da justiça falha de Goiás, mandou matar o jornalista Valério Luiz

por Galtiery Rodrigues

BRA^GO_HOJE Mandante da morte do jornalista Valério Luiz

“BANDIDO RICO NÃO FICA PRESO”

O cartorário Maurício Sampaio [o cartório dele está sob investigação, mas continua funcionando a todo vapor], acusado de ter mandado matar o radialista e cronista esportivo Valério Luiz em julho do ano passado, foi solto ontem, após conseguir mais um habeas-corpus na Justiça. Por 3 votos a 2, os desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ/GO) acataram os argumentos da defesa de Sampaio e concederam a liminar favorável. O réu estava preso desde o dia 14 de março no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. A família de Valério informa que vai entrar com representação no Ministério Público de Goiás (MP/GO) para que nova prisão seja decretada.

Desde que foi preso preventivamente pela primeira vez, no dia 2 de fevereiro deste ano, Maurício viveu um vaivém constante entre a prisão e a liberdade concedida. Este foi o terceiro habeas-corpus favorável a ele. Dessa vez, foram dois meses e oito dias preso. Sampaio deixou o complexo prisional ontem, no início da noite, acompanhado pelos advogados. Os desembargadores que deram voto a favor do cartorário foram: Ivo Fávaro, Sílvio Rabuski e Nicomedes Borges. Já os contrários foram o relator do caso, Jairo Ferreira Júnior, e Avelirdes Almeida Pinheiro de Lemos.

O pedido de habeas-corpus entrou na pauta de votação, inicialmente, no último dia 14, mas o desembargador Ivo Fávaro pediu vistas do processo. Ele questionou o relator do caso, que considerou que os fatos novos apresentados pela defesa de Maurício Sampaio eram baseados apenas “em meras declarações” e que, portanto, não passaram pelo crivo do contraditório. Mas Fávaro rebateu afirmando que, se as mesmas declarações serviram para a decretação da prisão, elas teriam de servir também para a soltura. Foi a partir daí que outros dois desembargadores o acompanharam no voto favorável a Sampaio.

Sílvio Rabuski apresentou, ainda, o argumento de que, de acordo com o artigo 312 do Código Penal, a prisão preventiva só pode ser decretada para garantir a ordem pública, econômica, assegurar a aplicação da lei penal e a instrução processual. O caso em questão, segundo ele, não se enquadra em nenhum desses quesitos. O relator, Jairo Ferreira, votou contrário ao habeas-corspus, sob o princípio da segurança jurídica, ou seja, qualidade conferida à sentença judicial contra a qual não cabem mais recursos.

Os advogados de defesa alegaram no pedido que a prisão de Maurício Sampaio era nula, já que o indício de autoria, que é pressuposto indispensável para a decretação da prisão preventiva, não foi objeto de análise pelo Tribunal. Pontuaram, também, que novos depoimentos de Marcus Vinícius Pereira Xavier, o Marquinhos, mostravam que Maurício jamais o ameaçou ou lhe ofereceu vantagem econômica, situações inseridas no inquérito. Tais depoimentos serviram, em contrapartida, para o embasamento do voto do relator, que preferiu ser cauteloso frente à mudança da versão apresentado por Marquinho. Na primeira vez, ele fez menção do risco de morte e, na segunda, já afirmou que isso nunca existiu sem, no entanto, explicar tal contradição.

Familiares de Valério contestam soltura

Tanto a promotoria como a família de Valério Luiz estranharam a forma como o pedido de habeas-corpus foi apresentado. No entender deles, não houve fato novo capaz de fundamentar o pedido, tampouco a mudança de opinião dos desembargadores. O advogado Valério Luiz, filho do radialista de mesmo nome, adiantou que vai recorrer para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que, referente ao habeas-corpus de ontem, vai enviar representação ao Ministério Público para um novo pedido de prisão. “Esse habeas-corpus foi um completo absurdo”, afirma. A viúva Lorena Oliveira vai hoje ao MP se encontrar com o promotor Maurício Nardini para decidir que atitude tomar.

Ontem, ao falar com a reportagem, Lorena expressou certo desânimo, em relação ao caso. Apesar de ressaltar que vai insistir e lutar pela Justiça até o final, ela não deixou de pontuar a frustração frente ao que chama de impunidade e tristeza. “Bandido rico não fica preso”, disse. A revolta foi expressada também pelo pai do radialista, Mané de Oliveira, que acompanhou, ontem, a audiência no Tribunal de Justiça. Ele saiu pelos corredores gritando e chamando de absurda a decisão. O advogado de Maurício Sampaio, Ney Moura Teles, reafirmou a inocência do cliente e disse que o certo é que ele aguarde o andamento do processo em liberdade. O cartorário deixou ontem o Complexo Prisional reforçando a versão da inocência e descrevendo os dias na prisão como momentos difíceis, mas de muita fé.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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