Um protesto sem polícia e sem proibição da justiça. Um acontecimento inusitado

Veja as diferenças no comportamento da polícia e da imprensa (todas as notícias são do jornal O Hoje):

“O provável encontro de protestos na região da Praça A paralisou o trânsito na região de Campinas. O Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) está no local e bloqueou a Avenida Anhanguera para impedir a passagens dos protestantes.

O comercio local fechou as portas temendo enfrentamentos. Estudantes e professores da Universidade Estadual de Goiás (UEG) iniciaram marcha no Terminal Padre Pelágio, com destino à Praça Cívica, descendo pela Avenida Anhanguera.

Outro grupo protesta contra o aumento anunciado da tarifa dos coletivos de Goiânia, que deve subir para R$3,00, e teve a Praça A como destino, após concentração em frente ao Colégio Estadual Lyceu de Goiânia.

O encontro não ocorreu porque os manifestantes da UEG desviaram a rota. Os manifestantes contra o aumento da passagem tomaram o terminal e queimaram pneus nas entradas dos coletivos.

Houve confronto com o Batalhão de Choque que reagiu e disparou balas de borracha, dispersando o movimento. Uma repórter de TV foi atingida nas costas.

Por volta das 11h20 o Batalhão de Choque decidiu por liberar o trânsito no local, e a entrada de ônibus no Terminal Praça A, que estava fechado em decorrência dos protestos.

O trânsito, informado pela Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC), está crítico e atinge até 12 km/h nas proximidades do terminal. A manifestação da UEG reúne cerca de 150 pessoas e protesta contra as condições da universidade. O protesto contra aumento da passagem contabilizava aproximadamente 200 pessoas”.

A marcha dos intocáveis empresários carregando faixa e que terminou em um palanque armado com discurso do governador Perilo
A marcha dos intocáveis empresários carregando faixa, e que terminou em um palanque armado com discurso do governador Marconi Perillo. Não apareceu nenhum polícia para atirar balas de borracha, jogar fumacê e dar cacetada. Não foi registrada nenhuma prisão de colarinho branco. Tudo na santa paz. Que o direito de protestar existe no Brasil. Para uma minoria.

Todo acontecimento inusitado é notícia sempre. Veja esta outra bajulada e exaltada passeata:

“A articulação política coordenada pelo governador Marconi Perillo (PSDB), avalizada pela bancada goiana no Congresso Nacional e lideranças empresariais e sindicais, obteve ontem uma importante vitória no processo contra a Medida Provisória do governo federal, que unifica a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS).

(…)  O caráter suprapartidário à marcha a Brasília ficou demonstrado pelos políticos que se revezarem em pronunciamentos de cima de um trio elétrico“.

Ao noticiar o protesto estudantil diz o jornal “O Hoje”:

“Estudantes e professores da Universidade Estadual de Goiás (UEG) realizam protesto em relação a precariedades do ensino da universidade durante a manhã desta quinta-feira (16). A manifestação partiu às 9h20 do terminal Padre Pelágio e pretende percorrer aproximadamente 10 quilômetros até a Praça Cívica, no centro de Goiânia.

A marcha segue com aproximadamente 150 pessoas, esse número ainda não é oficial. O grupo caminha ocupando toda a rua, e usam camiseta do movimento. A manifestação conta com carro de som e auto-falantes.

No momento, os manifestantes se aproximam do Terminal Praça A que se encontra fechado e ocupado pelo Polícia Militar (PM) e o Batalhão de Choque.

Problemas como déficit de professores, laboratórios fechados, falta de infraestrutura no campus resultou na greve de professores e alunos da instituição que teve início em 25 de abril. O movimento foi chamado de Mobiliza UEG”.

Veja só: o governador alugou um trio elétrico; os estudantes, um carro de som. São apenas 150 pessoas. Mas a polícia do governador Marconi Perillo baixa o cacete.

Polícia do governador Marconi Perillo contra estuantes e professores
Polícia do governador Marconi Perillo contra 150 estuantes e professores, que “ocuparam toda a rua”

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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