Garotinho pergunta para Beltrame, secretário de Segurança do Rio: -Quem paga o aluguel do apartamento em que o senhor mora?

Cabisbaixo, Beltrame amarelou e não respondeu as perguntas de Garotinho
Cabisbaixo, Beltrame amarelou e não respondeu as perguntas de Garotinho

 

Transcrevo do Blog de Garotinho: Foi um armado um grande palco para a cúpula da segurança pública do Rio de Janeiro responder a perguntas encomendadas e todas elogiosas ao secretário Beltrame e sua equipe. Parece para algumas pessoas que o crime no Rio de Janeiro acabou. Já esqueceram da juíza assassinada por policiais em Niterói; da turista estuprada dentro de uma van há poucos dias; do pastor morto por uma bala perdida na Avenida Brasil; e de tantos outros crimes.

Fiz questão de dizer que não sou contra as UPPs nem poderia ser, afinal o GEPAE (Grupamento de Policiamento de Áreas Especiais) foi iniciado por mim no Morro do Cavalão, em Niterói, e no Morro dos Prazeres, ao lado da sede do BOPE construída por mim. Infelizmente a manipulação das Organizações Globo faz crer que o Rio de Janeiro virou um paraíso, mas essa não é a realidade.

Após reconhecer a importância de continuar com as UPPs e melhorá-las fiz algumas perguntas que considero fundamentais ao secretário Beltrame e ao comandante da PM, coronel Erir Ribeiro. As repostas foram vergonhosas, para dizer o mínimo, mas tire você mesmo sua conclusão.

Perguntas para José Mariano Beltrame

1) O senhor reside atualmente na Rua Redentor, 230, apartamento 502, em Ipanema, uma dos metros quadrados mais caros do Rio. Um apartamento daquele tamanho na área nobre do Rio pelo levantamento que fiz não sai por menos de R$ 15 mil; o IPTU levantado junto à prefeitura é de R$ 6 mil por ano; e o condomínio em torno de R$ 5 mil. Seu salário de secretário não cobre essas despesas. Quem paga o aluguel do apartamento em que o senhor mora?

Nas suas despedidas, em menos de 10 segundos, Beltrame disse apenas: “Pago com meu salário”. Além de secretário é mágico!

2) A secretaria de Segurança através da Polícia Militar assinou um contrato em 2010 com a empresa CS Brasil para aquisição (aluguel) e manutenção de viaturas da corporação no valor de R$ 214 milhões. Por esse contrato um veículo GOL custa para a PM do Rio R$ 145 mil. Por que o senhor autorizou essa contratação mesmo sabendo que o dono da empresa CS Brasil, o senhor Júlio Simões, havia sido denunciado por fraude em contrato idêntico juntamente com o comandante-geral da PM baiana poucos meses antes?

Em menos de 5 segundos, também na sua despedida, Beltrame disse laconicamente: “O Departamento Jurídico aprovou”.

3) Onde estão sendo colocados os presos que todos os dias a polícia tira das ruas já que nos último sete anos (gestão de Sérgio Cabral) nenhum presídio ou casa de custódia foram construídos no Rio?

A resposta de Beltrame chega a ser hilária: “Muitos estão deixando o crime e mudando de “profissão” e outros estão mudando de estado”.

4) O senhor teve conhecimento do relatório feito pela delegada Valéria Aragão, da Delegacia Fazendária, denunciando o vazamento de uma investigação sobre a Refinaria de Manguinhos envolvendo um deputado federal (Eduardo Cunha) e o ex-Procurador Geral de Justiça (Cláudio Lopes). Que providências o senhor tomou.

Beltrame não respondeu.

5) O senhor fez concurso para delegado da Polícia Federal em 1993. Só havia 200 vagas, e o senhor foi classificado em 896º lugar. Como o senhor conseguiu virar delegado da PF sem ter passado no concurso?

Beltrame também não respondeu.

6) Se as UPPs são de fato um projeto de Estado por que a maioria das sede funcionam de forma precária em contêineres de lata?

Beltrame mais uma vez não respondeu.

7) O senhor recebia ilegalmente o vencimento de delegado federal mais o salário de secretário de Estado. A soma dessa remuneração ultrapassa em muito o salário dos ministros do STF. A Justiça mandou cortar seu salário. O senhor não considera que agiu de forma imoral?

Beltrame fugiu da resposta outra vez.

8) O senhor era chefe da Missão Suporte em 2006. O jornal O Dia noticiou que a Missão Suporte não interveio para evitar a morte de pessoas inocentes, apesar de saber com antecedência pelos grampos telefônicos que seriam assassinadas. Por que o senhor não impediu a morte dessas pessoas já que era o chefe da Missão Suporte?

Beltrame também não respondeu.

Como não pude fazer todas as perguntas pessoalmente já que o deputado Otávio Leite (PSDB – RJ) mais parecia assessor de imprensa de Beltrame do que deputado federal fiz a maioria e encaminhei as demais para a mesa. O silêncio de Beltrame denuncia sua culpa.

Quanto ao coronel Erir Ribeiro fiz apenas uma pergunta para mostrar o quanto ele usou a mídia para se promover e acusar sem provas.

Pergunta de Garotinho: Quando eu era secretário e o senhor comandava o 4º batalhão responsável pela Mangueira, o senhor afirmou a mim que o secretário de Esportes, Chiquinho da Mangueira era envolvido com o tráfico de drogas da região. Então pedi ao setor de Inteligência que fizesse um levantamento da situação, e a resposta foi que ele nasceu ali, que conhecia todas as pessoas, mas que não tinha envolvimento direto com o tráfico. O senhor insistiu que ele era traficante. O tempo passou e Chiquinho virou secretário de Esportes de Sérgio Cabral, e depois de Eduardo Paes na prefeitura do Rio. O senhor informou aos dois que estavam nomeando um “traficante” como secretário? Ou o senhor mudou a sua opinião sobre Chiquinho da Mangueira?

Atônito ele tentou me acuar dizendo que eu tentei comprar o seu silêncio lhe dando uma promoção. Ora é uma incoerência do coronel Erir. Ele diz na matéria e no vídeo que vocês poderão assistir que nunca afirmou que Chiquinho era traficante, e que apenas o hoje deputado lhe pediu que diminuísse operações no morro porque estaria recebendo ameaças dos traficantes. Erir afirmou a Chiquinho: “Eu quero que você se dane”. Bem se ele não disse nada por que eu teria tentado comprar seu silêncio como ele afirmou? A verdade é que o coronel Erir perdeu o controle diante da minha pergunta, ficou visivelmente nervoso, desequilibrado, e acreditem chegou a dizer que eu tremi diante dele dentro do gabinete da Secretaria de Segurança. Surtou!

A audiência que na verdade era uma festa entre amigos acabou recebendo um convidado incômodo que perguntou aquilo que todo mundo gostaria de perguntar, mas que a imprensa domesticada pelo governador Sérgio Cabral não tem coragem de fazer.

Ainda assim dei uma nova chance de defesa ao secretário Beltrame, subi na tribuna da Câmara e fiz um discurso repetindo as perguntas, e convocando algum deputado do Rio de Janeiro para defendê-lo. Mais uma vez ninguém apareceu. Veja vídeo  

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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