Vergonha. Banestado: mais um escândalo que terminou em pizza

Na Argentina, o legislativo acabou esse tipo de moleza da justiça. Deu um prazo máximo de seis meses para o julgamento de uma cautelar.

Está na hora do Brasil acabar com os engavetamentos – uma forma complacente de julgar não julgando. Basta de justiça tarda dos crimes prescritos.

Publica hoje Caldeirão Político:

O escândalo do Banestado, “um dos mais notórios na escabrosa memória do furto de dinheiro público no Brasil — tornado conhecido pela sigla da instituição financeira lesada, o Banco do Estado do Paraná (Banestado), que era público e foi privatizado em 2000 — está se encaminhando para dar em nada. Ou, como se diz, ‘acabar em pizza‘. Isso é o que diz, em editorial, o jornal o Estado de S.Paulo, para quem, a decisão adotada em 19 de março pelo Superior Tribunal de Justiça extinguiu as penas prescritas de 7 dos 14 ex-dirigentes da instituição condenados pela remessa fraudulenta de R$ 2,4 bilhões ao exterior nos anos 1990.

Foram abertos milhares de inquéritos em todo o País, com 631 pessoas denunciadas. Segundo o promotor de Justiça Silvio Marques, ‘boa parte do dinheiro desviado dos cofres públicos pelo ex-prefeito Paulo Maluf foi enviada ao exterior mediante contas do Banestado em Nova York‘.

Seu colega Vladimir Aras, que participou das investigações, lamentou a ocorrência da prescrição, mas esta decorreu da lerdeza com que a Justiça tratou o caso, exceção feita à primeira instância – o juiz Sergio Fernando Moro, da 2.ª Vara Criminal de Curitiba, só precisou de 12 meses para decidir: em 2004, os 14 acusados foram condenados a penas de até 12 anos e 8 meses na cadeia.

 

 Ocorreu uma investigação federal e a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito em 2003. Tudo terminou em pizza.
 

Em 1996, um dos gerentes de câmbio da instituição, foi acusado de desviar US$ 228,3 mil de uma conta da agência do banco de Nova York. Em sua defesa por escrito, não apenas admitiu o desvio como revelou detalhes do esquema de captação e remessa ilegais de dinheiro para o exterior, relacionando 107 contas naquela agência em Nova York.

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que tomou o depoimento do gerente a à época, manteve o inquérito em sua gaveta por quatro anos e meio.

a seguir

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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