A baixa política do Mato Grosso: ameaças e mucufas

Publica o Resumonline:

O senador Pedro Taques (PDT) encaminhou ofício à Presidência do Senado informando que o jornalista José Marcondes dos Santos, o Muvuca, havia anunciado na rede social Facebook a “intenção” de matá-lo. O ofício foi protocolado no último dia 5 de março, mas só veio à tona nesta quarta-feira (20), em nota emitida pelo congressista para desmentir trechos de um texto publicado pelo jornalista Claudio Humberto, segundo o qual Taques teria acionado a Polícia Legislativa e se refugiado na Comissão de Infraestrutura na tarde de hoje após ser abordado por um homem “da máfia dos combustíveis no Mato Grosso”.

As versões sobre o que de fato ocorreu no Senado se diferem. Na nota publicada inicialmente, Claudio Humberto afirmava que “um homem ainda não identificado invadiu o Senado Federal nesta tarde e ameaçado de morte o senador Pedro Taques (PDT-MT)”. Humberto ainda declarava que o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) acompanhou Taques quando o pedetista se refugiou na Comissão de Infraestrutura da Casa, que é presidida por Fernando Collor (PTB-AL), sob proteção de seguranças.

“Ao tomar ciência da ameaça, o presidente da Casa, Senador Renan Calheiros (PMDB-AL) telefonou para Pedro Ricardo, diretor da Polícia Legislativa do Senado, e recomendou que um esquema especial de segurança fosse dispensado a Taques”, completava Humberto.

Após a veiculação do texto, o senador mato-grossense emitiu nota declarando que as informações publicadas até então eram inverídicas e infundadas. “Mesmo após ser procurada pela minha assessoria para esclarecer o que classifico como “boato”, conversa de corredor, a redação do referido blog manteve a versão publicada sem sequer ouvir e citar o “outro lado”, sustenta.

O senador declara que não foi ameaçado de morte na tarde de hoje, não se refugiou na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal e também não recebeu proteção exclusiva da Polícia Legislativa. “Por confiar no trabalho da Polícia Legislativa, acredito que nenhum cidadão tenha entrado armado no Senado Federal”, afirmou.

Taques sustenta que protocolou na Presidência do Senado no dia 05 de março deste ano um ofício explicitando que Muvuca teria dito em sua página na rede social a seguinte frase: “atenção autoridades: eu ainda vou matar esse cara”. “Devido às ameaças feitas pelo cidadão, a chefia de segurança do Senado irá me informar sobre a presença dele nesta Casa de Leis. Esta é a única medida de segurança em vigor neste caso”, declara.

Muvuca também deu sua versão do ocorrido usando sua página no Facebook. “Estou em Brasília fazendo meu trabalho, cobrindo a pauta política. Um certo senador, quando me viu, chamou a polícia do senado dizendo que eu sou uma ameaça pra ele. A única ameaça que ofereço é revelar seus podres. Mas aí ele viu a besteira que fez e tentou desmentir. Por meu lado, dei uma declaração na polícia do Senado que fica lá dentro e saí”, declara Muvuca.

Muvuca sustenta que Taques criou uma história “fantasiosa” de que alguém estava armado atrás dele . “Desafio ele, novamente, se for homem e tiver alguma decência moral, a provar que pelo menos cheguei perto dele, quanto mais ameaçar”, declarou. O jornalista ainda fez troça do episódio. “Tenho que agradecê-lo por isso, obrigado Pedroca! Nem se eu quisesse teria chamdo tanto a atenção”, finalizou.

O texto publicado por Claudio Humberto às 14h21 foi atualizado às 18h43 (ambos horários de Brasília). “Apesar de dizer que as informações deste site seriam “inverídicas”, Taques exibiu suas pernas curtas: em nota, sem citar o nome do desafeto, contou que durante a audiência pública “percebemos a presença de um cidadão que responde a seis ações, entre civis e criminais, por insinuações infundadas e desmedidas e ameaças contra a minha pessoa”, acrescentou Claurio Humberto.

Confira abaixo as diferentes versões do ocorrido na tarde de hoje:

Texto atualizado divulgado pelo jornalista Claudio Humberto:

Pedro Taques se sentiu ameaçado por desafeto e pediu proteção à segurança

14h21, atualizada às 18:43 – O senador Pedro Taques (PDT-MT) se sentiu ameaçado por um homem que ele reconheceu durante audiência pública da Comissão de Infraestrutura, e, na companhia do líder do seu partido, Acir Gurgacz (RO), acabou refugiando-se na própria comissão. Por volta das 14h, o presidente do colegiado, senador Fernando Collor (PTB-AL), telefonou ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), informou o que estava acontecendo e pediu proteção a Taques. Ato contínuo, em gesto testemunhado por três jornalistas, inclusive o titular deste site, Calheiros telefonou ao diretor da Polícia Legislativa, Pedro Henriques, e determinou medidas imediatas para a segurança do senador do Mato Grosso e para a retirada do Senado do homem que ele considerou ameaçador. Pedro Taques desmentiu a informação, mas ela foi confirmada não apenas pelos senadores citados como por suas assessorias. Apesar de dizer que as informações deste site seriam “inverídicas”, Taques exibiu suas pernas curtas: em nota, sem citar o nome do desafeto, contou que durante a audiência pública “percebemos a presença de um cidadão que responde a seis ações, entre civis e criminais, por insinuações infundadas e desmedidas e ameaças contra a minha pessoa”. Informa ainda que reiterou ofício enviado a presidência da Casa “requerendo providências cabíveis, sobretudo quanto a segurança deste senador”. O homem ameaçador seria o autor de denúncia de que a máfia dos combustíveis no Mato Grosso teria financiado a campanha de Taques para o Senado, em 2010.

Abaixo a nota divulgada pelo senador Pedro Taques: 

Para efeitos de verdade, transparência e publicidade, o senador Pedro Taques (PDT-MT) desmente as informações publicadas no Blog do jornalista Cláudio Humberto, na nota “Pedro Taques se refugia em comissão do Senado com medo de homem armado”:

– São informações inverídicas, veiculadas de forma irresponsável. Mesmo após ser procurada pela minha assessoria para esclarecer o que classifico como “boato”, conversa de corredor, a redação do referido blog manteve a versão publicada sem sequer ouvir e citar o “outro lado”.

– Nesta quarta-feira (20.03), não fui ameaçado de morte, não me refugiei na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, tampouco recebi proteção exclusiva da Polícia Legislativa. Por confiar no trabalho da Polícia Legislativa, acredito que nenhum cidadão tenha entrado armado no Senado Federal.

– Esclareço que participei de audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), presidida pelo senador Fernando Collor, que contou com a presença do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

– Durante o ato público, minha assessoria percebeu a presença de José Marcondes dos Santos Neto, o “Muvuca”. O cidadão responde a seis ações, entre civis e criminais, por insinuações infundadas e desmedidas e ameaças contra minha pessoa.

– Após tomar ciência de que o cidadão estaria utilizando sua página no Facebook para fazer declarações de extrema gravidade e ameaças contra minha pessoa como a frase “atenção autoridades: eu ainda vou matar esse cara” e se exaltar por ser praticante de tiro e utilizador de armas de fogo, encaminhei ofício à presidência do Senado no sentido de informar a instituição sobre os fatos. O ofício foi protocolado na presidência da Casa no dia 05 de março deste ano;

– Devido às ameaças feitas pelo cidadão, a chefia de segurança do Senado irá me informar sobre a presença dele nesta Casa de Leis. Esta é a única medida de segurança em vigor neste caso.

– No mais, esclareço que não houve nenhum imbróglio. Continuei minhas atividades parlamentares, participei da audiência pública na Comissão de Serviços de Infraestrutura, entre outras agendas legislativas.

Sempre mantendo a postura de rigor e transparência no relacionamento com a imprensa, o senador Pedro Taques se coloca à disposição para qualquer outro esclarecimento.

Veja abaixo o texto publicado pelo jornalista Muvuca em sua página pessoal no Facebook:

Exclusivo – Para que os veículos locais não distorçam os fatos:

Medo, dissimulação e mentira

Estou em Brasília fazendo meu trabalho, cobrindo a pauta política. Um certo senador, quando me viu, chamou a polícia do senado dizendo que eu sou uma ameaça pra ele. A única ameaça que ofereço é revelar seus podres. Mas aí ele viu a besteira que fez e tentou desmentir. Por meu lado, dei uma declaração na polícia do senado que fica lá dentro e saí. Estou no hotel.

Mas ele, este senador, para tentar reparar a cagada (com o perdão da expressão) criou uma história fantasiosa de que alguém estava armado atrás dele. Pura ingenuidade, pos além de ser mentira, desafio ele, novamente, se for homem e tiver decência moral, a provar que pelo menos cheguei perto dele, quanto mais ameaçar.

Agora, veja o resultado de suas besteiras: Toda a imprensa nacinal me ligand, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, etc. Em seu excesso de esperteza, acabou abrindo as portas da imprensa nacional para mim.

Tenho que agradecê-lo por isso, obrigado Pedroca! Nem se eu quisesse teria chamado tanto a atenção.

Esta sim é a verdadeira ameaça, eu abrir a boca revelando o que sei. Quem está ameaçado, neste caso, sou eu!

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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