Transparência. Presidente do Tribunal de Justiça do Paraná: “Vai fazer pergunta para a tua mãe”

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José Lazaro Jr.

A consequência imediata da vinda do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao Paraná é uma recomendação para que o Tribunal de Justiça (TJ) desista de 25 vagas de desembargadores, autorizadas neste ano pelo Legislativo. Além do que já é gasto com os atuais 120 desembargadores, essas vagas comprometeriam R$ 25 milhões do orçamento do TJ (salário dos magistrados e mais 175 funcionários comissionados), despesa considerada desnecessária pelo CNJ, uma vez que a primeira instância estaria ”sucateada”.

O conselheiro Jefferson Luis Kravchychin, da equipe de correição, atribuiu apenas uma ”nota cinco” ao TJ. ”Eu participei da correição de 2009 aqui no TJ e, com relação ao que foi determinado, eu daria nota cinco. Essa nota é muito baixa por conta da situação do prédio das Varas Cíveis em Curitiba. Após mais de dois anos, nada foi feito. Há um descompasso entre o que o TJ deveria fazer e o que está fazendo”, reclama.

Transparência
Para os jornalistas, Falcão e Jefferson defenderam que a imprensa tenha amplo acesso aos dados do Tribunal de Justiça e aos magistrados. Sobre o comportamento do presidente do TJ, Clayton Camargo, avesso à imprensa, fizeram uma defesa da transparência na gestão pública. ”É uma avaliação que ele (Camargo) tem que fazer. Vivemos numa democracia em que todos têm que prestar contas diante da sociedade. E temos uma imprensa livre, todos os homens públicos tem que falar diante da imprensa”, afirmou o corregedor nacional de Justiça.

”A tendência no Judiciário é a abertura, logo é importantíssimo que a imprensa esteja em todos os atos. A imprensa do Brasil é extremamente atuante, e até um pouco agressiva pela resistência que recebe”, comenta o conselheiro Jefferson Luis. Nesta semana, Clayton Camargo respondeu a um jornalista dizendo que ele deveria ”fazer perguntas para a tua mãe. Não tenho que lhe dar entrevista nenhuma. Não falo com jornal”.

No dia de ontem, o acesso dos jornalistas ao prédio do TJ foi controlado pela equipe de segurança do local. Na chegada, os portões estavam fechados. Os jornalistas esperaram por vinte minutos até serem autorizados a entrar no prédio. Para que a FOLHA e outros jornais conversassem com os membros do CNJ, os profissionais foram escoltados na entrada e saída do prédio.

Veja algumas das falhas investigadas pelo CNJ no Judiciário do Paraná:

– Baixa produtividade no número de processos julgados pelos desembargadores

– Intenção “inadmissível” de criar mais 25 vagas de desembargador

– Abandono da 1ª instância, que continua sofrendo com a falta de estrutura e de juízes

– Existência de relações “íntimas” entre síndicos de massas falidas e advogados

– Irregularidades no pagamento de precatórios, em desrespeito ao critério de ordem cronológica

– Não divulgação do salário de membros e funcionários de forma individualizada

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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