Delegado de polícia atira na ex-amante. Uma relação sexual que começou quando a adolescente tinha 14 anos

Delegado Geraldo Toledo, 4o anos
Delegado Geraldo Toledo, 4o anos

Escrevem Paula Sarapu e Guilherme Paranaiba:

Um delegado investigado por vários crimes, mas protegido pela lei para atuar na ativa normalmente, até ser preso como suspeito de balear na cabeça a namorada adolescente depois de um relacionamento conflituoso. A Polícia Civil tenta montar o quebra-cabeça do envolvimento do delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto, de 40 anos, e da jovem A. [Amanda] L. S., de 17, para esclarecer a autoria do tiro que a mantém internada em estado grave desde domingo no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em BH.

Pessoas próximas dizem que A. e Toledo moravam no mesmo prédio e que o envolvimento começou nesta época, quando A. tinha apenas 14 anos e vivia com a família. Depois da mudança da mãe e do padrasto para Conselheiro Lafaiete, ela alugou um quarto num apartamento no Bairro Estrela Dalva, mas manteve o envolvimento com o delegado.

A. trabalhava no Shopping Paragem, onde funcionários e frequentadores assíduos dizem ter presenciado discussões e atitudes truculentas do delegado. Na última loja em que A. trabalhou, uma funcionária recorda as duas situações confidenciadas pela adolescente: “Quando ela chegou com o dedo quebrado, disse que tinha sido agredida pelo namorado. Nesse mesmo dia, ele a procurou aqui na loja, mas ela se escondeu”.

A agressão teria ocorrido na tarde de 19 de março. A. fez um registro às 21h11 na delegacia do Bairro Estoril. À polícia, ela contou que namorava Toledo havia mais de um ano e que os dois chegaram a morar juntos por seis meses, mas ela havia se mudado havia 15 dias. Naquela tarde, ela teria ido ao apartamento dele buscar pertences e foi seguida por ele, que a agrediu com chutes e socos.

A adolescente quebrou pelo menos um dedo e chegou a ser atendida no HPS. Dezesseis horas depois, na Delegacia Especializada de Atendimento à Pessoa Deficiente e ao Idoso, onde Toledo trabalhava, ele também registrou ocorrência: acusava A. de ter tentado invadir seu prédio e arranhar seu carro. O delegado afirmava que a menina tinha “um amor platônico desde que eram vizinhos” e disse que conseguiu conter a moça, segurando-a pelo pulso.

A jovem chegou a ser incluída no Serviço de Prevenção à Violência Doméstica, da Polícia Militar, e recebeu duas visitas dos policiais, em 20 e 23 de março, quando disse ter sido agredida em três ocasiões. Ela também admitiu ter encontrado o policial, no dia anterior à visita dos PMs, para assinar um termo de desistência da queixa que ela tinha feito contra ele. Dois dias depois, por causa das brigas frequentes, a adolescente fez as malas e voltou para a casa da mãe. “Teve um dia em que ela reclamou que os dois tinham brigado e encontrou o namorado jogando as roupas dela da janela do apartamento onde ele morava”, contou uma funcionária de outra loja do shopping.

A primeira ocorrência na polícia foi feita em 16 de janeiro, quando Toledo registrou ameaça por causa de “um amor não correspondido”, também na delegacia onde ele trabalhava. Segundo o boletim, a adolescente teria entrado no apartamento dele e furtado um revólver calibre 38, com cinco balas, além de um smartphone. “Eles brigavam muito. Posso garantir que ela nunca fez nada contra ele”, disse outra pessoa com quem A. trabalhou. [Veja fotos de Amanda no Facebook e na U.T.I, e declarações da mão].

Confusão

Pouco antes de se entregar, no entanto, o delegado tentou comprar um capacete no Shopping Oiapoque, no Centro de BH, mas se recusou a pagar o valor cobrado e ofendeu uma vendedora. Ele foi retirado pelos seguranças e as imagens gravadas pelas câmeras de segurança mostram quando Toledo retorna, se apresentando como delegado. Testemunhas dizem que ele estava armado e gritava muito. Recentemente, também deu “carteirada” para entrar com a adolescente numa boate no Bairro Funcionários. Diante da recusa dos empregados da casa, afirmou que a menor era responsabilidade dele.

Mãe de um colega de A., também morador do Buritis, X. conta que os amigos incentivavam a adolescente a procurar a polícia. “Ela achava que era amor. Ele a puxava pelo braço, gritava com ela e essa cena se repetiu muitas vezes no shopping, mas ela achava que ele estava correndo atrás. Na verdade, pela idade dele, ele a manipulava e se relacionava com ela desde os 14 anos, quando ela era só uma menina.”

Acusado fica na ativa

 (reprodução/facebook)

O delegado Toledo está na ativa, na Delegacia de Proteção à Pessoa Deficiente e ao Idoso, mas responde a processos por prevaricação, falsidade ideológica, formação de quadrilha, desacato e lesão corporal. Segundo o secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz, a lei respalda o agente público investigado. “Há casos que trazem preocupação e a legislação precisa ser aprimorada. Tem de haver possibilidade de afastamento em determinadas situações”, diz. Esse é um dos pontos que deve ser enviado à Assembleia Legislativa para ser redefinido pela Lei Orgânica. Ferraz descarta possibilidade de corporativismo na proteção ao delegado: “A Corregedoria da Polícia Civil é muito séria e não há nenhum tipo de facilitação”.

Para o coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG, Cláudio Beato, o sistema de controle das corporações é falho. A corregedoria, segundo ele, não é proativa nem tem liberdade de investigar. “O ideal é que o funcionário público, principalmente uma autoridade, fique encostado enquanto as suspeitas são investigadas, mas, até que se prove o contrário, ele é inocente”, lembra.

Muita cana e brigas com a garota lafaietense
Muita cana e brigas com a garota lafaietense

Romance de luxo

por Álvaro Fraga

Uma garota alegre, apaixonada pelo delegado Geraldo Toledo Neto e seduzida pela vida de luxo e glamour que levava ao lado dele. Esta é, em resumo, a história que a adolescente A.L.S., de 17 anos, conta em seu perfil no Facebook, recheado de fotos que retratam momentos românticos do casal. Enquanto amigos do policial insistem em afirmar que os dois nunca tiveram qualquer tipo de envolvimento, o perfil da adolescente, que continua internada em estado grave no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, mostra justamente o contrário.

Em uma das fotos, por exemplo, a garota aparece sentada na moto importada do policial. Em outra, no interior de um carro conversível. Numa terceira, um detalhe que chama a atenção: no capacete preso à motocicleta, uma pequena placa com os nomes dos dois, decorada com corações. Os desenhos românticos também enfeitam as costas do delegado, em outra imagem. Feitos com caneta colorida e revelando um homem feliz ao lado da namorada, os desenhos revelam que o casal tinha grande intimidade. Merecem destaque também as fotos que mostram o casal bebendo e brindando.

Por fim, há uma foto postada em 4 de abril, na qual o policial está em meio a um grupo de amigos que seguram um cartaz pedindo à jovem para voltar para BH. No fim de março, depois de registrar queixa de agressão contra o policial e de acusá-lo de ter quebrado sua mão direita, a garota voltou para Conselheiro Lafaiete, onde permaneceu até domingo, dia em que foi baleada na cabeça.

Delegado “queria que ela tirasse o bebê”

Escreve Paula Sarapu: “Eles eram namorados, sim. Toledo a buscava todos os dias, depois do trabalho, no Shopping Paragem, e essa não foi a primeira vez que ele bateu nela. Ela já chegou para trabalhar com os dois olhos roxos. Ficou grávida dele e ele veio ao shopping ameaçá-la. Queria que ela tirasse o bebê e dizia que iria matá-la. Quando ela passou mal, uma gerente a socorreu numa unidade de pronto atendimento (UPA), mas o Toledo disse que não queria saber dela. Depois, mandou flores.” A. me contou que Toledo a levou a uma clínica para fazer o aborto”, afirmou uma funcionária de uma loja do shopping.Um amigo do casal confirma a gravidez, mas não sabe dizer de quem foi a iniciativa do aborto.
Escreve João Henrique do Vale:

Policiais da Corregedoria-Geral da Polícia Civil cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa do delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto, de 40 anos, e conseguiram encontrar o Peugeot preto em que ele estava com a adolescente A. L. S de 17 anos, antes da garota levar um tiro na cabeça.

Confusão antes de se entregar 

briga

O delegado Geraldo dToledo Neto se envolveu em uma briga com comerciantes do shopping popular Oiapoque na manhã dessa segunda-feira, poucas horas antes de se entregar à corregedoria da Polícia Civil em Belo Horizonte. A denúncia foi feita por uma vendedora que trabalha em uma loja de capacetes. Ela informou que o homem chegou a sacar uma arma para ameaçar seguranças do centro de compras. [clique aqui para vídeo]  Câmeras de segurança mostram o momento que ele entra no local. Veja mais 

Escreve Luana Cruz:

O delegado Geraldo de Toledo trabalha na Divisão de Polícia Especializada da Mulher, Idoso e Deficiente Físico de Belo Horizonte.

Escreve Flávia Ayer:

As fotos nas redes sociais mostram momentos de um casal apaixonado: passeios de moto, festas regadas a bebida e até poses do namorado com os nomes dos dois escritos nas costas. Mas elementos de uma história de amor habitual param por aí. Ela, A.L.S, uma adolescente de 17 anos. Ele, o delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto.

Letreiro de Amanda nas costas de Toledo. Ela colocou esta foto na internet antes de terminar o relacionamento

Antecedente criminal

QUADRILHA MOVIMENTOU DOIS BILHÕES

Em 2011, o delegado Geraldo Toledo, ficou detido uma semana detido na Corregedoria de Polícia Civil, em Belo Horizonte. Toledo já foi delegado de trânsito em Betim e foi preso por suspeitas de envolvimento em uma quadrilha nacional de roubo de caminhões e falsificação de documentos. Ele foi libertado, mas continuou respondendo em liberdade pelo crime. A quadrilha teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões no país em esquemas ilegais nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A quadrilha, conforme informações da polícia, revendia caminhões e motos roubados com novos documentos a um preço abaixo do oferecido no mercado. Ao todo, 13 pessoas foram presas em Minas e no Rio. Uma mulher que teria contribuído para as investigações foi morta com três tiros na cidade de Domingos Martins, no Espírito Santo.

IMPRENSA CORAJOSA

Lá em Conselheiro Lafayete, a imprensa local começa a notícia assim, conforme o manual de redação de muitos censores togados:

“Lafaietense de 17 anos, foi baleada na cabeça [sobrou para todas as meninas da Cidade…]

Um delegado da Polícia Civil é acusado de tentar matar a namorada, uma adolescente [sobrou para todos os delegados de Minas Gerais…]

Um delegado sem nome...
Um delegado sem nome…

NOTA DA REDAÇÃO:
Em respeito à intimidade, honra e dignidade das pessoas, previstas na Constituição Federal, o Jornal http://www.estadoatual.com.br , não divulga fotos ou nomes de pessoas envolvidas nas ocorrências policiais, por serem, tecnicamente, consideradas apenas suspeitas.
A título de esclarecimento, nossa redação baseia-se em informações constantes do boletim de ocorrência, num trabalho realizado pela Polícia Militar (BO). Logo após o acontecimento, este boletim é levado à Polícia Civil para apuração dos fatos, por intermédio do inquérito policial (investigação). Esta etapa, realizada por Delegados e Agentes, tem como principal característica o sigilo dos trabalhos. Até que o Ministério Público faça a denúncia.
Para justiça! Todos são considerados apenas suspeitos” [Este esclarecimento merece nota 10, diria o romancista e jornalista Moacir Japiassu no seu Jornal da ImprenÇa. Confira. Clique aqui]

 
 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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