A chacina de Unaí aconteceu em janeiro de 2004, e a justiça falha e tarda de Minas Gerais talvez, talvez, encontre tempo para julgar os assassinos

CHACIN

 

É bicho de sete cabeças condenar os mandantes e executores das chacinas no campo e nas cidades. A dificuldade começa com a demora em marcar o julgamento.

Óbvio que julgar não significa condenar.

Taí o caso de Unaí. Um dos criminosos já teve tempo e gozo e privilégio e ficha limpa de sangue para se eleger e se reeleger prefeito do município.

Eta justiça tardia.

Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, informa:Decisão de hoje (10) do Superior Tribunal de Justiça (STJ), atendendo a uma reclamação do Ministério Público Federal, fixa em Belo Horizonte o julgamento da chamada chacina de Unaí, ocorrida em janeiro de 2004, quando quatro servidores do Ministério do Trabalho e Emprego – três fiscais e um motorista – foram assassinados. Com isso, a expectativa volta a ser de que finalmente o caso seja julgado.

Em janeiro deste ano, a juíza responsável pelo processo, Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da 9ª Vara Federal em Belo Horizonte, havia declinado de sua competência e transferido os autos para Unaí, surpreendendo autoridades e servidores. A subprocuradora geral da República Raquel Dodge, coordenadora da Câmara Criminal do MPF, afirmou na ocasião que a decisão da juíza era um retrocesso. “Estamos convictos de que esse julgamento já poderia ter acontecido há bastante tempo, em Belo Horizonte, no âmbito da 9ª Vara Federal”, declarou.

A decisão de hoje tem efeito imediato, lembrou a procuradora da República Mirian Moreira Lima, do MPF em Minas Gerais. “O processo não vai mais para Unaí. Acabaram todos os obstáculos para que o julgamento seja marcado”, afirmou. A reclamação apresentada pelo MPF foi considerada procedente para cassar a decisão da 9ª Vara Federal de Belo Horizonte, cuja juíza havia declinado de sua competência em favor da Vara de Unaí.

Quanto à relativa presteza entre a decisão da juíza Raquel Lima e essa decisão do STJ, um intervalo de aproximadamente dois meses, a procuradora afirmou que “há um empenho do Judiciário para não postergar mais (o julgamento), não há motivo para isso”.

Na reclamação, o MPF lembra que já se passaram mais de nove anos desde o crime – e com a procrastinação (protelação) da defesa, que “encontrou amparo” na decisão da juíza de Belo Horizonte, haveria risco de prescrição, “o que vilipendiaria não apenas o Poder Judiciário brasileiro, mas toda a sociedade”.

Leia mais: Juíza Raquel Vasconcelos Alves de Lima, de BH, desiste de processo sobre chacina, e remete o caso para Unaí

Unaí: ministro espera que a Justiça dê as respostas que a sociedade pede

Decisão de juíza de BH sobre chacina de Unaí aumenta sensação de impunidade

Processo de Unaí pode demorar mais um ano para ser julgado

Número de réus em Unaí cai de nove para sete. Eta justiça falha.

 

As mãos sujas de sangue
As mãos sujas de sangue

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s