DA VIDA E DA MORTE

por José Carreiro

 

Perante o drama da fugacidade da vida e da fatalidade da morte, Epicuro (filósofo grego, 341-270 a.C.) propõe a seguinte arte de viver:

Familiariza-te com a ideia de que a morte não nos diz respeito, pois todo o Bem e todo o Mal residem na sensação; ora a morte é a privação completa desta última. Este conhecimento exacto de que a morte não nos diz respeito tem como consequência apreciarmos melhor as alegrias que nos oferece a vida efémera (que não tem uma duração ilimitada), suprimindo o nosso desejo de imortalidade. Com efeito, deixa de sentir terror quem verdadeiramente compreende que a morte nada tem de atemorizador. (Epicuro, “Carta a Menaceu” in Dicionário Prático de Filosofia, Elisabeth Clément et alii, Ed. Terramar)

Tânatos, por Abecat
Tânatos, por Abecat

 

Não obstante certas filosofias de vida (como o epicurismo, o estoicismo ou o “carpe diemhoraciano) tentarem, talvez em vão e com esforço, construir um ideal ético da tranquilidade, o ser humano, no fundo, continua amargurado com o Tempo.

Existir é ser para a morte. Existir é ser para o nada.

A ideia da morte mantém-se obsessivamente viva. Será que constitui manifestação de masoquismo e antecipação? Será uma maneira de a exorcizarmos ou habituarmo-nos a ela? Ou talvez de tentarmos reaver os entes perdidos? Será maneira de resistir à mudança e a uma forma de existência desconhecida? Medo duma reabsorção no nada?

 

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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