Pela primeira vez o povo unido derrubou uma ordem de despejo. Um latifundiário do asfalto contra 800 famílias

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A polícia de Alckmin suspendeu às 13h desta terça-feira a reintegração de posse do terreno em Itaquera, na zona leste de São Paulo. A decisão foi tomada para que procurador geral do Município, o juiz da 4ª Vara Cível de Itaquera, responsável por manter a liminar de reintegração, e o comando da polícia possam fazer um reunião e discutir a situação do local.

Ocupado há sete meses, o terreno de 130 mil metros quadrados, localizado na Avenida Bento Guelfi, número 2.280, no Jardim Iguatemi, abriga cerca de 1,7 mil pessoas que vivem em 800 casas de alvenaria. Moradores do local, que foi batizado com o nome de Pinheirinho II, festejaram ao saber da decisão de suspensão da reintegração. Apesar da medida, policiais continuam no local.

Durante a manhã de hoje  a PM, a Tropa de Choque, a Força Tática, o policiamento de trânsito, os bombeiros e a GCM (Guarda Civil Metropolitana) trabalharam no despejo. A polícia usou bombas de efeito moral, balas de borrachas e spray de pimenta.

Narra o Diário da Liberdade:

Desde as 6 horas da manhã, os sem-teto realizam manifestações pacíficas nas entradas da ocupação. Por volta das 9h40, a Tropa de Choque recebeu ordem para invadir o terreno. De acordo com Jean Carlos da Silva, coordenador do Pinheirinho II, a PM agrediu os sem-teto sem que estes reagissem. “Houve abuso de autoridade por parte da polícia, muitas pessoas se machucaram sem reagir e a situação complicou”, relata.

Jean afirma que os sem-teto estavam se manifestando, mas tinham a orientação de cooperar com a reintegração de posse, contudo a ordem do comando da Tropa de Choque foi para que os policiais entrassem no terreno de “qualquer jeito”. Segundo ele, crianças e mulheres grávidas também foram agredidas pela PM. “Chutaram mulheres grávidas, chutaram idosos”, conta.

Informa o G1: O TJ diz que a decisão foi suspensa pelo juiz Jurandir de Abreu Júnior, da 4ª Vara Cível do Fórum Regional de Itaquera. O magistrado foi o mesmo que concedeu a liminar para a reintegração parcialmente cumprida nesta manhã.

Os moradores do terreno voltavam para suas casas no início da tarde. Eles comemoravam e levavam seus pertences em caixas de papelão.

Edneia Fonseca, de 30 anos, era uma das que mais comemoravam. “Tem muita gente sem moradia em São Paulo. Nós cuidamos desse terreno. Eu gastei R$ 10 mil para erguer a minha casa”, diz ela, que vive na área com os quatro filhos. Edneia passou a noite em claro, já que havia sido informada da reintegração na segunda-feira (25). Desmontou janelas, a fiação, a caixa d’água e colocou os colchões fora de casa.

No início da tarde, Edneia tinha marcas na perna, segundo ela, conseqüência do confronto com a polícia. “Não tinha a menor necessidade de jogarem bomba de efeito moral”, disse.

Paulo Garcez afirma que foi agredido. “Tomei borrachada. Se sair daqui, não tenho para onde ir”, diz Garcez, que tem 42 anos e vive na casa de tijolos e um só cômodo com a mulher e o filho.

COMUNICADO DO MTST

A suspensão do DESPEJO pela PM, apesar de necessário, não resolve o problema. Já que a invasão policial pode ser reiniciada a qualquer momento.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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