O Globo: “Uma Igreja pobre, para os pobres”, do Papa Francisco, desestabiliza os governos esquerdistas da América do Sul

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“Como eu gostaria de uma Igreja pobre, para os pobres”, disse o papa  a centenas de jornalistas de todo o mundo hoje recebidos no Vaticano.

O novo líder da Igreja Católica explicara antes porque decidira chamar-se  Francisco, fazendo referência a São Francisco de Assis, o santo dos pobres.

“Francisco é o nome da paz, e foi assim que esse nome entrou no meu  coração”, disse.

“Durante a eleição, eu estava ao lado do arcebispo de São  Paulo Cláudio Hummes, um grande amigo (…) Quando as coisas ficaram perigosas,  ele reconfortou-me. Quando os votos atingiram os dois terços, ele abraçou-me,  beijou-me e disse-me: ‘Não te esqueças dos pobres'”, contou o papa aos jornalistas.

“Imediatamente, em relação com os pobres, eu pensei em Francisco de  Assis”, disse, acrescentando que para si aquele santo é “um homem da pobreza,  um homem da paz, um homem que amava e protegia a criação. Neste momento  as nossas relações com a criação não vão muito bem”.

Antes de explicar a escolha do seu nome, o pontífice agradeceu aos meios  de comunicação pelo seu trabalho nestes dias e falou sobre a dificuldade  de informar sobre os eventos da Igreja, já que “não são uma categoria mundana  e por isso não são fáceis de comunicar a um público vasto e heterogéneo”.

Francisco acrescentou que a comunicação deve basear-se na busca da “verdade,  da bondade e da beleza” tal como faz a Igreja.

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O jornal O Globo faz uma leitura política da entrevista do papa (vide charge de Chico Caruso): uma declaração de guerra contra os presidentes Rafael Correa do Equador, Nicolás Maduro da Venezuela (o substituto de Hugo Chávez), Dilma Rousseff do Brasil, Cristina Fernández de Kirchner da Argentina e Evo Morales da Bolívia. Na charge de Caruso junto do papa, o ex-presidente Lula.

É a demonização dos presidentes da América do Sul que, politicamente, fizeram uma opção de governar pelos pobres.

Insinua que uma “Igreja pobre, para os pobres”, vai tirar os votos da reeleição de Maduro e de Dilma e, também, enfraquecer os governos do Equador e Argentina.

Tal opção da Igreja matou padres e bispos na América do Sul, nas recentes ditaduras civis e militares.

E a chamada imprensa golpista faz campanha contra qualquer governo que proteja os miseráveis, os pobres, os sem terra, os sem teto. Programas como o Bolsa-Família são condenados. E padres e freiras, no Brasil, continuam sendo assassinados pelos latifundiários.

O jornal Estado de S. Paulo não sente o cheiro de política no discurso papal. Quer um papa preocupado apenas com a evangelização. Um seguidor de São Francisco Xavier. Acontece que o Papa Francisco esclareceu: “Eu pensei em Francisco de  Assis”. Amém (Que assim seja)!

BRA_OE papa nao para a política

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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