Rei Juan Carlos: “Por que não te calas?”

ve_ultimasnoticias.venezuela

por Roberto Fendt/ Diário do Comércio, São Paulo:

O vice-presidente Nicolas Maduro assume temporariamente a chefia do Executivo. O ministro das relações exteriores, Elias Jaua, anunciou eleições no prazo de 30 dias. O mais provável é que não ocorram surpresas, com a vitória de Maduro, o herdeiro do agora canonizado líder do bolivarianismo.
A oposição chavista, dividida e desorganizada como sempre foi durante o período de Chávez no poder, tem pouca chance de eleger o sucessor. E as diferenças que ocorrem entre os chavistas dificilmente impedirão Maduro de concorrer e eleger-se. A curto prazo, portanto, salvo eventos imprevisíveis, o quadro está traçado. A médio prazo a situação é mais difícil. Maduro enfrentará o desafio de manter unido o chavismo e de conviver com a oposição. Em vida, Hugo Chávez conseguiu polarizar a sociedade venezuelana, não havendo indiferentes à sua atuação política: na Venezuela, era-se pró-Chávez ou contra Chávez.
Com relação às políticas, a posição de Chávez foi também sempre extrema. Na economia, apostou tudo no petróleo – 85% da receita de divisas do país vêm deste produto. Todos os seus outros projetos, como a produção de cimento e de alumínio, fracassaram. Até para comer o povo venezuelano depende das importações de alimentos, tendo como importante fornecedor a Colômbia, sua “inimiga” e vizinha.
Quis a deusa romana Fortuna, que regia a sorte, que os últimos anos fossem de alta consistente do preço do petróleo no mercado internacional.
E foi com os recursos do petróleo que Chávez levou adiante uma política interna populista com assistencialista, que fez ele o herói nacional e assegurou sua popularidade. Foi também o dinheiro do petróleo que permitiu sua projeção internacional em países economicamente tão díspares como Argentina e Cuba, ou tão semelhantes como Honduras e Equador.
(…)

Faz pouco mais de  cinco anos, o rei Juan Carlos de Espanha interrompeu Chávez em uma de suas perorações com a frase que percorreu o mundo: “Por que não te calas?”
A morte calou Chávez. Resta saber se calará também o chavismo bolivariano, essa irrupção de populismo nacionalista que, de tempos em tempos, como uma Fênix, brota
de novo das cinzas de nossa sofrida latino-américa.
***
[Pois é, o petróleo nas mãos de Hugo Chávez fazia a multiplicação dos pães para os venezuelanos e outros milagres. No Brasil, quanto mais se descobre poços de petróleo e gás, mais privatizações de nossas riquezas, mais desnacionalizações de nossas empresas e indústrias, mais desemprego, mais miseráveis, menos moradias, menos segurança, menos educação, menos saúde, menos tudo. O rei Juan Carlos nunca precisou calar nenhum presidente do Brasil… ]

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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