Será o Benedito, um papa negro de alma branca?

Os cristãos acreditam em profecias (um dos Evangelhos, o Apocalipse de João é um livro exclusivamente profético) e no aparecimento do Anti-Cristo, que seria um falso papa ou profeta do final dos tempos.

Os evangélicos condenam os católicos pela pecado de idolatria (culto de imagens, inclusive adoração ao papa).

Até para muitos católicos, o Anti-Cristo seria um papa de nome Pedro e/ou negro.

Diferentes profecias continuam usadas como propaganda política.

Obama foi apresentado como o “papa negro”. Na última campanha presidencial, voltaram a falar do perigo de um presidente negro na mais poderosa nação do mundo.

Escreveu Maquiavel: “Jamais ocorre qualquer acidente grave em uma cidade ou província que não tenha sido prevista por adivinhos ou por revelações, por prodígios ou outros sinais celestes”.

Para Franco Cuomo constitui uma necessidade existencial: “a urgência de conhecer, sem cessar, o próprio futuro, ao qual se tentou dar resposta, em épocas diferentes, recorrendo-se a práticas adivinhatórias que às vezes confiavam no acaso e outras vezes nos deuses. Aos adivinhos que falavam por conta própria e aos sacerdotes que interpretavam os oráculos nos templos juntaram-se depois, ao longo dos séculos, profetas designados pela vontade popular – ou pela própria divindade, na tradição bíblica -, a fim de receber as mensagens de Deus e divulgá-las. A estes últimos se soprepuseram por fim, na era cristã, as manifestações diretas de entidades que, através de aparições e outros eventos considerados miraculosos pelos crentes – ou talvez inexplicáveis à luz da razão -, comunicaram previsões de interesse universal.  Fenômenos deste gênero foram se intensificando, em vez de rarearem, na idade moderna, provocando uma ressonância que alcançou o ponto culminante em eventos como os de Fátima e Medjugori. Se revisarmos a história das grandes profecias que alimentaram através dos  séculos as mais indecifráveis fantasias humanas – e continuam a alimentar até hoje -, descobriremos que correspondem a uma matriz comum, da qual brotam surpreendentes semelhanças nos mais famosos oráculos de todas as religiões, desde aquelas dos antigos caldeus e egipícios à epístola evangélica, corânica e talmúdica. Sem excluir as sibilas do mundo pagão greco-romano e os abalos cosmogônicos da mitologia germânica”. Sem excluir o totemismo e o animismo ainda cultuado na África e nas três Américas.

As profecias fazem parte da prática de várias ciências, como a medicina, a astronomia, a geografia, a política etc. Um bom cientista político é um profeta.

Importante salientar que estudiosos negam a existência de qualquer profecia sobre um papa negro. A confusão teria nascido do título de um livro satanista de Anton LaVey, contando como criou a seita ‘Church of Satan’.

O padre-geral da Companhia de Jesus chamado de “Papa Negro” entra nesta lista de “indesejáveis”.

As profecias são palavras de catequese religiosa e, também, poderosas armas de propaganda política.

Para a preocupação dos racistas – no Brasil, Benedito XVI tem o nome de Bento -, ou dos pregadores e crentes na proximidade do fim do mundo, a Igreja Católica tem cardeais com pele escura (morena), e inclusive um negro papável.

Cardeal Francis Arinze
Cardeal Francis Arinze

O melhor perfil escrito sobre o cardeal negro nigeriano Francis Arinze, 72, tem a assinatura de Clarice Spitz:

O cardeal nigeriano Francis Arinze, 72, amigo próximo de João Paulo 2º e influente na hierarquia da Igreja Católica, pode se tornar o primeiro papa comprovadamente negro a chefiar a Santa Sé.

A Igreja Católica não tem registros sobre a raça dos mais de 200 papas que já comandaram o posto máximo desde Pedro e não se pode afirmar com segurança se houve papas negros já que a fotografia é uma invenção do fim do século 19.

Sabe-se, no entanto, que três deles, que ocuparam a chefia do papado entre o século 2 e o século 5, tinham origem africana: Vitor 1º, Melquíades e Gelásio 1º.

Santo Agostinho, um dos maiores pensadores cristãos, era africano, mas não negro.

Mário Sérgio Cortella, 51, professor titular de Teologia da PUC-SP, diz acreditar na existência de papas negros. “O cristianismo nasce numa região de não-brancos, a Palestina. Jesus de Nazaré não era branquinho de olhos azuis como afirmam nos filmes de Hollywood”, afirma.

Apesar de a Igreja Católica ter apoiado a escravidão na América Latina, por exemplo, Cortella destaca que a questão da negritude importa para o mundo-pós-renascentista. “Afirmar que Arinze seria o primeiro papa negro é absolutamente surpreendente.”

Para o frei Davi Santos, 53, diretor-executivo da ONG Educafro, que coordena 255 cursinhos pré-vestibular para negros e carentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, a eleição de Arinze abre espaço para a luta contra o racismo.

“Se eleito, ele vai ser um grande sinal de chamada à consciência de toda a humanidade frente à discriminação em escala mundial”, afirmou.

No entanto, frei Davi alfineta o cardeal nigeriano que, segundo ele, esqueceu-se de combater os desafios do continente mais pobre do planeta. “Se Arinze quisesse denunciar o abandono da África já poderia ter feito enquanto cardeal.”

Conheça os principais candidatos 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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