Portugal unido contra privatizações dos serviços e empresas públicas

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Em Lisboa os manifestantes encheram a praça do Municipio e aprovaram uma resolução contra o agravamento da austeridade, o aumento do desemprego, as privatizações dos serviços e empresas públicos.
No documento ficou definido um conjunto de ações de luta setoriais que se irão concretizar em fevereiro e março, nomeadamente na educação, na hotelaria, no setor empresarial do Estado, nos transportes e na função pública.

O secretário-geral da CGTP, que encerrou o protesto na capital com uma intervenção politico-sindical, exigiu o corte imediato da despesa “inutil e parasitária”, acusou o Governo de estar a afundar o país e pediu ao primeiro-ministro para que faça um favor ao país e se vá embora.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, compareceu na parte final do desfile para se solidarizar com os manifestantes e considerou que o protesto da CGTP foi “uma boa demonstração” para a ‘troika’, que está prestes a chegar de novo a Portugal, de que “os trabalhadores e o povo português não estão dispostos a aceitar esta política de caminho para o desastre”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins, que esteve no inicio do protesto, também considerou “muito importante esta jornada de luta para dizer que este Governo não dá resposta, para lutar pela dignidade no trabalho e dizer que todos os que estão sem emprego têm que ter subsídio, que não podemos abandonar um milhão de pessoas à sua sorte”.

No Porto manifestaram-se várias dezenas de milhar de pessoas “contra a exploração e o empobrecimento”, numa manifestação que os organizadores consideraram como “uma das maiores dos últimos anos na cidade”.
O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo esteve com os manifestantes do Porto e considerou que “o Governo já esticou a corda toda, inclusive a sua própria, e vai cair”.

A demissão do Governo foi pedida em práticamente todas as manifestações e concentrações que ocorreram em 24 cidades do continente e ilhas no âmbito da jornada nacional de luta promovida pela CGTP “Contra a Exploração e o Empobrecimento”.

Cerca de duas centenas de pessoas pediram a demissão do Governo em Vila Real de Santo António, numa das três manifestações convocadas pela União de Sindicatos do Algarve (USAL) no distrito de Faro.

O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, defendeu em Coimbra que “as pessoas saíram à rua” para “ajudarem a fazer cair o Governo”.
Cerca de 300 pessoas manifestaram-se no Funchal contra o Governo e as suas politicas de austeridade.

Nos Açores pouco mais de 150 pessoas participaram nas manifestações de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo gritando palavras de ordem contra o Governo e a troika e a pedir a demissão do executivo de Passos Coelho. (Diário de Notícias)

VÁRIAS GERAÇÕES NA RUA POR UMA POLÍTICA DIFERENTE

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Otília, Maria e Paulo. Três gerações de portugueses que hoje saíram à rua para participar na manifestação da CGTP em Lisboa e mostrar que “o povo continua unido e quer uma política diferente”.
Otília tem 72 anos e veio com o marido. Contou que sempre trabalhou, “desde os 9 anos”, na esperança de ter uma vida melhor e conseguir sustentar as duas filhas.

Hoje, veio à manifestação porque o país está “uma vergonha”.

“É uma revolta muito grande porque sempre trabalhei para ter uma vida melhor, mas hoje ainda sou eu que tenho de ajudar as minhas filhas”, disse.

Já Maria, 53 anos, está desempregada há dois anos e trouxe um cartaz onde denuncia o corte de 6 % no seu subsídio de desemprego. Para ela, participar à manifestação “é uma obrigação”.

“O país está um caos e eu estou muito descontente”, disse à agência Lusa.

Pelo caminho, entre o Príncipe Real e a Praça do Município, Paulo Antunes, 28 anos contou que é cada vez mais difícil ser trabalhador estudante em Portugal, com as propinas cada vez mais altas e os apoios sociais cada vez mais baixos.

“Os impostos são brutais e quem ganha é o grande capital”, criticou.

Ao longo do desfile, os manifestantes intercalaram palavras de ordem, como “O custo de vida aumenta e o povo não aguenta”, com a simbólica canção de José Afonso “Grândola Vila Morena”.

De acordo com os organizadores do protesto, quando a cabeça da manifestação percorria a rua do Alecrim, o fim do desfile estava ainda no Príncipe Real.

No âmbito da jornada de luta da CGTP “Contra a Exploração e a Pobreza” estão a decorrer manifestações e concentrações em 24 cidades portuguesas. (SOL)

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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