Santa Maria. “Há uma imagem comum nessas tragédias”

CARPE DIEM

por Talis Andrade

Escasso o tempo

de nossa passagem

.

O corpo

que se abraça

agourado corpo

.

Como viver o amor

se no corpo amado

antevemos o cadáver

.

Os que a morte alenta

o tempo possui um arrastar

monótono e lento

.

O tempo corre célere

para as flores

os pássaros

.

O tempo corre célere

para os jovens

que os deuses amam

BRA_JSC choramos

EM MEMÓRIA DOS MORTOS DE SANTA MARIA

O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino

 

por Leonardo Boff

Os antigos já diziam:”vivere navigare est” quer dizer, “viver é fazer uma viagem”, curta para alguns, longa para outros. Toda viagem comporta riscos, temores e esperanças. Mas o barco é sempre atraído por um porto que o espera lá no outro lado.

Parte o barco mar adentro. Os familiares e amigos da praia acenam e o acompanham. E ele vai lentamente se distanciando. No começo é bem visível. Mas na medida em que segue seu rumo parece aos olhos cada vez menor. No fim é apenas  um ponto. Um pouco mais e mais um pouco desaparece no horizonte. Todos dizem: Pronto! Partiu!

Não foi tragado pelo mar. Ele está lá, embora não seja mais visível. E segue seu rumo.

O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino.

Os que ficaram na praia não rezam: Senhor, livra-os das ondas perigosas, mas dê-lhe, Senhor, coragem para enfrentá-las e ser mais forte que elas.

O importante é saber que do outro lado há um porto seguro. Ele está sendo esperado. O barco está se aproximando. No começo é apenas um ponto levemente acima do mar. Na medida em que se aproxima é visto cada vez maior. E quando chega, é admirado em toda a sua dimensão.

Os do porto dizem: Pronto! Chegou! E vão ao encontro do passageiro, o abraçam e o beijam. E se alegram porque fez uma travessia feliz. Não perguntam pelos temores que teve nem pelos riscos que quase o afogaram. O importante é que chegou apesar de todas as aflições. Chegou ao porto feliz.

Assim é com todos os que morrem. O decisivo não é sob que condições partiram e saíram deste mar da vida, mas como chegaram e o fato de que finalmente chegaram. E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos navegando fora de casa.

Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las.  Alegram-se por estarem em casa,  no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.

(Em memória dolorida e esperançosa dos jovens mortos em Santa Maria na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013).

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ERAN TODOS MUY JÓVENES

por Eric Nepomuceno

 

 

Hay una imagen común en esas tragedias: la inmensa cantidad de zapatillas de tenis amontonadas en algún rincón. Y también los teléfonos celulares abandonados. En el incendio en el club nocturno Kiss, de Santa María, interior de Rio Grande do Sul, eso se repitió. Cuando los bomberos lograron entrar en el lugar, sorteando cadáveres y cuerpos en agonía, se encontraron con los celulares sonando. Alguien llamaba para tener noticias. Uno de los celulares registraba 104 llamadas, 104 intentos angustiados de dar con su dueño. No se sabía, al final de la noche de ayer, si ese dueño –o dueña– estaba entre los 230 muertos.

Hay escenas comunes en las tragedias colectivas. Pero en esa de Santa María un dato llamaba la atención: eran todos muy jóvenes. Las imágenes grabadas por cinegrafistas amadores, con celulares, imágenes veloces, fuera de foco, movidas, eran el mejor retrato del vértigo del horror.

En uno de esos videos pasa una joven de pelos lacios y ojos inmensos, con una blusa blanca y una minifalda color vino. La muchacha mira hacia la nada. Busca algo, busca nada. Un muchacho igualmente joven, sin camisa, con un tatuaje en el hombro izquierdo, se lanza al suelo y vuelve con una chica en brazos. Busca, aturdido, socorro. Alguien le indica una ambulancia, a dos pasos, que él no había logrado ver. Sobre la vereda, una muchacha de minifalda negra está tendida. Otra muchacha, flaca y rubia, le golpea el pecho, en un intento tan desesperado como vano de hacer un masaje cardíaco. Una voz grita en la oscuridad, fuera del foco: “¡Mi hermano! ¿Dónde está mi hermano?”.

Nadie sabe con certeza cuánta gente había dentro del club nocturno. Entre 1200 y 2000 personas. Todos muy jóvenes. Casi todos universitarios. Santa María, en pleno centro de Rio Grande do Sul, es polo de atracción de jóvenes de todo el estado. Era una conmemoración de principio del año lectivo.

Una banda local animaba la fiesta. Súbitamente, uno de los músicos prendió una bengala, para entusiasmar a los muchachos. El fuego se extendió hacia el techo. Y ocurrió la tragedia. Primero, los de la seguridad de Kiss quisieron impedir la salida, creyendo –dijo uno de los sobrevivientes– que era un truco de un grupo para salir sin pagar. Cuando se dieron cuenta, era tarde. Al menos tres de los de la seguridad murieron.

Poca gente murió quemada. Casi todos los muertos fueron asfixiados. No había salida de emergencia. O mejor, había varias, pero estaban cerradas con candado. No había señales indicadoras de esas salidas. Muchos entraron en los baños creyendo que saldrían a la calle. Murieron asfixiados, amontonados, pisoteados.

Ha sido la mayor tragedia de Brasil en los últimos 52 años, superada por el incendio del Gran Circus Norteamericano en Niterói, estado de Rio, que era un simple circo suburbano de nombre pomposo, en 1961, cuando murieron calcinadas 503 personas. Ahora, con lo de Santa María, el país se paralizó, horrorizado.

La presidenta Dilma Rousseff interrumpió su viaje oficial a Chile y voló directo hacia la ciudad, para intentar consolar y confortar a los familiares de las víctimas. El gobernador Tarso Genro hizo lo mismo. Y el alcalde, Cezar Schirmer, decretó duelo oficial por 30 días.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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