Que você espera de um velho, de um idoso ou de um ancião na sociedade moderna? Devem apressar a morte?

Hojemente não se sabe quando termina a infância nem a juventude. Que não mais existe nenhum rito de passagem.

Uns pedem a pena de morte para crianças que praticam crimes considerados hediondos. Na Argentina, o governo quer conceder o direito de voto aos 16 anos, a oposição é contra. A idade para adquirir a carteira de motorista ou o término do curso de segundo grau ou, ainda, a permissão da justiça do direito de trabalhar da criança no Brasil sinalizam – para a maioria – a conquista da maioridade.

Antes da nossa era, até os tempos medievais, a medicina recomendava o rompimento do hímen para evitar uma infecção generalizada pelo não corrimento do mênstruo. A medicina e/ou a religião motivavam o casamento das meninas antes ou logo depois da primeira menstruação.

A HISTÓRIA DE JOSÉ O CARPINTEIRO

Esta tela de Rembrant van Rigt falseia as idades de Maria e José
Esta tela de Rembrant van Rigt falseia as idades de Maria e José

I. Jesus fala a seus apóstolos

No Apócrifo A História de José o carpinteiro:  “E estava um dia nosso bom Salvador no monte das Oliveiras com os discípulos à sua volta e dirigiu-se a eles com estas palavras: (…) ‘Este homem justo, de quem estou falando, é José, meu pai segundo a carne, com quem se casou na qualidade de consorte, minha mãe, Maria.

III. Maria no templo

Enquanto meu pai José permanecia viúvo, minha mãe, a boa e bendita entre as mulheres, vivia por sua parte no templo servindo a Deus em toda a santidade, e havia já completado doze anos. Passara os seus três primeiros anos na casa de seus pais, e os nove restantes no templo do senhor. E, ao ver que a santa donzela levava uma vida simples e plena de temor a Deus, os sacerdotes conversaram entre si e disseram: ‘Busquemos um homem de bem e celebremos o casamento com ele até que chegue o momento de seu matrimônio, que não seja por descuido nosso que lhe sobrevenha o período de sua purificação no templo, nem que venhamos a incorrer num pecado grave’.

IV. Bodas de Maria e José

Convocaram então as tribos de Judá e escolheram entre elas doze homens correspondendo ao número das doze tribos. A sorte recaiu sobre o bom velho José, meu pai segundo a carne. Disseram, então, os sacerdotes à minha mãe, a Virgem. ‘Vai com José e permanece submissa a ele até que chegue a hora de celebrar teu matrimônio’. Então José levou Maria, minha mãe, para sua casa. Ela encontrou o pequeno Tiago na triste condição de órfão e o cobriu de carinhos e cuidados. Esta foi a razão pela qual a chamaram Maria a mãe de Tiago. Então, depois de tê-la acomodado em sua casa, José partiu para o local onde exercia o ofício de carpinteiro. Maria viveu dois anos em sua casa até que chegou o feliz momento.

V. A encarnação

E no décimo quarto ano de idade Eu, Jesus, Vossa Vida, vim habitar por meu próprio desejo. E aos três meses de gravidez o solícito José voltou de suas ocupações. Porém, ao encontrar minha mãe grávida, presa à turbação e ao medo, pensou secretamente em abandoná-la. E foi tão grande o desgosto, que não quis comer nem beber naquele dia.

VI. Visão de José

Eis, porém, que durante a noite, mandado por meu Pai, Gabriel, o arcanjo da alegria, lhe apareceu numa visão e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não tenhas cuidado em admitir Maria, tua esposa, em tua companhia. Saberás que o que foi concebido em seu ventre é fruto do Espírito Santo. Dará, então, à luz um filho, a quem tu porás o nome de Jesus. Ele aparecerá aos povos com o cajado de ferro. Finalmente o anjo desapareceu. E José, voltando do sono, cumpriu o que lhe havia sido ordenado, admitindo Maria consigo.

XIV Doença de José

(…) Eis aqui, resumida, a vida de meu querido pai José: Ao chegar aos quarenta anos, contraiu matrimônio, no qual viveu outros quarenta e nove. Depois que sua mulher morreu, passou somente um ano. Minha mãe logo passou dois anos em sua casa, depois que os sacerdotes confiaram-na com estas palavras: ‘Guarda-a até o tempo em que se celebre vosso matrimônio’. Ao começar o terceiro ano de sua permanência ali – tinha nessa época quinze anos de idade – trouxe-me ao mundo de um modo misterioso, que ninguém entre toda a criação pode conhecer, com exceção de mim, meu Pai e o Espírito Santo, que formamos uma unidade.

XV. O início do fim

A vida de meu pai José, o abençoado ancião, compreendeu cento e onze anos, conforme determinara meu bom Pai.(…)”

PROTO-EVANGELHO DE TIAGO

Comenta Maria Helena de Oliveira Tricca, que traduziu os Apócrifos – Os Proscritos da Biblia: “A idade de José, na casa dos noventa, ao casar-se com Maria, é confirmada no Proto-Evangelho de Tiago e em todos os demais Apócrifos”.

No Proto-Evangelho de Tiago: “Então o sacerdote disse: ‘A ti coube a sorte de receber sob tua custódia a Virgem do Senhor’. José replicou: ‘Tenho filhos e sou velho, enquanto que ela é uma menina; não gostaria de ser objeto de zombaria por parte dos filhos de Israel”.

O homem é velho aos 60, idoso aos 65. A ancianidade começas aos 70 anos. Um casamento de um ancião com uma menina hoje seria visto com horror.

Um crime, pela lei da maioria dos países cristãos. Um crime contra a natureza. Uma aberração.

A MEDICINA HOJE

Climatério

Estágio, em sentido figurado. Tempo crítico. Os chamados anos da menopausa da mulher, ligados a mudanças mentais. No homem, mais ou menos semelhante a crimacterium virile.

Paradoxismo sexual

Sexualidade exarcebada fora do tempo. Como, por exemplo, no velho.

Cronofilia

Termo usado para se referir a um grupo de parafilias do tipo em que a idade sexo-erótica da pessoa em causa é discordante da sua própria idade cronológica e concordante com a do parceiro.

Efebofilia

Ou hebefilia [do grego “ephebos” – pessoa jovem pós-pubescente, ou “hebe” – juventude, + “philia” – amor ou amizade] é uma orientação ou preferência sexual na qual um adulto tem uma atração sexual primária por adolescentes pubescentes ou pós-pubescentes.

A atração por adolescentes femininas é algumas vezes chamada de Síndrome de Lolita. O termo é relacionado como uma preferência distinta por pessoas a partir da metade da adolescência, que não é relacionado, segundo psicólogos, a uma patologia quando isso não interfere na vida de outras pessoas, ou transcende o espaço social do indivíduo que possui essa preferência.

Na maioria dos países, se o adolescente atingiu a idade de consentimento pela lei local, a relação efebofílica não é crime.

Ginagogia

Tratamento psicoterapêutico (isolado ou em apoio) da mulher em perturbações por causa especificamente sexuais.

Teleiofilia

Termo criado por Kurt Freund, significando a atração sexual de um menor por adultos. Como isto é considerado normal na maioria das sociedades, não é usualmente considerado uma parafilia, e a expressão é raramente usada. Um clássico da música brasileira fala desse amor

Pedofilia

(também chamada de paedophilia erotica ou pedosexualidade) é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes (ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade) ou no início da puberdade.

Segundo o critério da OMS, adolescentes de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos, se eles tiverem uma preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes pelo menos cinco anos mais novas do que eles.

Andropausa

Término da função sexual no homem (especialmente da atividade sexual)

Anedonia

Falta de prazer sexual em sentido amplo, ou o aparecimento de um vazio afetivo.

Pubertas praecox

Amadurecimento sexual precoce

AS PÍLULAS QUE LIBERARAM A SEXUALIDADE

A pílula branca anticoncepcional libertou a mulher. E para que serve a pílula azul tipo Viagra?

Escreve Karina Haddad Mussa (A pílula anticoncepcional e a emancipação feminina): “Historicamente falando, a chegada das bolinhas brancas contendo hormônios contraceptivos selou uma verdadeira revolução de costumes e hábitos novos, livrando aquela mulher “facultativa”, apagada, do destino de pária a que ela estava fadada. Com tais mudanças, a mulher pôde ensaiar novos passos em seus múltiplos papéis, emergir com suas honestas  potencialidades para poder deliberar sobre suas escolhas, inclusive para poder relacionar-se sem o perigo de uma gravidez indesejada. Chegou a hora de acabar com tanta desigualdade.

Para Maria Andrea Loyola: “Poucas dentre as várias descobertas tecnológicas surgidas no século XX que contribuíram para alterar profundamente os rumos das sociedades contemporâneas, foram objeto de tantas polêmicas como a pílula anticoncepcional. (…) Foi sobre a mulher, seu comportamento e sua posição na sociedade, que a pílula produziu os impactos mais significativos, considerados por muitos como verdadeiramente revolucionários. Graças à pílula, a mulher pôde então usufruir de liberdade sexual e acabou ganhando um forte aliado rumo à conquista de mais espaço na esfera pública, no mercado de trabalho e na igualdade com os homens. Sua utilização acabou provocando avanços nos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres, ampliando as possibilidades de realização de um efetivo planejamento familiar e, talvez o mais importante, conferindo total autonomia da mulher na condução desse processo: a pílula é o único anticoncepcional que pode ser utilizado sem a participação do médico e a colaboração ou consentimento do parceiro”.

Nas favelas brasileiras está acontecendo uma mudança de costumes ainda não estudada: os “casamentos” de mulheres avós com adolescentes.
Com quem um homem velho faz sexo? Veja se a resposta está na propaganda do Viagra:
propaganda-viagra

Fernando Henrique aumentou o tempo de aposentadoria dos 60 para os 65 anos. Na Europa, o FMI recomenda que seja aos 76 anos. Assim sendo os velhos, os idosos e os anciãos devem trabalhar. Faz parte desta campanha a mentira de que a previdência social dá prejuízo.

Que motivação tem um velho, um idoso ou um ancião para trabalhar? Que emprego pode arranjar um pé na cova?

ESQUECEU OS BEBÊS

por Carlos Chagas

Deveria ser condenado a prisão perpétua o ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, por haver sugerido que os idosos em seu país deveriam ser autorizados a se apressar e morrer para aliviar a pressão sobre as despesas do estado, que paga suas despesas médicas. Digno de figurar entre os generais japoneses da Segunda Guerra Mundial condenados à forca, o indigitado ministro quer que os velhinhos se matem para equilibrar as finanças de seu governo.

Só faltou, mesmo, completar a sugestão recomendando o sacrifício dos bebês. Ou eles também não dão prejuízo?

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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