Três consagrados jornalistas quebram o terrorístico silêncio da prisão de Ricardo Antunes

José Cleves
José Cleves

José Cleves:

Nenhuma de nossas instituições de classe (sindicatos, federação, associações) se manifesta quando um jornalista é preso ou acusado de extorsão, por exemplo. Normalmente, essas entidades soltam notas quando o jornalista aparece como vítima de algum crime de imprensa. O autocontrole permite a apuração dentro dos critérios profissionais e o resultado desse procedimento administrativo pode apontar culpa ou inocência do investigado. Portanto, a sua finalidade não é meramente punitiva, mas acima de tudo esclarecedora e benéfica para a classe e a sociedade.

Essa reflexão serve para ilustrar a prisão do jornalista e blogueiro pernambucano Ricardo Antunes, acusado de prática de extorsão contra um marqueteiro em Recife, através de seu blog Leitura Crítica. O único registro que se tem do fato é o policial, sem qualquer posicionamento da categoria. A imprensa convencional limitou-se ao registro sucinto do fato, o qual foi ignorado pela classe, que não se manifestou de forma corporativa, seja através de notas de repúdio ou de esclarecimento à sociedade. Se fosse um advogado, que divide com os jornalistas a missão de defender os direitos civis da categoria e do cidadão, a OAB já estaria investigando o caso, da mesma forma ocorreria com o Conselho Regional de Medicina (CRM), que independe de denúncias formais para investigar o profissional acusado de má conduta.

Não vou entrar no mérito da acusação por desconhecer a versão de Antunes. Como se sabe, vítima e acusado em capa de inquérito são posições sujeitas a inversões em processos criminais e até mesmo em sentenças, de modo que a ordem desses fatores varia conforme o fato, e não o seu relato abstrato.

Antunes é apenas um entre os muitos jornalistas acusados de extorsão neste país, com a diferença de que ele foi preso. Não são apenas os pequenos que agem assim. Os grandes veículos de comunicação extorquem políticos e empresários – não é de hoje. Assis Chateaubriand (1892-1968) criou o seu império fazendo isso. A maioria dos jornais do interior age dessa forma. Tropeço todo dia em jornalista desonesto, que usa os adjetivos conforme a grana que coloca no bolso.

Mauri König
Mauri König

Mauri König:

O caso de Ricardo Antunes precisa mesmo ser mais difundido. Não conheço o teor da acusação, mas (… o) relato deixa claro tratar-se de alguma armação em razão do ofício jornalístico. Achei o Sinjope um tanto omisso.
José Adalberto Ribeiro
José Adalberto Ribeiro
José Adalberto Ribeiro:
Ricardo Antunes está sendo acusado sim de praticar crime como jornalista, na condição de titular de um blog. A idéia de alguém propor uma extorsão em 30 suaves prestações mensais é inverossímil e inconcebível, a menos que não estivesse em condições de sanidade mental, o que não parece ser o caso. Ele ainda não teve o direito de apresentar sua versão. O castigo que lhe está sendo imposto equivale a uma condenação antecipada e sem julgamento. Ricardo não cometeu crime hediondo, faz jus ao direito, humanitário que seja, de responder ao processo em liberdade.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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