“A polícia de Mato Grosso do Sul não precisa recorrer a nenhum Sherlock Holmes para desvendar o assassinato de Eduardo Carvalho”

por Valfrido Silva

dedo duro

Não é porque morreu, assassinado (…) na porta de sua residência, na frente da família, em Campo Grande, que o jornalista Eduardo Carvalho (na foto, com o dedo-duro da Uragano, Eleandro Passaia) entra para o rol dos santos. Tinha lá seus pecados. E muitos, sobretudo no campo da ética profissional. Destemido, até pela formação como policial militar, talvez por isso mesmo abusando da audácia sempre que à mesa de negociações para a fechamento de contratos em seu site UHNews. Sua empresa, de comunicação impressa, virtual e até televisiva, era daquelas cujo crescimento se dava mais pelos seus controvertidos critérios de autocensura do que, efetivamente, pela receita publicitária. Mas, daí a ser rifado, pura e simplesmente, pela bandidagem do colarinho branco, são outros quinhentos. Até porque, espera-se, que esse negócio de esquadrão da morte, pelo que se vê, seja apenas do lado de lá da barranca do Rio Paraná.

A polícia de Mato Grosso do Sul não precisa recorrer a nenhum Sherlock Holmes para desvendar o assassinato de Eduardo Carvalho. Só não vê quem não quer os possíveis responsáveis pela pistolagem. As pistas abundam a partir de uma simples olhadela na listagem de matérias do UHNews. E nem precisa uma busca mais avançada. Mas alguém duvida que este seja apenas mais um crime desse tipo a cair no esquecimento? Assim como o de Paulo Rocaro. Pior, o do colega ponta-poranense, caindo num providencial esquecimento depois de o Secretário de Segurança Pública, Wantuir Jaccini, ter afirmado com todas as letras que já tinha todos os elementos para chegar aos autores, acrescentando, inclusive, que haveria “surpresas”, quando até as crianças dos grupos escolares dos dois lados da fronteira desconfiam quem são os pistoleiros e seus respectivos mandantes.

Coincidência ou não [uma semana antes], Eduardo Carvalho me ligou. Queria vir a Dourados conversar sobre algumas denúncias que andei fazendo aqui no blog. Disse que havia apurado mais detalhes sobre um desses rumorosos casos de crime de colarinho branco, envolvendo regime especial e uns bacanas que, não faz muito tempo, até já andaram fazendo curso de canarinho, mas que, impunes, continuariam agindo no Estado por meio de poderosos laranjas. “Sartei de banda”, como diz o Russo, prometendo visitá-lo numa dessas minhas cada vez mais raras idas a Campo Grande. Quer pista melhor que esta?

Outra coisa: atentem aos detalhes da foto que ilustra este texto e reflitam sobre um dos mais conhecidos ditos da humanidade: diga-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

[Sempre tem polícia na morte de jornalistas]

Enquanto delegado de polícia acobertado pelo Judiciário continuar se achando no direito de bater à porta de jornalista de arma em punho com a desculpa de lavar a honra da família e ninguém tomar providências, outros profissionais de imprensa podem ter o mesmo destino.

Pelo sim, pelo não, está dado o recado. Nós, jornalistas, de verdade, agradecemos a turma do colarinho branco, por tanta cortesia e amabilidade.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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