Copa do Mundo, o turismo predatório e a adultização da criança

Mauri König, em premiada reportagem, mostrou quanto o Brasil está “a mercê do turismo predatório”, com o seu lamentável universo de 250 mil prostitutas infantis. O mesmo König, que denunciou o tráfico de crianças-soldados brasileiras para o Paraguai.
Biografa o CPJ: “Em 2000,  enquanto investigava para uma série de artigos sobre o recrutamento e sequestro de crianças brasileiras para o serviço militar no Paraguai, König foi brutalmente espancado com correntes, estrangulado e largado para morrer perto da fronteira do Brasil, supostamente por três policiais paraguaios. Em 2003, foi forçado a abandonar sua pesquisa ao longo da região fronteiriça de Brasil, Paraguai e Argentina, depois de receber ameaças da policia local. Nenhum desses casos foi solucionado. Suas abrangentes investigações, nas quais expôs abusos de direitos humanos e corrupção, lhe trouxeram reconhecimento mundial e inúmeros prêmios jornalísticos, incluindo Prêmio Internacional da Liberdade de Imprensa 2012 do CPJ,  que recebeu em novembro em Nova York”.

O jornalista Mauri König após sofrer atentado no Paraguai: vida em risco para revelar o recrutamento ilegal de adolescentes brasileiros pelo serviço militar paraguaio
O jornalista Mauri König após sofrer atentado no Paraguai
Comprova König, que das cidades sedes da copa do mundo, Recife pouco investe na prevenção e no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes.
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 Pobre Recife. Acontece que a Prefeitura tem dinheiro de sobra para investir em desfile de moda infantil.
Os desfiles de moda infantil e os concursos de beleza infantil promovem o consumismo, a adultização,  a erotização das crianças.
Em 17 de setembro último, menos de um mês antes de ser preso, denunciou Ricardo Antunes: “Uma das empresas do grupo do publicitário [Antônio Lavareda]  foi beneficiada com uma verba de R$ 200 mil reais pela Prefeitura do Recife. A contratação foi publicada no Diário Oficial da prefeitura e feita pelo regime de dispensa de licitação ou seja sem qualquer concorrência. O objeto é um evento de moda infantil.
‘É um patrocínio para uma ação de moda para inclusão dos artistas pernambucanos’, disse o presidente da Fundação de Cultura, André Brasileiro. Ao ser indagado o motivo da contratação  da empresa para o evento Shopping Day, que trata de moda infantil”.
Sob a rublica cultura, a prefeitura encobre inúmeras safadezas, inclusive os embalos de fins de semana, os comícios cantados superfaturados. No governo João Paulo, nos tempos que os jornalistas faziam a pergunta cretina sobre a virgindade de Sandy, a moça realizou, numa noite de uma semana natalina, um show de meio milhão de dólares.
A denúncia de Ricardo Antunes foi um dos motivos de sua prisão. Quando devia ser motivo de investigação pelas autoridades competentes.
O verdadeiro jornalista para o executivo e o judiciário de Pernambuco
O verdadeiro jornalista para o executivo e o judiciário de Pernambuco
Mauri König, que ora vive escondido dos delegados de polícia do governador Beto Rocha, se morasse no Recife já estaria morto ou preso, escreveu:
Copa do Mundo trará 500 mil turistas estrangeiros, entre eles muitos pornoturistas. Infância está vulnerável à exploração nas cidades-sedes
Quando a Copa de 2014 chegar, o Brasil terá provado ao mundo ser capaz de erguer uma dezena de odes de concreto ao esporte que o notabilizou como país do futebol. Terá estádios monumentais, mais aeroportos, metrôs e avenidas. Vai dispor para isso de R$ 27 bilhões, o equivalente a metade da economia de um ano inteiro de um país como o Paraguai, ou o Bahrein. Mas a Copa não é para todos. Uma parcela dos brasileiros já saiu perdendo, a começar pelas 170 mil pessoas ameaçadas de perder suas casas para dar lugar às obras. Há também os que ainda vão perder com a Copa, mas não sabem, e, ao contrário, pensarão estar tirando alguma vantagem.

O Brasil espera um grande movimento financeiro durante a Copa e, antes disso, com as obras de infraestrutura nas 12 cidades-sedes. Mas há uma ameaça por trás de tanta euforia: a concentração de operários nas obras, a grande movimentação de pessoas nos jogos e a circulação de dinheiro representam um risco maior às crianças socialmente vulneráveis. As redes de exploração sexual e de tráfico de seres humanos tendem a se organizar para recrutar mulheres, crianças e adolescentes para uma demanda que certamente crescerá com a vinda de mais de meio milhão de turistas, pelas estimativas do Ministério do Turismo.

Mais vulneráveis

Quem mais vai perder é uma infância já maltratada, que ficará sem Copa e sem direitos. As condições estão postas desde há muito. Durante 45 dias, a equipe da Gazeta do Povo percorreu 10.500 km pela costa brasileira, passando por Rio de Janeiro, Recife, Natal, Salvador e Fortaleza, as cinco cidades-sede da Copa onde crianças e adolescentes estão mais vulneráveis ao turismo sexual, um simulacro do turismo convencional que melhor se qualificaria como turismo predatório, pelo pouco que deixa e o muito que leva. O sexo turismo existe, ainda que governos e parte do setor turístico não o reconheçam. Leia mais

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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