2012. Crimes hediondos contra o povo. A justiça ajudou os aproveitadores

O relatório Direitos Humanos no Brasil 2012. DireitosHumanos-relatorio2012RedeJusticaeDH-tpO documento organizado por Tatiana Merlino e Maria Luisa Mendonça passeia por várias questões preocupantes como o trabalho escravo, o uso de agrotóxicos, o genocídio que vem acontecendo nas periferias, violações provocadas pela proximidade dos megaeventos, questões indígenas, de povos tradicionais e quilombolas, além das diversas lutas dos trabalhadores e das mulheres, e conta com artigos de diversas pessoas e a colaboração de mais de 30 entidades nos de diferentes campos de atuação.

[Megaeventos. Exclusivamente para as obras da Copa do Mundo e Olimpíada Rio estão previstas as demolições de 170 mil moradias. A crueldade de 170 mil deslocamentos involuntários, de 170 mil despejos assinados pela justiça, de 170 mil famílias desajojadas].

Leia o relatório aqui

 

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Em seu agradecimento, Angela destacou que “a luta por justiça é também a luta por memória”. Débora lembrou que “os crimes de maio são uma história que ainda não foi contada”. Sâmia aproveitou o ensejo para usar palavras de Abla no agradecimento afirmando que “o sofrimento das mães de maio é mais doloroso porque as mães palestinas sabem quem é o inimigo, e o inimigo das mães de maio é invisível”.

À Caros Amigos, Angela Mendes de Almeida disse que “esse é um relatório que dá um quadro geral das injustiças no Brasil inteiro, e acho que é um instrumento pra quem tá no dia a dia batalhando”. Ela ainda falou sobre a luta do coletivo Merlino que recentemente teve uma vitória nos tribunais sobre Carlos Alberto Brilhante Ustra, algoz de Luiz Eduardo Merlino:”Eu acho isso(a homenagem) extremamente encorajador, nossa luta foi muito difícil no começo, deslanchada a luta foi muito complicado porque as pessoas tão recalcando a memória da ditadura, então o prêmio é uma coisa que incentiva, leva adiante essa luta”.

Mães de Maio, Mães do Cárcere

O grupo Mães de Maio também lançou na quarta (5), o segundo livro do grupo, “Mães de Maio, Mães do Cárcere – a Periferia Grita”. Débora Maria da Silva explicou que o título é porque “o sofrimento de uma mãe das vítimas de execução é igual ao das mães das vítimas encarceradas, muitos deles são pessoas inocentes que tão lá dentro porque são pobres, são negros, então nós fizemos essa mesclagem… A mulher, ela é verdadeira vítima, põe um filho no mundo, sofre quando perde e quando tá encarcerado muito mais, porque a criminalização do estado contra nós pobres periféricos é assim, quando não mata encarcera; quando encarcera, depois que sai, a pena de morte é decretada, tendo em vista que a maioria desses jovens que tão sendo mortos, alguns tem passagem na polícia, como se quem tem passagem na polícia tem que ser exterminado. O governo tá abolindo o crime de lesa humanidade. Eu acho que a população do Estado de São Paulo é uma população covarde, ela deveria ir pra rua e dizer basta. Nós estamos reagindo, nós não estamos mortos… Não é normal a perda de um filho, não é normal a gente ver várias mães vegetando à base de remédio, não é normal o estado matar nossos filhos e simplesmente dar as costas, é mais um, é estatística. O meu filho não é estatística, o filho das mães não é estatística.”

Esquadrão da Morte

A militante que teve o irmão desaparecido há 30 anos, vítima de esquadrão da morte; o marido executado por ser testemunha de um crime e, depois, perdeu um filho, disse que é a luta contra a impunidade que dá forças às mães: “Eu vou ficar no sofá esperando matar meu neto? Não, eu levantei, eu vim pra luta. Esse é o segundo livro nosso, o primeiro nós fizemos uma tiragem de 3.000 livros… É um grito periférico, é um grito de poetas invisíveis, de vários saraus que tão sendo fechados, que tão sendo criminalizados, porque nós temos um sistema opressor, nós temos uma prefeitura militarizada, a gente tem que lutar contra a militarização do município, do estado e da política.”

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Relatório

Sobre o relatório ela destaca a importância afirmando que “eles fazem o encorajamento das Mães de Maio, eles quem trazem a tona ao povo pra se conscientizar sobre o que está acontecendo com nossos indígenas, nossos quilombolas… esse relatório é muito bem vindo”.

Para os mais céticos, os numerosos casos de violações aos direitos humanos podem ser desanimadores. Débora, por outro lado afirma que “a solução é a rua, que é a característica das Mães de Maio para sermos um verdadeiro símbolo da luta pela vida.”

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Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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