Droga legaliza eleição de políticos corruptos

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Os mercadores de drogas elegem senadores, magistrados e generais na Colômbia. No Brasil, as favelas, os cortiços e os guetos dominadas por milícias e traficantes – os chamados currais do asfalto – elegem vereadores e prefeitos, que se transformam nos principais cabos eleitorais de candidatos a governador, deputado e senador. Os currais no Rio de Janeiro, inclusive, estão sendo murados. O medo conduz os rebanhos. São cães de pastoreio os bandidos da polícia, os justiceiros, os chefes de milícias e quadrilhas. O mundo do crime não vota em político honesto. O voto de cabresto sempre escolhe um ficha suja

voto

Prensa Latina: – Altos chefes militares colombianos acusam as FARC-EP de receber quantias milionárias como resultado do narcotráfico. O que considera a respeito?

Iván Márquez, um dos comandantes da FARC: – Esses são túmulos bonitos por fora, mas podres por dentro. Essa é uma campanha mentirosa das elites verdadeiramente mafiosas e bandidas. Todas as instituições colombianas, há muito tempo, foram permeadas pelo narcotráfico até o teto. Com o dinheiro da máfia foram elegidos vários presidentes, de Turbay até Uribe. Os cartéis colombianos da droga elegeram e continuam elegendo representantes, senadores, magistrados e generais.

Até as duas melhores polícias do mundo receberam pagamento por seus “bons ofícios”. O chefe de informática do DAS (Departamento Administrativo de Segurança), Rafael García, denunciou que esse organismo de Estado, dependente da Presidência, facilitou à máfia a rota da droga para os Estados Unidos, através do cartel mexicano dos Beltrán Leyva, e que os dólares, produto do negócio, entravam pela porta grande do aeroporto Dourado, controlado pelo DAS, diretamente às mãos dos capos. O DAS é conhecido no mundo da máfia como o “cartel das três letras”.

Da mesma forma o ex-chefe de informática denunciou à Promotoria que o DAS abriu também uma rota de droga de Santa Marta para a Europa camuflada como ajuda humanitária a países africanos. JoeToff, diretor da DEA em certo momento, qualificou a Colômbia institucional como uma narco-democracia.

A Colômbia teve presidentes que abriram uma janela no Banco da República para facilitar a lavagem de divisas. Atualmente essa lavagem na Colômbia chega à cifra de 12 bilhões de dólares ao ano (20 bilhões de pesos), e a grande massa desse dinheiro se move pelos circuitos financeiros. Por isso dizemos, que as elites colombianas estão podres por dentro. A campanha mediática institucional contra as FARC-EP perde seu impulso diante da evidência aqui denunciada.

A narco produção está unida a um grave problema social acentuado pelas políticas neoliberais. As pessoas pauperizadas tem que se sustentar de alguma maneira. Por que o governo não impulsiona um programa de substituição desses cultivos, por outros também rentáveis para os camponeses pobres, como o sugeriram as FARC-EP? Por que não debate a legalização do consumo, como ocorreu no passado com o fumo e o álcool, acompanhando essa legalização de uma forte campanha educativa dirigida à juventude? Por que nos Estados Unidos não a poderosa máfia da distribuição, que fica com a parcela do leão do negócio, é perseguida nem os produtores dos insumos químicos?

É fato que 312 bilhões de dólares do narcotráfico foram injetados para uma tentativa de salvar o sistema financeiro mundial. Tudo isto, sem deixarmos de advertir que há por aí alguns ex-presidentes defendendo a legalização da droga, mas em estreita coordenação com os interesses da indústria farmacêutica. Leia entrevista

caso HSBC tráfico2

 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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