As agências começam a ser questionadas

Sempre chamei as Anas de prostitutas de luxo e respeitosas. Sempre de pernas abertas para os piratas e corsários estrangeiros, que roubaram e roubam nossas riquezas. Desde as invasões portuguesas, holandesas e  francesas no Brasil Colônia. Desde a abertura dos portos para os ingleses, por Dom João VI. Portos dominados pelos estadunidenses, a partir do financiamento da Revolução de Trinta.

Finalmente, com Fernando Henrique,  a globalização transformou o Brasil em uma colônia internacional. As Anas foram criadas para substituir as incertezas e a entrega de armamento para os golpes militares (o de 64 foi um deles).

Do meretrício das Anas aumentar os preços dos serviços e  produtos das empresas desnacionalizadas, e oferecer concessões de terra, mar e ar do “gigante pela própria naureza (…) deitado eternamente em berço esplêndido”.

Escreve  Carlos Chagas

Nem tudo está perdido. O Senado decidiu investigar as Agências Reguladoras. Menos do que possíveis escândalos verificados no âmbito de cada uma, os senadores pretendem questionar sua transformação de superpoderes criados para pairar acima dos ministérios e empresas estatais em cabides de emprego para acomodar companheiros e penduricalhos. A mutação aconteceu quando o governo federal passou dos tucanos para o PT.

Essa investigação poderá constituir-se no embrião para um projeto que mude a legislação referente à Agências, quem sabe até considerando-as supérfluas e desnecessárias, dada a redundância de suas atribuições teóricas com a máquina administrativa do Poder Executivo. Vai ser difícil a extinção das Agências, pois poucos serão os senadores, e também os deputados, sem algum interesse altruístico, pessoal ou subterrâneo em alguma delas.

De qualquer forma, fica o registro de que deixaram, ou vão deixando de ser, poderes desvinculados do poder maior, no caso, o governo federal. Trata-se de mais um véu desnudado no fantasma do neoliberalismo que nos assolou por obra e graça de Fernando Henrique Cardoso.

 (Transcrito da Tribuna da Imprensa)

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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