Carlos Chagas denuncia a conspiração golpista. Tem até pesquisa de que o brasileiro quer a ditadura de volta

Tenho procurado desvendar a trama. Que tem por trás a mesma Escola das Américas. O Brasil continua enviando alunos. Não entendo porque Dilma permite.

A conspiração visa derrubar os presidentes da Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina e Brasil.

A nova onda nazi-fascista começou em Honduras. Partiu da justiça, para empossar um milico. O golpe do Paraguai foi parlamentar.

Não concordo com a lista de Carlos Chagas. Mas “há qualquer coisa no ar, além dos aviões de carreira.”

VAMOS AOS FATOS

por Carlos Chagas

Seria bom não partir para a negativa absoluta por conta da nova disposição de muitas peças nesse xadrez do absurdo, porque o tabuleiro e as peças são as mesmas. Antes de rir e chamar de perturbado quem ouse fazer um raciocínio assim, seria bom atentar para os fatos.

Claro que não serão as Forças Armadas a prestar-se ao papel de algozes das instituições democráticas, mas aí estão as forças sindicais mancomunadas com as forças econômicas, dispostas, ambas, a sacrificar qualquer aparência de legalidade institucional em favor de seus interesses. Diante da proximidade de alterações fundamentais no modelo neoliberal e globalizante de ganhar dinheiro, quem duvida de que as classes privilegiadas deixariam de apoiar um golpe para trazer o Lula de volta, se está assentado na ilusão das massas?

Se Dilma e Aécio vierem a prometer, em suas campanhas, acabar com a farra da especulação financeira, com a malandragem das privatizações, os privilégios das elites e a predominância dos interesses internacionais sobre a soberania nacional, estarão abrindo o caminho para o Lula.

Caso anunciem a hipótese de limitar o lucro dos bancos, ou de suspender o pagamento da dívida interna para a realização de ampla auditoria, acontecerá o quê? Mais ainda, se apontarem como saída para extinguir a exclusão social que ainda atinge milhões de brasileiros o estabelecimento do imposto sobre grandes fortunas, ou a participação efetiva dos empregados no lucro das empresas, quem sabe até a taxação do capital estrangeiro especulativo e predador, hesitariam os prejudicados em golpear o processo democrático?

No fundo de tudo, é claro, surgirá alguém que, “em nome da prosperidade, das legítimas aspirações do povo, da paz política e social, da unidade nacional” se disponha a encarnar os privilégios de sempre. Esse alguém já existe. Terá encomendado aos seus companheiros de plantão pareceres a respeito da possibilidade de atropelar Dilma, eliminar Aécio e, por mais sutileza que possa haver em manobras modernas para a obtenção de velhos objetivos, sua motivação permanece a mesma: o poder. Pode vir por aí um outro golpe de 37, mesmo à avessas.

Desta vez, sabe-se também de onde provirá o gesto que mata. Quanto à palavra que salva…

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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