Joaquim Barbosa chamou, bem chamado, os jornalistas de canalhas. Ricardo Antunes está nesse time?

No mesmo dia em que a imprensa internacional destacou a origem humilde de Joaquim Barbosa, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) se desentendeu com jornalistas brasileiros e, de acordo com texto de Ricardo Noblat, de O Globo, o vazamento de um comentário feito em off a alguns repórteres fez com que o ministro chamasse todos de “canalha”.

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Para Noblat, o ministro costuma ser antipático com jornalistas e quase sempre pede para que as informações sejam em “off”. Nessa quinta-feira, 22, ele usou o recurso para responder o questionamento do jornalista Luiz Fara Monteiro, da TV Record, negro como Joaquim, que perguntou ao presidente do STF se ele estava “mais tranquilo, mais sereno”.

Como resposta, Barbosa chamou o repórter da Record de “brother” e disse que, diferentemente, dos demais jornalistas, ele não deveria formular perguntas com bases em estereótipos. O ministro não disse se vai ficar “sereno” à frente da mais alta corte do País, mas ressaltou que é para a imprensa parar de relacionar seus feitos com a cor de sua pele.

“Nesses dez anos, o ministro Joaquim botou para quebrar aí, quebrou as cadeiras? Gente, vamos parar de estereótipo. Logo você, meu brother! Ou você se acha parecido com a nossa Ana Flor [repórter da agência Reuters que é loira]? A cor da minha pele é igual à sua”, disse o ministro.

Ainda se dirigindo a Monteiro, Barbosa reforçou que falar da sua cor de pele é algo negativo e desnecessário. “Não siga a linha de estereótipos porque isso é muito ruim. Eles [os demais jornalistas] foram educados e comandados para levar adiante esses estereótipos. Mas você, meu amigo?”.

Segundo Noblat, ao saber que o diálogo tinha sido publicado em veículos jornalísticos, inclusive com o áudio disponível, Barbosa desabafou durante uma conversa com amigos e chamou os jornalistas de “canalhas”. Oficialmente, o ministro não se pronunciou sobre a suposta crítica aos profissionais da imprensa. In Comunique-se.

Certamente, o ministro não generalizou. Tanto, que não me sinto atingido.

Jornalistas canalhas reproduziram, em 5 (dia do prende e arrebenta) e 6 de outubro último, o press release policial da prisão de Ricardo Antunes. Release não é notícia jornalística. E sim uma mera e interesseira fonte.

Depois imperou o silêncio da polícia, da imprensa, da justiça.

O jornalista Ricardo Antunes continua preso, incomunicável, em um presídio de segurança máxima, e seu blogue fechado. A última notícia que publicou foi uma hora antes do aprisionamento. Isso chamo de censura. Mordaça. Encabrestamento. Amarrado está Ricardo em uma cela sombria, no pior e maior presídio do mundo, o Aníbal Bruno. Corre o boato de tortura. Que a imprensa precisa investigar. Pode acontecer com qualquer outro jornalista.

Denuncia a polícia que Ricardo é extorsionário. Cobrou, para ser pago pelo bacharel Antônio Lavareda, em trinta (30) suaves prestações, um milhão de dólares para não publicar uma desconhecida reportagem investigativa. É uma história estranha. Misteriosa. Não dá para acreditar neste preço, e nem na armadilha de pagar uma extorsão em trinta (30) meses. Que revela essa reportagem? Os jornalistas perderam a curiosidade?

Nenhum bandido negociaria com esse prazo de quase três anos. Tanto, diz o release, que Ricardo foi preso ao receber a primeira prestação. Pelo noticiário, pego com uma gigantesca mala cheia de notas marcadas. Algemado ora na rua ora no escritório de Lavareda.

Qualquer bandido tem advogado, assessor de imprensa (canalha) e familiares que são entrevistados. Por que negam o direito de defesa para Ricardo?

A questão não é Ricardo ser ou não ser criminoso. O que incomoda, envergonha, macula, enxovalha, intimida e aterroriza é a crença cega em um release.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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