Portugal. Movimentos vêem carga policial como “forma de intimidação”


Ana Rajado, porta-voz do Movimento Sem Emprego, assegurou ao PÚBLICO ter visto “polícias a baterem incessantemente nas pessoas e a persegui-las pelas ruas circundantes”. Perante as afirmações do subcomandante do comando de Lisboa da PSP, Luís Elias, sobre a “proporcionalidade” e “selectividade” das acções policiais, Rajado contrapõe que “foi uma acção desproporcional de violência atroz”. Vários membros do MSE ficaram feridos e a faixa do movimento ficou “toda manchada de sangue”.

Do Movimento 12 de Março, Raquel Freire, defende que “a polícia não pode, com a desculpa de que foi provocada, partir para a violência a idosos e manifestantes pacíficos”. A jovem acrescenta que “a polícia é paga para defender os cidadãos e não para os atacar” e, por isso, confessa sentir uma “profunda vergonha por quem deu a ordem para a carga policial”. (Fabíola Maciel, Público)

A Amnistia Internacional Portugal condenou, esta quinta-feira, o “uso excessivo e desproporcional de força” da polícia na carga policial para dispersar os manifestantes que protestavam “pacificamente” em frente ao parlamento na quarta-feira e pediu um inquérito ao Governo.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Amnistia Internacional Portugal refere que os manifestantes “exerciam o seu legítimo direito de protesto”, depois da greve geral convocada pela CGTP, à qual aderiram movimentos sociais, contra as políticas de austeridade.

A Aministia Internacional Portugal acusa as forças de segurança de recorrerem “indiscriminadamente ao bastão, não só para dispersar, mas, também, para perseguir manifestantes que protestavam pacificamente, tendo atingido várias pessoas com violência, sobretudo na cabeça, no pescoço e nas costas”, salienta-se no documento.

Em comunicado, a Plataforma 15 de Outubro classificou a acção da PSP de uma “brutalidade assustadora”, que “é usada pelo Governo para assustar e intimidar todos os trabalhadores”.

Galeria de fotos da primeira greve geral internacional

Publica o SOL: O jornalista freelancer norte-americano Brandon Jourdan conseguiu captar algumas das melhores imagens de vários momentos-chave dos protestos que marcaram a greve geral de 14 de Novembro, incluindo a carga policial em frente ao Parlamento.

Não é a única visão possível dos acontecimentos de 14 de Novembro – é só mais uma visão. Mas as imagens captadas por Jourdan ganham pela abrangência: mostram como um público heterogéneo que se manifestou durante o dia viu os seus protestos serem sequestrados por um grupo de jovens violentos.

O filme de quase nove minutos (veja) publicado no site Vimeo mostra a evolução das manifestações que marcaram a greve geral.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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