Jornalistas na Greve Geral e nas manifestações de 14 de Novembro

Calma, pessoal, são jornalistas portugueses. O jornalista brasileiro não faz greve. E o Brasil nunca teve uma greve geral.

A Direcção do Sindicato dos Jornalistas(SJ) de Portugal apelou hoje, 13 de novembro, à participação dos jornalistas na Greve Geral de amanhã e nas concentrações e manifestações que estão a ser organizadas pelo Movimento Sindical em vários pontos do país.

Trata-se também de uma jornada europeia, com paralisações gerais também em Espanha e Grécia e iniciativas em muitos países da União Europeia, nas quais as organizações de jornalistas também participam.

O apelo é do seguinte teor:

Num quadro de profunda degradação das condições de trabalho dos jornalistas e dos trabalhadores em geral, não faltam razões para que a classe junte a sua voz ao protesto de todos. Amanhã, estaremos em greve porque:
1. Surdo e cego aos protestos populares, às propostas do movimento sindical e da oposição e até aos conselhos e apelos de importantes personalidades da sua área ideológica, o Governo insiste em medidas de austeridade cada vez mais gravosas e injustas;
2. Obcecado com a cega obediência aos ditames da troika, o Governo não hesita em sacrificar os trabalhadores, os reformados, os pensionistas e as pessoas doentes, reduzindo-lhes os rendimentos, agravando os impostos e reduzindo as prestações sociais, mantendo incólumes os grandes lucros e a especulação financeira;
3. Determinado na sua missão de desmantelar o Estado Social e os Serviços Públicos, fazendo letra morta dos direitos dos cidadãos, o Governo continua o ataque cerrado às funções do Estado, nomeadamente na Saúde, na Segurança Social, na Educação e na Cultura, degrada e encarece os serviços públicos devidos às populações;
4. Apostado na desvalorização do trabalho, na redução forçada do seu custo e na subjugação dos trabalhadores, o Governo insiste em novas medidas laborais, visando destruir a negociação colectiva e neutralizar direitos e garantias conquistados com duros sacrifícios ao longo de muitas décadas, aumentar o tempo de trabalho e diminuir a sua retribuição e deixar ao patronato mãos livres para gerir a própria vida pessoal e familiar dos trabalhadores.
5. No sector da comunicação social em particular, é galopante a ofensiva das empresas contra o direito ao trabalho, prosseguindo os despedimentos que nos últimos anos atingem profundamente as redacções, degradando os salários, estendendo jornadas de trabalho para além das contratualizadas e violando direitos fundamentais, como a justa retribuição do trabalho suplementar;
6. No que toca às empresas de comunicação social do sector empresarial público – a RTP e a Lusa – o Governo e a maioria parlamentar usam da mais descarada demagogia para invocar os seus alegados custos, desvalorizando ou omitindo os serviços públicos indispensáveis que elas prestam, com o claro propósito de desmantelá-las ou destruí-las.
Esta meia dúzia de razões – e muitas outras há! – é elucidativa das razões pelas quais os jornalistas devem estar amanhã com os outros trabalhadores. Porque há razões comuns e porque nesta luta não há lados neutrais. Por isso,

é importante que a voz dos jornalistas se some ao protesto de todos; e que o silêncio das suas notícias seja o grito universal dos trabalhadores

No Brasil, a polícia prende jornalistas e ninguém procura investigar os reais motivos. Todos confiam num release da polícia. Um release repetido pelo Brasil inteiro, solto na grande rede e publicado no dia da prisão de Ricardo Antunes, 5 de outubro último, antevéspera das eleições.

Nunca mais os jornalistas tocaram no assunto. Por que não falam com o preso?

Parece muito convincente a verdade policial – do carcereiro – de que uma notícia, em um blogue desconhecido, vale um milhão de dólares. (T.A.)

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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