O mensalinho pariu o mensalão

Marcos Valério era pobre de marré deci. Não sei que diabo fez para ganhar duas agências de presente. Uma do sobrinho do vice-presidente José de Alencar. Outra de um vice-governador de Minas Gerais. Foi assim que começou o mensalinho tucano.

Com a primeira conta no governo de Itamar Franco presidente. Marcos Valério deixou de ser um marqueteiro provinciano. Sem esse pulo não haveria mensalão.

Os mais ricos marqueteiros do Brasil trabalharam ou trabalham para o PSDB e para o PT. Antigamente o nome era propagandista, relações públicas. Hoje esses marreteiros preferem ser chamados de cientista político.

Escreve Marco Antonio L.:

Bob Fernandes: No Supremo, há quem não esconda: Lula é o alvo

Marcos Valério teve relações financeiras com o PT. Como teve com o PSDB de Minas. Empresas de Valério tiveram negócios com empresas do grupo Oportunnity, de Daniel Dantas. Dantas teve ligações importantíssimas com gente importante no PSDB. Como teve ligações importantes com gente importantíssima no PT. Já passou da hora do PT vir a público e admitir os erros brutais que cometeu nesse contubérnio.

Condenado há 40 anos, Valério não quer ir para a cadeia. Para isso, fará e dirá qualquer coisa. Assim como Valério pode dizer o que quiser, a mídia tem o direito, e o dever, de publicar o que ele diz. Mesmo que, por ora, baseada apenas na palavra do condenado que não quer ser preso.

Há um consenso que esses são direitos democráticos, os de Valério, e os da Mídia. Como é de direito quem recebe tais informações, o telespectador, o leitor, fazer uma pergunta: por que o que Valério diz sobre Lula chega às manchetes e 115 páginas de documentos verídicos não são nem notícia? 115 páginas de documentos confidenciais produzidos em uma CPI ou obtidos em paraísos fiscais.

Valério prestou depoimento ao Ministério Público. Ele quer delatar e ser beneficiado com a liberdade. As 115 páginas de documentos estão num livro chamado “A Privataria Tucana”. As informações contidas no livro receberam um registro em dois grandes jornais.

Essas informações seguem inéditas em boa parte da chamada Grande Mídia. Inclusive na revista Veja. A pergunta de quem não conhece esse ramo é: por que manchetes num caso é silêncio, ou desqualificação, no outro caso? Em outros casos também. Leia mais.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s