No botequim do STF

por Leonardo Attuch

 

Mais do que servir à transparência, a transmissão ao vivo do julgamento mostrou quão frágil é a suprema corte

Winston Churchill bem que avisou: “Se as pessoas soubessem como são feitas as salsichas e as leis, não comeriam as primeiras e não obedeceriam às segundas.” Leis, pelo que se depreende do julgamento da Ação Penal 470, são escritas e aprovadas à base de mensalões. Salsichas, produzidas com carne de quinta categoria.

Caberia agora, no entanto, acrescentar algo a mais à frase de Churchill. Se as pessoas soubessem como as leis são apreciadas pela suprema corte brasileira, ficariam ainda mais perplexas. E o fato é que começamos a enxergar o que ocorre por trás das cortinas do Judiciário, graças à transmissão ao vivo do “julgamento do século” pela TV Justiça. Nada mais pedagógico: onde imaginávamos encontrar o notório saber jurídico de “vossas excelências”, passamos a ver um desfile de vaidades e discussões de mesa de bar.

Relator do processo, Joaquim Barbosa errou. Tentou aplicar penas a alguns réus, valendo-se de uma lei equivocada. E ao passar pelo constrangimento de ser corrigido por seus pares, em rede nacional de televisão, revelou, mais uma vez, seu destempero. Simplesmente agrediu o revisor Ricardo Lewandowski perguntando se o mesmo advogava para Marcos Valério.

Se, assim como os deputados, juízes do STF pudessem ser alvo de processos por “quebra de decoro supremo”, Joaquim Barbosa seria cassado pela agressão injusta a um colega. O que o socorreu foi o pedido de desculpas na retomada da sessão, mas ele ainda não comprovou ter o equilíbrio necessário para comandar o Poder Judiciário.

Por trás de tudo isso, há uma só palavra: demagogia. Tanto dos que escolhem os ministros como daqueles que buscam aplausos no Bracarense ou elogios rasgados nos meios de comunicação. Transcrevi trechos

Charges 

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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