The Economist: “Austeridade em Portugal – Mais sacrifícios, menos resultados”

 

“Em tempos mais alegres, antes da crise do Euro, um governo em Lisboa renomeou o Algarve como Allgarve, esperando atrair os turistas de língua inglesa. Agora a sagacidade portuguesa sugere renomear o país inteiro como Poortugal (Pobretugal)”, adianta a revista semanal inglesa.

A publicação refere ainda que, “perante os protestos furiosos e os editoriais fulminantes, tal humor mordaz representou uma resposta comedida ao projeto de Orçamento para 2013 que Vítor Gaspar, o ministro das Finanças, apresentou no dia 15 de outubro”.

“Raras vezes manifestantes, economistas e políticos foram tão unidos na descrição dos planos: ‘brutal’, ‘um crime contra a classe média’, uma ‘bomba atómica fiscal’” adianta The Economist, que sublinha ainda que “poucos concordam com o argumento do Sr. Gaspar de que ‘este é o único orçamento possível’ e que questioná-lo é correr o risco de ser submetido a uma ‘ditadura da dívida’ com Portugal condenado a depender dos seus credores oficiais indefinidamente”.

A publicação faz também referência à participação de eleitores dos principais partidos, “que acreditam que espremer as famílias de trabalhadores não é apenas desnecessariamente doloroso, como também sufoca o crescimento”, nos recentes protestos que tiveram lugar em várias cidades do país.

 

Escreve José Manuel Pureza: É um país assim, com uma mancha de pobreza que alastra como uma mancha de óleo – incorporando cada vez mais gente com habilitações escolares elevadas, percurso profissional qualificado e trajetórias de vida consolidadas, é um país assim que o Governo acha que tem de empobrecer.

 

Escreve Francisco Louçã: Já vi de tudo, pensava eu.

Mas ainda não tinha visto um orçamento como este. Com 81% de financiamento pelas receitas fiscais. Com um aumento proporcionalmente maior para quem recebe 800 euros do que para quem recebe 10 mil. Maior para os reformados do que para quem trabalha e ainda tem forma de se defender. Com novos cortes nos subsídios de desemprego, de doença ou de funeral. Com a promessa de grandes aumentos, ainda disfarçados, nos custos de saúde ou de transportes.

E com a certeza de que, com um aumento de dívida que vai para mais 12 mil milhões (e acrescente mais 25 mil milhões de garantias bancárias), o próximo orçamento só poderá ter mais austeridade e mais impostos. Quando se bate no fundo, o fundo vai para baixo, como me dizia uma idosa há dias.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s