Dois pesos e duas medidas

Carlos Chagas

Há alegria sempre que um réu é absolvido, presumindo-se ser inocente. O problema na absolvição de Duda Mendonça pelo Supremo Tribunal Federal é o reverso da medalha. A contradição. Porque se não foi considerado culpado por receber 10 milhões de reais do PT num paraíso fiscal, em conta por ele aberta, como punir Marcos Valério por haver enviado o dinheiro? O publicitário poderia até não saber da origem fajuta dos recursos, mesmo tornando-se difícil a presunção. Não prevaleceu a hipótese por falta de provas. Tudo bem, mas como justificar um pagamento lá fora por serviços prestados aqui dentro, a não ser pela intenção de sonegação fiscal? Impostos e multas só foram pagos depois de denunciada a operação.

 Julgamento contraditório

Numa palavra, dois pesos e duas medidas na decisão quase unânime da mais alta corte nacional de justiça, de absolver um e condenar outro. Marcos Valério já estava arcabuzado por muitas falcatruas. Mais uma, menos uma, tanto faz para o cálculo de sua longa pena de prisão a ser cumprida, mas a verdade é que Duda e sua sócia viram-se beneficiados.

Fica para o esquecimento perguntar de quem foi a proposta de remessa dos recursos para um paraíso fiscal. Pode ter sido de um ou de outro. Ou de ambos, o que parece mais provável.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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