Até as forças armadas têm medo

As milícias e os traficantes, que dominam mais de mil favelas no Rio de Janeiro, votam em quem para prefeito? Quais os vereadores considerados eleitos destes redutos fechados, que formarão a maioria governamental na Câmara (a Gaiola de Ouro)?

Cada favela tem um governo paralelo, que cobra pedágio, oferece os serviços essenciais para as populações carentes de tudo.

É o Rio dos guetos cercados por muros, para facilitar o mando dos criminosos, o controle dos moradores, o voto de cabresto.

A presença de forças especiais do Exército e da Marinha constata que estes guetos funcionam como currais eleitorais. É uma vigilância diuturna. Quando chega a noite as tropas batem em retirada.  Quando as legiões do mal preferem agir na escuridão.

Sérgio Cabral e Eduardo Paes fecharam as ruas do Rio de Janeiro com cancelas (na Zona Sul), que continuam impedindo o livre acesso.

Em um ato que declarou ser – em defesa do meio ambiente, os condomínios de baixa renda (comunidades) que estão nos morros, passaram a ser cercados por muros pelo Governo do Estado apoiado pela Prefeitura. Os muros baixos do Rio lembram o Muro de Berlim, o muro que separam os Estados Unidos do México, os muros que Israel isola a Palestina.

Os muros do apartheid da Cidade Maravilhosa escondem a miséria e a propaganda eleitoral. Nas favelas e nos cortiços, apenas são realizados os comícios e a panfletagem, e exibidos os cartazes, as faixas dos candidatos a prefeito e a vereador do crime. É a eleição de um prefeito vitorioso de véspera.

A construção de muros para isolar as favelas do Rio; a violência armada para o extermínio da população das favelas; o avanço das milícias; a tortura, superlotação e maus tratos nas unidades prisionais e sócio-educativas do estado; chibatas nos passageiros dos trens, a perseguição policial ao funk e ao hip-hop; “choque de ordem”; empresas que violam direitos de comunidades tradicionais; o cerco contra movimentos sociais. Não faltaram relatos recentes de violação dos Direitos Humanos pelo poder público para rechear o relatório entitulado “Os Muros nas Favelas e o Processo de Criminalização”.

Veja um vídeo que mostra como é a noite na Central do Brasil, um dos principais cartões postais da Cidade. E o dia no Centro do Rio de Janeiro. Do Rio Capital do Rock. Do turismo sexual. Da gastança desenfreada para realizar a sua segunda Copa do Mundo e as olimpíadas.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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