CARTA AOS OLINDENSES DO JORNALISTA IVAN MAURÍCIO

Mais de uma década de hegemonia do Partido Comunista(?) do Brasil – PC do B – em Olinda não conseguiu produzir um modelo de gestão eficiente e, muito menos, uma proposta estruturante para o futuro da cidade Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade.

Ao longo desses anos, o debate político empobreceu. Lideranças desapareceram e não houve renovação. O movimento popular perdeu força política através da ação nefasta de cooptação da Prefeitura de Olinda estimulando o empreguismo, a farra dos cargos comissionados e dos contratos de prestação de serviços.

Ao contrário do que se observa em Pernambuco, o tão propalado alinhamento com o Governo Federal serviu apenas para produzir uma série de obras inacabadas, paradas ou se arrastando por anos e mandatos (Canal da Malária é a mais emblemática de todas). Boa parte dessas obras vinculadas a Construtora Delta. Sim, aquela a mesma Construtora Delta envolvida em denúncias de irregularidades no esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira. Isso sem falar no verdadeiro desmando que é a obra da Avenida Presidente Kennedy.

Enfim, um legado onde despontam pífios resultados nos índices de desenvolvimento humano, principalmente na educação. Além de uma nítida regressão na qualidade do atendimento de saúde.

Do ponto de vista cultural e da preservação do patrimônio histórico pouco se avançou. O carnaval perdeu seu conteúdo popular tão ressaltado na gestão do professor Germano Coelho. Cinemas foram falsamente inaugurados e depois fechados. O Teatro Fernando Santa Cruz – uma corajosa homenagem do ex-prefeito José Arnaldo a um desaparecido político da ditadura militar – foi simplesmente destruído, junto com o Mercado Eufrásio Barbosa que só tem a pintura da fachada renovada em véspera de eleição.

A cidade pioneira das lutas das “Diretas Já” e contra o regime militar perdeu importância. Hoje, Olinda vive seu pior momento, sem brilho, apagada no noticiário político de Pernambuco.

Nesta eleição, o prefeito comunista(?) Renildo Calheiros agiu de forma arrogante e prepotente ao tentar confundir os olindenses com um falso discurso de que juntar o apoio de 21 partidos políticos seria o mesmo que juntar o povo. A velha prática da chamada “esperteza política”.

Ocorre que o povo de Olinda começou a perceber que ele é quem paga essa farra partidária. Os impostos arrecadados não se transformaram em obras e serviços públicos municipais. Ao contrário, o dinheiro do povo serviu para financiar parasitas políticos e a manutenção de uma falsa hegemonia de partidos políticos, sem ideologia, que só pensam em sugar o dinheiro público.

A desorientação das poucas lideranças políticas existentes no cenário político olindense é flagrante.

A deputada Teresa Leitão e o PT – em Olinda como no Recife – erraram feio. Não fizeram a leitura correta do processo político. O Partido dos Trabalhadores, através do prestígio do ex-presidente Lula, sempre serviu de escada para a ascensão do PC do B em Olinda. No entanto, o PT de Olinda não teve coragem para se afirmar apresentando candidato a prefeito.

Teresa Leitão – um bom quadro político – e seu partido preferiram continuar subalternos ao PC do B. E, dessa vez, não tiraram nenhum proveito da aliança do ponto de vista metropolitano, pois o PC do B decidiu, no Recife, apoiar e indicar o vice na chapa de Geraldo Júlio, do PSB. O senador Humberto Costa, funcionário da Prefeitura de Olinda e fundador do PT, historicamente solidário ao PC do B, foi literalmente abandonado.

O deputado estadual Ricardo Costa e o ex-candidato a prefeito Alf se revelaram covardes, oportunistas e bajuladores. Em troca de alguma vantagem pessoal jogaram na lata do lixo o discurso oposicionista que faziam até o meio deste ano.
Só pelo fato de terem resistido ao imenso rolo compressor da cooptação política, os candidatos oposicionistas Armando Sérgio, Ediel Romão e Izabel Urquiza merecem nosso respeito democrático.

O desafio desta eleição torna-se concreto e até pragmático. Em Olinda, votar nulo ou em branco significa ajudar Renildo Calheiros e o PC do B a se reelegerem. O cálculo para escolha do vencedor se faz apenas através dos votos válidos. Neste momento, a omissão ou falso protesto podem trazer consequências graves para o futuro da nossa cidade.

Por isso, decidi recomendar, aos que me conhecem, sabem da minha história e já me acompanharam em tantas lutas políticas da nossa amada cidade de Olinda, o nome de Izabel Urquiza para prefeita.


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(*) Ivan Maurício é jornalista, escritor, enciclopedista, pintor,  ex-presidente da Empresa de Urbanização e Desenvolvimento Integrado de Olinda (URB-Olinda), ex-diretor do Centro de Preservação dos Sítios Históricos de Olinda (CPSH), fundador e primeiro presidente do Partido Socialista Brasileiro – PSB – em Pernambuco.

Publicado por

Talis Andrade

Jornalista, professor universitário, poeta (13 livros publicados)

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